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Meu decepcionante primeiro dia de Youpix!

O que me chamou a atenção no Youpix semestre passado foi justamente a proposta do evento, uma celebração da dita “Cultura da Internet”, um espaço onde todo consumo era gratuito e livres idéias eram colocadas em pautas de palestra e rodas de debate, levando em conta a pessoa que lhes escreve, posso garantir que o clima informal do ambiente me agradou, como declarei neste blog meses atrás, a visita ao evento foi uma experiência bem enriquecedora.

Para essa nova ocasião, resolvi comparecer no primeiro dia, Quarta feira 18/08 mesmo notificado pela produção do evento via e-mail do alto número de participantes, eu cheguei um pouco mais tarde, após a abertura e como era de se esperar nesse tipo de ocasião, me deparei com uma fila imensa.

Até ai, isso não é lá grande novidade para a pessoa aqui, que passou ¼ da sua adolescência em filas de eventos para anime, RPG e videogame, o que me incomodou foi a falta de preparo das atendentes para esse setor, um grupo de moças que antes mesmo do evento chegar a sua metade, se encontravam mal-humoradas e gritando com os visitantes.

Após confirmar o meu pré-cadastro, tive que validar minhas informações sobre redes sociais, e eu – assim como muitos outros – tivemos a experiência desgastante de soletrar o nick do meu twitter para as atendentes que o que tinham em charme, com certeza faltavam em paciência e profissionalismo.

E aqui vale o primeiro questionamento sobre a produção: se formos aconselhados – e alarmados – em realizar o cadastro no site, porque é necessário repassar informações como o nickname? Questiono a falta de articulação entre as databases para puxar dados e assim evitar estorvos exaustivos na fila, como minha amiga, que teve seu nick errado no crachá, e garanto a você leitor, que não foi o único caso.

Passando por esse perrengue, finalmente pude entrar no evento, realizar o check-in no foursquare e…”interagir”, é curioso ver o que se sucedeu, muitos dos estandes, como o do Bradesco, não estavam preparados para lidar com o número de pessoas, para um evento que se presa pela celeridade da época digital, em muitas ocasiões tive o feeling de estar mais empacado que repartição pública, o que é preocupante.

Da esquerda pra direita: Bruna (@bru_maturana), Mariana (@maribfurlan), Vanessa (@vanrez) e eu (@synthzoid)

As palestras, por bem ou mau, tiveram seus momentos, pude acompanhar o acirrado debate sobre a “orkutização”, além de apresentações de humor e uma parte da entrevista do Gilberto Gil, mas é só isso.

Para um evento rizomático, assimétrico e sinceramente…o caralho a quatro, percebi a retomada da boa e velha egolatria, o Youpix tem desenvolvido uma distinta separação entre o público comum e os convidados, então, se você não é convidado, VIP, celebridade ou impressa, dificilmente terá uma experiência duradoura do evento.

Acontece que em diversos casos, fiquei me perguntando “onde esse cara arranjou esse brinde?” ou “onde ele descolou esse lanche?” e para esses questionamentos recebi a freqüente resposta “eu sou palestrante” ou “sou convidado da produção” e eu pensei “caralho, na era da democracia digital eu tenho que aturar isso?”.

Entenda leitor, não estou praguejando por um mísero cupcake, mas essa distinção de tratamento é visível e incomoda, claro, você pode alegar, realmente teve o consumo de cerveja e refrigerante no evento, mas a demanda não supria – talvez um erro logístico por parte da produção – as filas eram longas e o re-abastecimento com demoras de até uma hora.

Porém, o ápice do descaso se deu na fila do banheiro masculino antes do término do evento, apertado, resolvi cuidar de minhas necessidades, mas ao chegar lá, me deparei com um segurança carrancudo, que anunciou que o banheiro estava fora dos limites do público, após uma conversa, descobri que o mesmo foi fechado para que os membros da banda Teatro Mágico pudessem se maquiar.

Após uma demora, eu e meu amigo conseguimos utilizar o banheiro e ao questionar o vocalista Fernando Anitelli sobre essa pequena sacanagem, o mesmo tirou o culpa da reta e argumentou: “a produção do evento não disponibilizou outro espaço pra gente” sinceramente? Foda-se! Por mais que existam filas – o que é compreensível, dada a proporção de freqüentadores – barrar o acesso ao toalete para que duas pessoas possam se maquiar é inaceitável e um descaso com o público comum.

Ainda mais que ao sair, me deparei com grupos de pessoas urinando nos arbustos e árvores do Parque Ibirapuera, uma situação completamente degradante.

Pra mim, ficou claro que o Youpix se tornou algo falho, que ainda precisa de muito labor para alcançar um nível de decência e que reflete em muito a posição do público brasileiro em relação os meios de comunicação, tudo se resume a cultos de personalidades como desculpas para legitimização de idéias.

Mensalmente eu me reúno com “colegas de Internet” – inclusive outros membros desse blog – em bares para discutir eventos, bobeiras ou apenas gostos em comum, conversas que, apesar do nível chulo, se tornam bem mais instrutivas e frutíferas do que o conteúdo desgastado e díspar da realidade que o Youpix vem promovendo.

Ficam aqui minhas esperanças para melhores edições do evento.

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“Eu não leio HQs, só mangás” e porque isso é um erro comum!

Em dentro de dois meses acontecerá o Anime Friends 2011, e assim como nas edições anteriores, estarei trafegando em um mar de fantasias adolescentes, sexualidade reprimida e incertezas sociais, óbvio que eu não estarei só, muito menos de mãos vazias, o mês anterior ao evento é a oportunidade perfeita para estocar armas de fogo, álcool, drogas leves e toda pornografia do mundo que me ajude a bloquear o bukakke sinestésico transdimensional que esse acontecimento representa, e como sempre, eu vou passear entre os stands cheirando a revista velha e acabar me deparando com aquela personalidade clássica, o garoto anônimo, que de uma forma ingênua e detestável fala: “eu não leio HQs, só mangás”, supondo que eu não o mate, irei explicar pra ele, com paciência paternal, que o negócio não é bem assim.

Claro, HQs já tem rodado o país – e gerações de consumidores – há mais de três décadas, desde os tempos de Ebal, Mythos, Editora Abril e agora, a Panini Comics, sem contar as outras atuantes do mercado, como a Devir e a Cia. Das Letras, a presença dos mangás, e se isso, a gente excluir as empreitadas da Editora Globo com Akira e a bem quista pretensão quixotesca da Animangá, é algo relativamente recente, basta lembrar que a JBC e a Conrad começaram a lançar títulos no mercado em meados de 2001. Estamos falando de uma década, apenas uma geração de leitores.

O erro comum é entender mangá como “gênero” e não mídia, em sua essência, histórias em quadrinhos “ocidentais” e mangás são a mesma coisa, encadernados de baixo-médio custo de produção, organizados por diagramação de tiras e painéis entre espaços da folha, aquilo que sim, chamamos vulgarmente de “quadrinhos”. Em tese, todo leitor de mangás é um leitor de quadrinhos, o que nós observamos são questões culturais fortes o bastante para destacar essa diferenciação e é ela que devemos explorar.

É interessante perceber que nós não precisamos sair do solo nacional para analisar este erro, basta ver o marketing do “Turma da Mônica Jovem”, onde na capa a revista anuncia “Em estilo mangá”, o que significa isso? Em essência, a edição continua a mesma – até mesmo o esquema de leitura ocidental – então onde os roteiristas e editores apostam? Na simulação de convenções comumente associadas ao gênero, como estereótipos de heróis e construções narrativas, mas para todos os efeitos, Turma da Mônica Jovem continua sendo uma revista em quadrinhos como qualquer outra.

Historicamente, o mangá ganhou maior projeção graças a ocupação americana no Japão, com uma lei que proibida qualquer material de retratar sentimentos nacionalistas ou de glorificação militarista, o que permitiu então – graças a influencia de temas ocidentais, como a Ficção Cientifica – que artistas como Osamu Tezuka concebessem obras como Astro Boy. Tecnicamente, Tezuka desenvolveu um método de narrativa visual cinematográfica, onde acompanha não só a velocidade de leitura de seu público, como alocava de forma estratégica os painéis, para a arte japonesa, esta “sensação de movimento” seria a ruptura com o passado “estático” que até então os artistas cultivavam. Artistas como Frank Quitely e Stuart Immonen absorvem muito desta técnica de desenho, seus trabalhos, para a crítica ocidental, são freqüentemente celebrados pela fluidez da seqüência narrativa entre os painéis.

Escritores como Alan Moore defendem que, culturalmente, a existência do gênero super-heróico está relacionado com a tradição beligerante intervencionista dos Estados Unidos, o que vem a divergir com o antecedente “não-imperialista” das primeiras gerações de desenhistas de mangá, embora isto seja fato, autores como Nobuhiro Watsuki já assumiram que diversas de suas decisões criativas foram influenciadas pela leitura de quadrinhos ocidentais, o próprio design de alguns vilões do mangá Samurai X, uma das obras mais famosas de Watsuki, é conseqüência disto.

E ai fica a reflexão, quais gêneros comumente encontrados no mangá não remetem a vaga noção de “super-heroísmo”?

Chara” é um dos conceitos que eu julgo ser mais interessante na cultura pop japonesa, um “Chara” é um ícone, uma espécie de atalho semiótico, que possui o mínimo de carga informativa mas ainda assim, capacidade fácil de reconhecimento por parte de suas audiências, pense na imagem da Hello Kitty, ela pode ser considerado um “Chara” perfeito, é pertinente notar que para a cultura pop, o “Chara” é intrínseco ao fator “moe”, e por isso, tem alto valor mercadológico, isso pode ser transportado para a cultura de HQs ocidentais, vide símbolos que nos trazem o gatilho associativo, como o “S” no uniforme do Superman, o morcego de Batman, o relâmpago de Flash ou até mesmo o “X” dos X-men. A idéia de “Chara” é completamente compatível com o argumento de Grant Morrison cujo os super-heróis ocupam o espaço do consciente coletivo que antes era destinado a mitologia

Um argumento comum entre os leitores de mangá é que as histórias no meio “têm fim”, uma deferida inocente, que claramente ignora as contrações do mercado editorial não só japonês, mas de todo o mundo. Basta pegar uma das grandes séries, como Naruto, onde suas encarnações sofrem com os ditames Shueisha, onde executivos não anseiam em abrir mão de uma de suas principais vacas leiteiras, salvo alguns casos, séries consideradas “curtas”, foram aquelas que não obtiveram sucesso de público em periódicos de peso como o Shonen Jump.

Ainda assim, embora as HQs ocidentais não tenham “fim”, não podemos fazer vistas grossas para inúmeras obras autorais, mini-séries e publicações de selos como a Vertigo e a Avatar Press que já obtiveram completude (e piadas a parte, não posso imaginar um mundo onde “Sandman” não tenha tido “fim”), sem contar o aspecto mercadológico, séries antológicas como Dragon Ball ainda sobrevivem graças a exploração de licenciamento da marca, porem, o maior argumento se encontra em Mobile Suit Gundam, que em 32 anos de série, já passou por inúmeras transformações, séries e idéias, muitas vezes graças as empreitadas executivas da Bandai.

Como vocês podem ver, essa é apenas a ponta do iceberg que envolve perspectivas estreitas e falta de conhecimento do gênero e sua historicidade, claro, não vamos cobrar este nível de informação de todos, mas é saudável manter uma noção mais abrangente quanto a natureza da HQ como meio e o mercado onde a mesma funciona, existem muitos outros exemplos há serem mencionados, mas com apenas um pouco, eu quis ilustrar que essa distância não só de ocidente/oriente, mas entre fandoms se encontra equivocada e a longo prazo é uma atitude insalubre.

Cyberpunk e o Presente Volátil: divagações sobre literatura e tecnologia.

Nos meus tempos de gótico – pausa para os risos – eu pude presenciar um breve crescimento da estética “cyber”, que no final das contas, era um condensado de bandas, referencias de vestuário, chavões e até mesmo alguns flertes com a cultura nerd, como o emprego de 1337speak.

Era um tanto irritante o engajamento do povo, às voltas com um mar de referencias, mas mesmo assim, pouco apego ou conhecimento das mesmas, de suas origens, da mesma forma que o inevitável desinteresse, barreira lingüística e boca a boca diluem o conteúdo no underground, com o cybergoth – pausa para as risadas – não teria sido diferente.

Incomodava-me aquela imagética catastrófica, os sempre presentes símbolos de perigo radioativo e biológico, toda aquela ignorância aliada ao pretenso clima apocalíptico, “apocalíptico”, é claro, sob uma ótica de Umberto Eco, estamos falando do eminente, enfadonho pessimismo de caráter ludista.

Philip K. Dick? Não, ninguém tinha escutado falar, sequer imaginava que a desilusão, e paranóia da década de setenta já tinham alcançado os limiares da ficção-cientifica, Blade Runner? Aqueles que tinham visto, mal sabiam os bastidores literários por trás do filme.

"Do Androids Dream of Electric Sheep" livro que inspirou a adaptação cinematografia pelas mãos do diretor Ridley Scott

"Do Androids Dream of Electric Sheep" livro que inspirou a adaptação cinematografia pelas mãos do diretor Ridley Scott

 

Mais assustador ainda eram aqueles que desconheciam William Gibson, pai de todo o imaginário cyberpunk: megalópoles continentais, corporações corruptas, hegemonia do soft power asiático, drogas, cultura hacker, mesmos as inúmeros energúmenas posando em seus fotologs.net e álbuns de orkut, mal sabiam quem era Molly Millions ou Y.T. e a importância dessas personagens para o arquétipo da femme fatalle na cultura pop.

Existiram muitos outros expoentes, cada um com seus próprios méritos e falhas, que passaram despercebidos pelo mesmo público, ao longo das décadas de 90 e 00’s, Omykron: The Nomad Soul, Deus Ex Machina, The Matrix, Cyberpunk 2020, Serial Experiments Lain, Ghost in the Shell, AppleSeed, Idoru, Snowcrash, Chrysalis, Battle Angel Alita. Só pra citar alguns.

Da mesma forma que o súbito interesse do público passou, o gênero perdeu fôlego, e na medida em que se adotava a terminologia “post-cyberpunk” para ilustrar um mundo menos distópico e mais hedonista, onde já não se refletia mais o choque e a ruptura dos avanços, mas sim sua integração ao cotidiano, escritores, críticos e leitores percebiam: o futuro é agora, o próprio Gibson traduz isso em uma frase: “The future is already here – it’s just not very evenly distributed.”

A trilogia Bigend, escrita por Gibson, mudou o panorama do gênero Sci-Fi.

A trilogia Bigend, escrita por Gibson, mudou o panorama do gênero Sci-Fi.

 

Então hoje, na data cujo este texto é escrito, eu me deparo no twitter com esse artigo do Ethevaldo Siqueira, , O Mundo de 2010 a 2025 típica tecnobaboseira, Siqueira nos ilustra o óbvio ululante, um inevitável futuro através de previsíveis leis do mercado e indústria,  como miniaturalização, automátização e optimização.

Entenda, alegar a extinção de uma mídia é contradizer o panorama geral do mercado e indústria dos meios de comunicação, contradizendo também, os interesses de setores (indústrias de celulose, notícias, anunciantes e até público), eu me lembro dos ditames de Marshall McLuhan.

A grande peculiaridade das inovações tecnológicas, e seu potencial no mercado de comunicação, foram que a obsolescência é trocada por um re-arranjo organizacional das tecnologias, como um pequeno bioma, os profissionais desenvolvem sistemas de inteiração e espaço pela atenção dos meios.

Ao contrário do euforia dos pretensos futurólogos, os fatos rumam para um cenário contrário: o rádio não foi substituído pelo cinema, e este, não teve seu espaço tomado pelo invento da televisão e assim ad nauseum.

Formatos, meios de armazenamento, transmissão, estes sim mudaram, um exemplo tangível está na relação DVD/VHS, estamos falando em uma atualização e não substituição, o propósito de ambas as tecnologias ainda é o mesmo.

E mesmo o jornal impresso se atualizou, percebeu as leis do mercado de mídia e desenvolveu novos métodos de distribuição, diagramação (como os formatos do Destak e Metro News), melhorou a qualidade da impressão e continuou, principalmente, porque ler jornal é um traço cultural.

É claro que a ficção-cientifica foi pivotal nas decisões de design e funcionabilidade das novas tecnologias, as obras de Arthur C. Clarke influenciaram o desenvolvimento do satélite geoestacionário, mas é curioso notar a ausência de gadgets como smartphones no universo de Neuromancer.

Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke

 

E o quanto deste futuro chegou até nós? Zaibatsus não dominam o mercado, a URSS caiu, a expectativa do futuro cedeu para ao nosso volátil, caótico presente. Quantos acontecimentos nós deixamos passar? O excesso de informação pulverizada coopta qualquer iniciativa de estabelecer uma linha cronológica, até mesmo aquelas que rumam para o futuro…

O Futuro está ai, talvez menos esteta do que imaginamos, porem mais tangível, talvez tenhamos nos acostumado a ruptura, ao impacto estético, o futuro está ai, no contrabando da Santa Efigênia, em terroristas treinados em simuladores de vôo, nos operadores de telemarketing e proletários high-tech na China, nas quadrilhas de phising na África, naquele moleque escutando funk no celular, em qualquer idiota que tem um site e fala o que bem quiser…

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte II – O Lado Sombrio dos Verdes

Marina discursando em Tatooine.

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

"Quem esse ewok pensa que é?"

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de apontar as igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Uma Nova Esperança?

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro. Devem haver outros tantos por aí.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva / PV e os passos para trás que PT e PSDB estão dando para conquistar seu apoio,  começo a ouvir a trombetas do Apocalipse tocando os primeiros acordes da Marcha Imperial.

Eu sinto um distúrbio na Força, e você?

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de a

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

lianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte I – Os Erros dos Adversários

Independente de quem vá ganhar o 2° turno da eleição presidencial deste ano, a única candidatura realmente vitoriosa foi a de Marina Silva pelo Partido Verde (PV). Parece uma grande loucura dizer isso uma vez que ela não foi eleita e não passou de 3° nas pesquisas, mas vamos analisar o cenário e seus fatores um pouco mais a fundo.

José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estiverem em algum momento da corrida presidencial com o jogo praticamente ganho e por erros da própria equipe de campanha ou de algum aliado colocaram tudo a perder.

Serra despontava como favorito até o primeiro semestre, mas aí sentou em cima de seu favoritismo e usou e abusou disso antes do início oficial da campanha. Primeiro atropelou adversários dentro do próprio partido, barrando uma votação interna para a escolha de um candidato tucano e assim tirando Aécio Neves (MG) do páreo. Mas o mineiro tem uma base ampla dentro do partido (incluindo aí Geraldo Alckmin em São Paulo) e esse racha interno seria notado em todo o decorrer da campanha, com candidaturas do partido e da base aliada mostrando José Serra muito pouco ou até mesmo o omitindo totalmente em programas e santinhos.

Depois veio a demora em oficializar a candidatura. Pode parecer bobagem diante do fato que todo mundo já sabia que ia ser ele mesmo, mas diante da burocracia sem fim que é a Legislação Eleitoral brasileira, isso faz muita de diferença para definir alianças, arrecadações, doações e material de campanha.

E a cartada final foi a “escolha” do vice-candidato empurrado à força pelo DEM. A única coisa notável no currículo de Índio da Costa era ele ter sido o redator do projeto de lei Ficha Limpa e MAIS NADA. Era nítido que o partido aliado não tinha nada melhor para oferecer e a escolha foi alvo de chacota para muita gente.

Durante a campanha em si, o candidato José Serra parecia sofrer de uma doença muito em moda atualmente: Transtorno Bipolar. Ele tinha que falar mal a Dilma sem falar mal do Lula, um presidente com mais de 70% de índice de aprovação. E aí tivemos aquele discurso esquizofrênico, onde se falava mal do governo e se mostrava alinhado a Lula. Claro que ninguém engoliu isso e Serra caía cada vez mais nas pesquisas.

Já do lado petista a missão era árdua. Após escândalos de corrupção limarem boa parte da cúpula do PT, não havia um nome forte para a disputa nacional. As únicas opções eram Marta Suplicy, arrogante demais para ganhar a simpatia nacional, e Aloísio Mercadante (bem, este segundo não é exatamente um nome forte, para sentir o nível em que o partido estava). Coube então ao presidente Lula inventar uma candidata e daí surgiu Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, o ministério que é o “braço direito” da presidência. E fez plástica na mulher, repaginou todo o visual dela e a colocou para inaugurar mais obra atrás de obra. E ela contava com o melhor cabo eleitoral do momento: o próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva

Convém notar que não era Dilma quem estava ganhando e sim Serra quem estava perdendo. Se o governo Lula era tão bom assim a ponto do próprio tucano atrelar a ele sua candidatura, melhor votar na mulher que o presidente indicava, certo?

E dentro disso a candidatura de Dilma crescia, uma vez que o discurso de Serra acabou decepcionando quem votava nele e não convenceu o resto do eleitorado a mudar seu voto.

Percebendo que o próprio Serra não teria forças para derrubar a petista, a maior parte da mídia (que é a favor do tucano) rapidamente começou a dissecar qualquer aspecto da vida de Dilma e publicava qualquer coisa que achassem que poderia desaboná-la. E quando eu escrevo qualquer coisa entendam isso literalmente: usaram até o fato dela ter tido uma loja em tempos imemoriais que acabou falindo como exemplo de que ela não seria uma má administradora. Mas isso merece um post à parte. A questão é que cavoucaram tanta coisa que acabaram achando.

Veio então à tona um suposto esquema de quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB e familiares de Serra a mando do PT de São Bernardo. O candidato tucano ficou de “mimimi” em plena propaganda eleitoral contra esse crime contra sua filha. Mas após descobrir que meio mundo não tava nem aí pra sigilo fiscal, vir à tona que ele sabia disso desde janeiro e veio reclamar somente agora e que uma empresa da filha dele deixou exposto na rede dados bancários de todos os seus clientes, a denúncia perdeu força e foi para o limbo.

Foi então que descobriram que o filho da mulher que estava no lugar da Dilma na Casa Civil estava fazendo lobby. Pareceu confuso? Mas foi assim mesmo que a coisa toda foi noticiada. Mas como “água mole e pedra dura tanto bate até eu fura”, conseguiram convencer o eleitor médio de que de repente lobby passou a ser crime e Erenice “A Mulher que Dilma Colocou Lá” Guerra foi obrigada a pedir demissão do ministério. Aí o caldo entornou, pois por mais que Dilma e Lula dissessem que não sabiam de nada, foi no mesmo ministério que rolou o Mensalão que acabou derrubando José Dirceu. A mídia fez questão de lembrar a todos disso e como Dilma não era Lula, ela começou a recuar nas pesquisas.

E aí vem o dado curioso. Serra estava perdendo votos por não se definir como oposição ou situação e o caráter denuncista e oportunistas de suas denúncias fez com que ele se estabilizasse nas pesquisas e não conquistasse voto nenhum. Já as cagadas do PT e do Governo Federal marteladas diuturnamente pela imprensa conseguiram corroer a candidatura de Dilma. Então para onde estavam indo estes votos todos?

Para uma candidatura de uma acreana que era analfabeta até os 16 anos e havia saído do PT não havia muito tempo por discordar da política ambiental do partido. Essa candidatura era de um partido que não tinha muita força nacional, mas é visto como simpático por todos.

É claro que estamos falando da candidatura de Marina Silva pelo Partido Verde. Descontentes com a alopração petista e esquizofrenia tucana começaram a ver nela uma alternativa viável para mostrar que não estavam contentes com a disputa principal sem desperdiçar seu voto em um qualquer. A equipe de campanha verde percebeu isso e então tentou o que muitos achariam loucura: um 2° turno entre Dilma e Marina.

(continua…)

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