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Introdução ao SOPA: um guia para a proposta da nova legislação antipirataria dos Estados Unidos

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Publicado originalmente na Wired UK

SOPA é uma daquelas abreviações que apareceram nos noticiários com uma velocidade alarmante. Para aqueles que ainda não entenderam ou tiveram tempo para sentar e ler as notícias relacionadas ao assunto, a Wired UK criou um guia útil para essa nova lei “antipirataria” proposta pela legislação estadunidense.

O que é o SOPA?

SOPA é a abreviação para Stop Online Piracy Act, uma lei proposta pela legislação americana com o intento de proteger copyrights na internet. Ela vem sendo amplamente suportada por estúdios de cinema e gravadoras que têm gasto milhões de dólares em lobby para endurecer as leis contra filesharing e violação de copyright online. Os alvos dessa nova lei são misteriosamente chamados de “sites infratores”.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos explicou através de uma carta para o NY Times o significado da expressão: “Sites infratores são aqueles que roubam os produtos criativos e inovadores da América, que atraem mais de 53 bilhões de visita por ano e ameaçam mais de 19 milhões de empregos americanos”.

O problema com o SOPA (e sua lei irmã, a “PIPA”) é que ele tenta lidar com o problema da violação de copyright forçando uma reforma na própria arquitetura da web. Ambas as leis definem que nenhum recurso disponível online ficaria fora dessa jurisdição de natureza draconiana. A lei chegou ao equivalente da Câmara dos Deputados norte-americano, mesmo com forte opinião contrária de empreendedores, internautas, desenvolvedores e acadêmicos.

Como ela funcionaria?

Caso autorizado, o SOPA permitiria qualquer procuradoria estadunidense a obter um mandato judicial contra sites estrangeiros e seu servidor de hospedagem de tal forma que o site em questão desapareceria para usuários norte-americanos. Essas audições devem ser feitas em dentro de cinco dias, baseando meramente em acusações.

Um site pode ser desligado apenas por infringir um link, mesmo que você não tenha postado, por exemplo, algum comentarista no seu blog postar uma foto protegida por copyright de forma inapropriada. Além disso, usuários e donos apenas podem se defender legalmente após o site ser retirado do ar.

Existe inclusive uma medida provisória que diz que um usuário comum da internet pode ser preso por cinco anos por postar material protegido por copyright.

Sites acusados de violar copyrights são bloqueados através do seu domínio ao invés do endereço de IP. Isto é particularmente preocupante, pois intervém com o DNS (Domain Name Service), que é uma peça fundamental da internet.

O DNS codifica o domínio do site, permitindo que qualquer computador conectado a internet encontre o site em questão. Bloquear sites por este meio faz com que eles desaparecem por complexo da internet, sem vestígios para o usuário leigo, este tipo de prática é comum em países onde a liberdade de expressão é combatida, como o Irã e a China.

Qual a diferença entre o SOPA e o PIPA?

SOPA e PIPA (Protect IP Act) são praticamente duas versões da mesma lei antipirataria. SOPA é a versão da câmara de deputados, enquanto a PIPA é a lei proposta pelo Senado norte-americano, ambas tentam eliminar a pirataria promovida por “sites infratores” estrangeiros. SOPA é mais abrangente, pois requer que mecanismos de buscas removam de seus indexes sites ditos como “infratores”.

A diferença vital entre o SOPA e PIPA é que o primeiro possui penalidades para sites acusados de forma errônea por detentores de copyright alegando que os mesmos podem ser processados por custos jurídicos e honorários de promotores.

O SOPA visa apenas sites norte-americanos?

Apoiadores do SOPA insistem em dizer que a lei almeja apenas sites não-americanos, o que define qualquer TLD (Top Level Domain) de um site que não tenha registro norte-americano (.com, .org e .net) – o que não afeta empresas americanas.

Entretanto, embora o texto não esteja particularmente claro, aparentemente sites americanos serão obrigados a se policiar em busca de links que levem aos considerados “sites infratores” ou links que possam direcionar para o mesmo, o não cumprimento deste policiamento pode acarretar em severas penalidades monetárias.

Quem será afetado pelo SOPA?

Os internautas americanos terão o número de sites limitados pelo governo e a indústria de entretenimento audiovisual. Também serão afetados empreendimentos baseados em web que busquem compartilhamento e interação social, assim como gigantes da web, como Google, Wikipedia (que entrou em protesto hoje, dia 18/01) e Amazon.

Esta é uma das grandes contradições do SOPA, ela reconhece – e defende – que a indústria de entretenimento americana é responsável pelo faturamento de milhões na economia do país, mas faz vista grossa para as empresas e indústrias de tecnologia que são o futuro econômico dos Estados Unidos e do mundo.

Em dezembro, um proeminente grupo de 83 engenheiros, programadores e inventores enviaram uma carta aberta para o congresso norte-americano, onde dizia:

Caso assinado, ambas as leis criarão um ambiente de medo e incerteza para a inovação tecnológica, além de prejudicar seriamente a credibilidade dos Estados Unidos em seu papel chave para a infraestrutura da Internet. Apesar das emendas recentes, ambas as leis correm o risco de fragmentar o DNS global e outros caprichos técnicos. Em troca disto, esta legislação acarretaria em infratores que agiriam de forma deliberada enquanto prejudicaria o direito de grupos inocentes se comunicarem e expressarem online”

Laurence Tribe, Professor de Direito em Havard, vai além, argumentando que o SOPA é anticonstitucional, porque, caso assinado, “um site inteiro, contendo centenas de dezenas de páginas, poderia ser desligado porque apenas uma página apresentaria problemas de copyright, este tipo de abordagem criaria severos problemas práticos para sites com ênfase em conteúdo desenvolvido pelo usuário.”

Quem apoia o SOPA?

SOPA é apoiado por organizações e empresas em que o modelo de negócios é fortemente ligado ao copyright, incluindo Motion Picture Association of America, Recording Industry Association of America, Macmillan US, tEntertainment Software Association, Viacom and News International. Outros apoiadores incluem empresas dependentes de seu trademark, como Nike e L’Oreal.

Quem se opõe ao SOPA?

A maioria das pessoas e empresas com um entendimento claro de como a internet funciona se manifestaram contra, incluindo Google, Facebook, Twitter, Zynga, eBay, Yahoo, Mozilla e LinkedIn. Eles argumentaram que o SOPA é “um sério risco para a inovação contínua e criação de empregos, assim como para a ciber-segurança dos Estados Unidos.” Outros opositores incluem Reddit, Boing Boing, Mozilla, Wikipedia, grupos internacionais ligados aos Direitos Humanos, centenas de negócios, empreendedores e acadêmicos.

O Parlamento Europeu, defensor da neutralidade na internet, se manifestou contrário ao SOPA, advertindo a “necessidade de proteger a integridade global da internet e a liberdade de comunicação impedindo medidas unilaterais que visem revogar endereços de IP e domínios na web”.

O que vem a seguir?

Hoje, diversos sites – grandes e pequenos – cessaram suas atividades em protesto contra o SOPA, a escolha da data, 18/01, não é sem razão, hoje, políticos americanos começaram a realizar uma análise de impacto envolvendo o bloqueio de nomes de domínios nos mecanismos de busca.

Em resposta ao apelo da comunidade digital, o representante do Comitê de Supervisão Doméstica e Reforma Governamental, Darrell Issa, proclamou a imprensa: “A voz da comunidade conectada foi ouvida. Mais educação sobre o funcionamento da internet é essencial para os membros do congresso é necessário para que legislações antipirataria sejam funcionais e atingiam aprovação ampla”. 

OcupaUSP: uma vitória pírrica para a sociedade paulistana

Esse final de semana eu abro a Revista Veja e me deparo com a matéria sobre a ocupação na USP, a revista – um dos maiores meios de comunicação do país – adota uma postura sequer imparcial, sem informação ou texto jornalístico, a matéria, em resumo, é uma demonstração de nojo à última onda de protestos que vem impactando a rotina do campus e ganhando espaço na imprensa.

O carro chefe da matéria “A Rebelião dos Mimados”, escrita por Marcelo Sperandio, era uma foto que ganharia uma notoriedade na internet, gerando inúmeras piadas pelo seu aspecto inusitado e debochado: um aluno – que em tese, faz parte dos manifestantes – se encontra sentado na cadeira, o que chama a atenção é o vestuário do rapaz, um macacão da GAP – uma marca importada de roupas casuais – e um óculos, supostamente, ray-ban.

E sem muitas delongas, o jornalista percorreu a matéria, desenvolvendo lições de morais, críticas à postura dos manifestantes, alegando que os alunos são apenas crianças mimadas, que protestam pelo direito de fumar maconha sem serem perturbados pela polícia militar, esse garoto se tornou o “retrato” da pequena ocupação que se desenvolveu no campus.

Os protestos tiveram como pontapé inicial a prisão de três alunos por porte e consumo de maconha dentro das imediações do campus no dia 27/10, quando diversos estudantes, em “demonstração de solidariedade” resolveram impedir que a PM prendesse seus colegas universitários.

Isto foi o estopim para reaver um antigo trauma da comunidade em relação a presença policial no campus, entre inúmeros argumentos, alega-se que a presença dos mesmos é uma ferramenta para coibir manifestações e até mesmo a liberdade de expressão.

De forma coincidente, dia 31/10, um rapaz chamado Thiago De Carvalho Cunha, um dos militantes do Acampa Sampa, a manifestação paulistana para o movimento global Occupy Wall Street, invadiu e interrompeu uma matéria do Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão, em entrevista, o mesmo declarou: “Sou muito politizado, tenho 23 anos e, no momento, sou sustentado pela minha mãe”.

No dia 7/11, um dia antes do ultimato promulgado pela Justiça para que os manifestantes desocupassem o prédio da reitoria, o cinegrafista da Rede Bandeirantes, Gelson Domingos, foi baleado durante a gravação de uma invasão do BOPE a uma favela carioca, este triste incidente reacendeu um antigo debate brasileiro: “quem financia o tráfico de drogas?” Claro que o bode expiatório caiu nos ombros da juventude universitária da classe média brasileira.

E para finalizar o cenário, fica no ar a influência da onda de “marchas” que começaram após forte intervenção policial sobre a passeata a favor da legalização da maconha que ocorreu na Av. Paulista, o movimento ganhou projeção nacional, usando o direito da liberdade de expressão em sua vanguarda, fica a expectativa de o quanto do progresso alcançado pelas marchas será danificado após o término da ocupação.

Tenho acompanhado o desenvolvimento do argumento que pessoas “ricas” são isentas do direito de manifestar-se, ou seja, rico não pode protestar, uma vez que possui acesso a tudo, educação, saúde e entretenimento, não existem espaço para queixas ou o direito de reivindicar direitos, isto não passa de um sintoma de miopia social, um argumento da mesma lógica utilizado pelo jornalista Marcelo Sperandio.

A própria Veja, conhecida pelo público por ser uma periódico de centro-esquerda, em que seu editorial já defendeu mais de uma vez os fardos da classe média ao longo da administração petista encontrou uma pequena contradição ao condenar as manifestações universitárias, declarando que a mesma é encabeçada por “filhinhos de papai maconheiros”.

A instituição conta – no momento – com 89 mil alunos, ao contrário do estereótipo que foi fomentado por veículos como a Revista Veja, o clima na USP é despolitizado, onde muitos alunos ministram seu tempo intercalando matérias, estágios e cursos de idiomas oferecidos dentro do campus.

Outro argumento comum para dissimular a legitimidade os protestos se encontra no volume de alunos manifestantes em comparação ao resto da população do campus, considerando os mesmos como uma minoria e por isso, isenta de voz, uma constatação que vai contra os princípios democráticos.

O sociólogo Carlos Henrique Metidieri Menegozzo, em entrevista a revista Carta Capital, afirma que a mentalidade radical na USP passa por dois processos que se encontram em polos opostos e conflituosos.

Os da esquerda, na definição sociológica, são em parte resultantes de uma ideologia do descondicionamento de classe, “surgida quando o estudante é desobrigado de criar condições para seu próprio sustento”. Nesse caso, o estudante universitário, em sua maior parte de classe média e relativamente dependente dos pais, tem a impressão de que pode tudo. De acordo com Menegozzo ““O aluno imagina que pode assumir um comportamento político desligado de condições materiais e de interesses de sua classe origem”.

Já a direita, nas palavras do sociólogo, é reflexo da expressão de um movimento da classe média de maneira geral e que influencia o comportamento estudantil, quando segmentos da sociedade ascenderam após as políticas sociais estabelecidas no governo Lula, a antiga classe média vivenciou uma perda de status e poder, e o crescimento de uma mentalidade mais conservadora e agressiva é resultado direto dessa sensação de perda, o que é visto opiniões que envolvem políticas de cotas, por exemplo.

Por último, existe o confronto estatístico, alegando os resultados após a presença da PM e seu impacto na rotina dos alunos, um levantamento feito pela Polícia Militar 80 dias após o assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva ocorrido em maio, os furtos de veículos caíram em 90% (apenas dois casos foram registrados, ante os 20 anteriores). Já roubos em geral passaram de 18 para 6, uma redução de 66,7%. Roubos de veículos caíram 92,3%, passando de 13 para 1.

Outros dois crimes que tiveram redução foram lesão corporal, que caiu de nove para dois casos (queda de 77,8%), e sequestro relâmpago, de 8 para 1 (redução de 87,5%). Os dados estão em boletins de ocorrência registrados nas delegacias do entorno da Cidade Universitária.

Dos 103 boletins de furtos registrados depois da morte ante os 107 do período anterior, apenas 20 ocorreram em via pública, sendo 19 no interior de veículos, dos quais em 12 o objeto visado foi o estepe do carro. O outro furto foi de uma placa de veículo.

Os outros 83 casos aconteceram no interior das unidades, onde a PM não entra. Nesses locais, a competência de garantir a segurança é das empresas privadas de vigilância, contratadas pelas próprias unidades, ou da Guarda Universitária da USP, que tem como função proteger o patrimônio da instituição.

O argumento das alas mais radicais dos grupos universitários é que a presença da Polícia Militar tem servido para inibir os atos democráticos de manifestações, que, diga-se de passagem, são comuns dentro de meios acadêmicos.

A presença política nas manifestações – parte do intricado mosaico geopolítico da universidade – é apenas outro ponto, se embora a manifestação dos alunos possa ser consideração legítima, a ocupação da reitoria dia 01/11 foi encabeçada por grupos políticos como o PCO, a presença de bandeiras como a do PSTU e do PSOL podem ser encontrados entre os ocupantes, algo que nós podemos considerar como ato político e questionável.

A reação contra a presença policial no campus tem repercutido um criticismo sério por parte da população, que veem nas reinvindicações dos universitários nada menos que um “luxo”, alegando que não precisam de um direito do cidadão – o de proteção – enquanto diversas outras comunidades do município de São Paulo carecem do mesmo direito.

Em infeliz declaração a imprensa, Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo declarou sobre a situação : “Ninguém está acima da lei”, o profº Jorge Luiz Souto Maior, livre docente da Faculdade de Direito da USP foi pertinente em argumentar: “Ninguém está acima da lei”, traduz um preceito republicano, pelo qual, historicamente, se fixou a conquista de que o poder pertence ao povo e que, portanto, o governante não detém o poder por si, mas em nome do povo, exercendo-o nos limites por leis, democraticamente, estatuídas. O “Ninguém está acima da lei” é uma conquista do povo em face dos governos autoritários. O “ninguém” da expressão, por conseguinte, é o governante, jamais o povo.”

Muito foi dito sobre políticas de controle e higienismo no estado de São Paulo por parte da administração do PSDB, sabe-se que 25 das 32 subprefeituras do município possuem no comando reservas ligados a Policia Militar, também existem cerca de 90 oficiais em cargos considerados estratégica para a máquina pública paulistana, entre eles podemos citar a Secretaria de Transportes, Companhia de Engenharia de Tráfego, Serviço Funerário, no Serviço Ambulatorial Municipal, na Defesa Civil e Secretaria de Segurança.

Dia 08/11, por volta das 5:20 da manhã, um grupo de 400 policiais do batalhão de choque invadiram a reitoria com o objetivo de retirar os 150 alunos ocupantes do prédio, embora a assessoria da Polícia Militar alegue que a retira foi pacífica (embora, relatos de uso de gás lacrimgênico e abuso de força cheguem aos poucos, como nesse vídeo aqui), cerca 70 manifestantes foram presos, com múltiplas acusações, que vão de crime ambiental a formação de quadrilha, também foram encotrados, armas brancas e molotovs nas imediações ocupados, muitos detidos só conseguiram responder aos processos após o pagamento de fiança ou seja, os atos de manifestação foram considerados criminosos de acordo com a administração do município.

Todo o cenário poderia ter sido um de vitória, de manifestações pacíficas e reivindicatórias, sem a presença de joguetes políticos ou depreciação do patrimônio público, ao mesmo tempo em que as autoridades o papel que lhes cabe a sua jurisdição.

Ambos os lados tem ganhado notoriedade por seus atos exaltados e violentos, mas aqui eu questiono o que – nós – como povo conquistamos após esse episódio? Após a ação policial, parte da opinião pública aclamou pela intervenção brutal promovida pelo Batalhão de Choque, enquanto parcelas da comunidade universitária encontrarão no ato de agressão uma justificativa para seus argumentos radicais, tudo o que nós, o povo, conseguimos foi uma vitória pírrica.

Otaxploitation: um mercado de obsessões

Recentemente o supergrupo de música pop japonesa AKB48 lançou uma nova ação em seu site, o AKBaby, através de uma aplicação de reconhecimento facial e mistura de elementos, por um preço, o fã interessado pode “upar” sua foto e misturar com elementos da integrante que quiser e assim ter a foto do seu “bebê”, o apelo é tamanho, que na homepage, uma das meninas aparece com a blusa levantada, amamentando um bebê, em uma cena cheia de subjetividade erótica, na arte está escrito, traduzido do japonês “você quer ter um filho comigo?”.

AKBaby, propaganda extraída diretamente do site do supergrupo

Em outro episódio mais antigo, uma nova integrante do grupo foi anunciada em um comercial de uma marca de doces local, a peça exibida no semestre passado chamou a atenção dos fãs por uma série de incoerências: porque uma integrante novata teria papel central na ação? Porque algumas feições dela eram tão familiares? A resolução dessas – e muitas outras – perguntas veio no anuncio que a nova membra da equipe era na verdade uma animação feita por computadores, com feições corporais captadas das principais integrantes do conjunto.

Este tipo de exploitation de garotos e garotas com relativo talento e aparência agradável tem se tornando um fenômeno cada vez mais comum para as audiências ocidentais, embora cause estranheza, esses grupos já são desenvolvidos por agências de talento e gravadoras em seu país de origem há mais de três décadas.

Geralmente são talentos promissores escolhidos logo cedo, podemos inclusive brincar que muitos são criados em “currais”, recebendo ao longo da adolescência a tutela necessária para o estrelato, aulas que vão de fisiculturismo, artes cênicas, etiqueta, dança e etc. tudo com o objetivo de integrar a pessoa em um novo grupo de estrelas.

Como figuras públicas, muitos aspectos de suas vidas são monitorados, principalmente questões como relacionamento, o consumo de bebidas e até cigarros. Em casos de comoção considerados drásticos, a assessoria de imprensa de tais agências chega a emitir pedidos de desculpas público e até suspender a atividade de seus membros.

Em muitos grupos, como o AKB48, existem sistemas de ranking de popularidade, o que deixa no ar um aspecto de rivalidade entre suas integrantes, muitas formações são trocadas inteiramente quando quesitos como “idade” começam a alarmar empresários, algumas chegam a participar de revivals e muitos ex-membros arriscam carreiras solos e tentam sobrepujar o estigma, raros são os casos de sucesso.

O que chama a atenção no AKB48 é o nicho pelo qual o grupo foi construído, “AKB” é uma abreviação para “Akihabara”, conhecida mundialmente como a “Meca dos Otakus” um bairro comercial de Tóquio voltado para o consumo de bens tecnológicos e colecionáveis, a própria sede do supergrupo/franquia se encontra na região. Propondo uma ideia de “ídolos que você pode encontrar”, o enfoque do marketing no grupo é sempre voltado para a exposição das vidas de suas integrantes.

Imagem do comercial estrelado por Eguchi Aimi, a única integrante do grupo construída a partir da computação gráfica

Ser um grupo voltado para “otakus” é pertinente no sentido que esse termo tem na conjectura social do país, ao contrário do ocidente, onde se assume de forma predominante o otaku como o fã de animações e mangás, no Japão, o “Otaku” é todo sujeito que desenvolve o excêntrico comportamento de colecionar e se especializar em determinado assunto, existem grupos de otaku que podem ser considerados sem qualquer envolvimento com o mercado de animes e mangás.

Para a cultura moderna japonesa, um “otaku” é qualquer pessoa de comportamento obsessivo com algum hobbie, não apenas animações japonesas, podemos encontrar características de comportamento “otaku” entre fãs de jogos eletrônicos, música, armas de fogo e até engenharia automotiva, este tipo de comportamento costuma ser amplamente desaprovado pela cultura oriental, comumente associados a episódios de surtos paranóicos e autodestrutivos.

No ocidente o termo “otaku” ganha outra conotação, sendo empregado exclusivamente para a base de fãs de animação japonesa e mangás, o que tende a desenvolver controvérsias, levando em consideração o sentido em seu país de origem e a historicidade por trás da palavra, o termo “otaku” sofre então, uma resignificação de seu sentido, assim como outras palavras que foram inúmeras vezes re-apropriadas no idioma inglês, como “punk” ou “gothic”.

É interessante perceber que bairros como Akihabara adequaram seus negócios para muito dos gostos excêntricos deste público, como cafés e restaurantes temáticos e lojas especializadas. Apesar de ser uma cultura distante e introspectiva, é errado argumentar que os Otakus compartilham de um isolamento social, levando em conta que através do consumo os mesmos continuam ingressos na sociedade japonesa, onde muitos são considerados heavy expenders.

Este mês, a Yano Research Institute, um dos institutos de pesquisa de mercado mais antigos do país divulgou que 25,5% da população japonesa se consideram ou aceitam serem rotulados como “Otaku”, estamos falando em um mercado de 31.858.373 possíveis consumidores, ter seu marketing voltado para um nicho tão extenso tem suas vantagens mercadológicas.

De acordo com a mesma pesquisa, o mercado otaku acompanhou um acréscimo de 40% participação em jogos eletrônicos online e principalmente em simulações de namoro e eroges (games eróticos), outro mercado que demonstrou crescimento foi o relacionado ao “idorus”, o consumo de bens relacionados a grupos como o AKB48. Esse “comportamento obsessivo” dos otakus ganhou fama devido à falta de limites que existe em alguns, com atitudes que beiram a psicose, tais indivíduos são geralmente conhecidos como “kimoi-ota”.

Fã gastou aprox. cerca de U$110.000,00 em singles do AKB48

Existe uma série de motivos para que alguém possa vir a ser considerado “Kimoi-ota”, claro o engajamento em um ou mais hobbies é o ponta pé inicial, mas como tudo nessa vida, existem manifestações saudáveis ou não para um hobbie, no Japão existem agravantes, principalmente entre as parcelas mais jovens da população adulta, como a dificuldade de relacionamentos e até mesmo em estabelecer uma família torna o japonês médio propenso ao gasto de dinheiro com outras objetividades, ou até mesmo as pressões familiares e profissionais têm desenvolvido pessoas consideradas “Hikikomori”, dotadas de extrema agorafobia, que não saem de casa e são considerados um caso de saúde pública pelo governo nipônico.

Com lojas de eletrônicos, colecionáveis, plastimodelismo e outros serviços e negócios voltado aos fãs e colecionadores, Akihabara é considerada a "Meca dos Otakus" há mais de 20 anos

Os casos mais famosos de “kimoi-ota” costumam acontecer com “Seiyuu”, principalmente do sexo feminino, um(a) Seiyuu é um ator de voz, uma profissão muito similar ao dublador, mas com a repercussão de animações e jogos no mercado japonês, um Seiyuu costuma ter maior projeção, principalmente no show-biz. Em diversos casos, são relatados episódios de “stalking”, ou seja, perseguição de ídolos em espaços públicos e até mesmo invasão de privacidade, não é incomum que muitos postem seus rompantes de fúria em fóruns anônimos, com fotos ou produtos relacionados degradado graças a um detalhe da vida pessoal da Seiyuu.

Podemos alegar que o AKB48 flerta de forma muito próxima com essa “categoria de fã” , e essa última ação do grupo é exemplo deste interesse, mas quem podemos culpar? Uma sociedade que em muitos casos temos dificuldade em compreender? Os fãs psicologicamente imaturos? Os rapazes e garotas “criados em cativeiro”? Acredito que a resposta seja mais simples, apenas os produtores.

Demorei um tempo para entender porque essa ação do AKB48 me incomodou, justo eu que não ligo e até esnobo de coisas consideradas doentias ou obscenas pelo senso comum, mas o que me irritou foi a leviandade com que essa “desumanização” das integrantes é levada e a própria foto promocional, desprovida de qualquer “tato” sobre a noção de gravidez e a condição feminina.

Essa primeira década do século XXI fechou com o surgimento de uma mentalidade mais tolerante e proativa em relação ao “fanboy” e sua contra-parte oriental, o otaku, e com isso, é preciso pensar em formas de transformar nossos hobbies em coisas saudáveis e construtivas, se estamos falando sobre ídolos, é preciso seguir um pensamento de orientação similar, afinal, nada mais contraditório que fomentar um mercado que “desumaniza” cada vez mais o fator humano.

Insectron, a nova coleção da revista Recreio!

Em tempos em que se fala muito sobre como as crianças deixam de ser crianças muito cedo, vemos muitas vezes só as coisas ruins e esquecemos de ótimos produtos que estão aí para divertir de maneira tão legal que a molecada nem percebe que também está aprendendo. E a revista Recreio cumpre muito bem esse papel.

Nos meus tempos de criança, existia a saudosa “Alegria & Cia”, revista que vinha com histórias, jogos, receitas e diversas atividades tipo “recorte e cole”. Ficava horas brincando com essas revistas e toda vez que acho alguma, compro e guardo com muito cuidado e carinho para que meus filhos (quando vierem) possam se divertir o tanto quanto eu me divertia.

Claro que hoje em dia temos muito mais recursos para entreter a molecada e a Recreio acaba sendo não só uma revista, mas uma plataforma integrando revista, site, vídeos no Youtube e sempre com brindes muito legais pra molecada. E foi passando na banca que a coleção Insectron me chamou a atenção, com seu visual claramente inspirado em Tron e uma história misturando insetos e corridas.

Basicamente a trama toda gira em torno do biólogo-inventor Cloromiro, que vive na cidade futurista de Velocity. Ela é constantemente atacada por mosntros e para combatê-los ele desenvolveu os Insectrons, seres alterados através de genética e robótica. Ajudado por seus filhos Dario e Selene, o cientista tenta melhorar suas invenções ao mesmo tempo em que combate os monstros comandados por Hera Sinistra, um Insectron que se voltou para o mal!

Além dos bonequinhos, revista e do site, tem diversos vídeos no Youtube com curiosidades sobres insetos. Achei um sobre meu inseto favorito: a barata!

E também tem um concurso cultural com um gerador de tiras!! Fiz uma pra testar, hehehehehe…

Agora serei obrigado a passar toda quinta-feira na banca e ver onde vou guardar mais esse tanto de brinquedo.

Daytripper e os momentos preciosos de nossas vidas

 

Daytripper é uma daquelas resenhas por onde você não sabe começar, cada página apresenta ao leitor uma nova questão, uma nova beleza, um pensamento que ao mesmo tempo é nostálgico, melancólico e inquietante.

Para quem ainda não sabe, Daytripper é uma história em quadrinhos escrita e desenhada pela dupla brasileira Gabriel Bá e Fábio Moon e lançada pelo selo Vertigo, o braço da DC Comics responsável por histórias mais adultas e autorais.

O que me chamou a atenção foi toda repercussão que a série causou na mídia especializada, ganhando prêmios de peso lá fora, como o Eisner, Eagle e Harvey, quase todos envolvendo critérios como “melhor nova história em quadrinhos” ou “melhor série limitada”.

A premissa apresenta um roteiro simples, embora detentor de uma profundidade emocional incomum ao meio, conta diversos episódios cruciais na vida do jornalista paulistano Brás de Oliva Domingos (seu nome é uma possível referência a Brás Cubas, do clássico de Machado de Assis)

No passado, nesse mesmo blog, já critiquei diversas vezes as pretensões por volta da ideia daquilo que é considerado um “título adulto”, utilizando também em meus exemplos o selo Vertigo, porém Daytripper provou que ainda existe esperança.

Todos os capítulos compartilham a mesma fórmula de roteiro, sem uma continuidade exata, seguem diversos momentos cruciais da vida do personagem, em capítulos intitulados de acordo com a idade do mesmo e todos buscam explorar os sentimentos de Brás em relação a vida: carreira, relacionamentos, amizades, paternidade e luto são temas comuns nas tramas.

Uma dose de fatalismo é recorrente em cada capítulo, onde Brás inevitavelmente finda perante a vida, acredito que a intenção de Fábio Moon e Gabriel Bá seja demostrar o leitor a fragilidade da vida e a preciosidade de nossos momentos, empregando a noção literária de memento mori nas HQs.

Em diversos momentos da minha leitura eu me peguei ansioso para saber qual seria o desfecho de Brás em determinado episódio, acredito que embora seja um recurso de roteiro que “fisgue” o leitor, o mesmo pode causar certo nível de ansiedade e prejudicar a apreciação da obra.

Não é a toa que Daytripper é tão aclamado pela crítica, aqui não temos tramas policiais amargas ou a ficção-científica psicodélica, Brás de Oliva Domingos é um personagem universal, os problemas vivenciados na trama são comuns ao ser humano, é impossível que o leitor não se simpatize.

Em contrapartida, o ritmo lento e introspectivo da revista pode desagradar os leitores mais impacientes ou ávidos por ação, justamente aqueles mais adeptos das histórias adultas mais tradicionais, com suas tramas sombrias e dotadas de humor negro.

Se Brás é um personagem universal, o mesmo não pode ser dito da sua ambientação, Daytripper se passa no Brasil, em paisagens conhecidas como São Paulo e Rio de Janeiro, porém as mesmas são apresentadas com certo teor onírico, talvez até proposital, com o intuito de captar o público estrangeiro.

O traço de Fábio Moon tem referencias pra lá de propositais, cada cidade brasileira é apresentada como se fosse um cartão postal, São Paulo é desenhada com a intenção de lembrar a arquitetura do centro velho, a escolha das cores de Dave Stewart, em tons de sépia, apenas reforça o clima nostálgico. Outro ponto é a retratação de Salvador, todo construído em ladeiras, coqueiros, igrejas barrocas, além de praças repletas de vendedores ambulantes e mesas de bares.

Este Brasil possui um certo caráter introdutório, que sacrifica a verossimilidade da trama em prol da extrapolação daquilo que é exótico em nossa cultura aos olhos estrangeiros, em um caso óbvio, qualquer brasileiro adulto sabe quem é Iemanjá, ainda assim, uma personagem apresenta a divindade a Brás como: “Iemanjá, a deusa dos oceanos…” , além é claro da retratação de pontos turísticos, como o Corcovado e o Teatro Municipal de São Paulo porém isso é equilibrado episódios recentes como a queda do Voo TAM 3054 e o Apagão de 2009.

E como a própria HQ argumenta: “Aqui nós todos nós somos turistas”, mostrando que indiferente de ser caucasiano ou afrodescendente, brasileiro ou estrangeiro, católico ou umbandista, a diversidade cultural fala mais do que todos nós, e por isso, é importante salienta que essas situações não chegam a causar tanta estranheza e portanto não prejudicam a leitura, embora possam servir como referencial para um futuro amadurecimento artístico de ambos os autores.

Daytripper é uma raridade para o selo Vertigo e o ramo editorial dos quadrinhos adultos, detentora de um lirismo que não víamos no selo desde – pasme – Sandman, seu ritmo lento e até mesmo melancólico não será capaz de agradar a todos os gostos, mas ainda assim, é uma ótima leitura, recomendo para todos que buscam algo diferente, mais autoral e com uma sensibilidade que cada vez mais incomum entre as HQs ocidentais.

Adeus Steve Jobs

Que o Steve Jobs ia morrer, eu já sabia, aquela pancreatite estava acabando com a raça dele, porém falecimentos de personalidades tem aquela capacidade de colocar as coisas em perspectiva, diferente daqueles que foram embora, nós conseguimos analisar o legado deixado pra trás. Pra ser bem sincero, não ligo muito para episódios de falecimentos, mas o caso de Steve Jobs é diferente.

Meu contato com os produtos da Apple foi algo tardio, cheguei a ter um iPod Shuffle, mas na época considerei a interface do iTunes complicada e pesada demais e acabei voltando pro meu mp3 player xing-ling.

Só fui aderir realmente a um produto deles por insistência do meu pai, que já tinha uma experiência de anos com o seu iPhone 3GS e me sugeriu um no meu aniversário de vinte anos, mesmo assim, demorei um bocado para explorar todo o potencial do smartphone.

Gosto desse conceito “Smart” em nossa cultura 2.5 e para o desenvolvimento dela, social, tecnológico – e principalmente – mercadológico, Steve Jobs foi uma figura pivotal.

Como profissional de comunicação – e mais específico, marketing – posso dizer que o nome “Steve Jobs” era uma marca muito mais forte que a própria Apple, o emprego de seu nome era constantemente acompanhado de expectativas como inovação, usabilidade, surpresa e satisfação atendida.

Onde muitos CEOs preferiam se esconder através de assessores de imprensa e notas oficiais, Jobs foi além, na vanguarda da empresa, mesmo enfermiço, apresentava-se em público, gerando hype e especulação na indústria tecnológica, interagindo com jornalistas, blogueiros e outros formadores de opinião.

Seu flerte com o conceito mobile foi o grande breakthrough em nossa sociedade, convergindo noções e centralizando em um único aparelho, embora ainda inacessível para boa parte da população, os smartphones estão ai, imprevistos até mesmo na ficção-cientifica.

Olhando metade da década passada, não consigo imaginar nosso mundo sem esse conceito, sem o dinamismo promovido, Steve Jobs, embora um corporativista, deixou um legado para todos nós, a capacidade de comunicação e articulação.

Onde muitos viram nos produtos de Steve Jobs e sua equipe apenas outro artigo de luxo, ele viu algo além, viu potencial.

Facebook, Twitter, serviços que são integrados as plataformas móveis da Apple foram cruciais para episódios recentes de nossa história, como a Primavera Árabe e os manifestantes em Wall Street. Hoje, ao alcance de um toque, emitimos nossa opinião e a tendência é só crescer.

Em 1984, um ano antes de sua demissão como CEO, a Apple exibiu na televisão uma propaganda apoteótica, inspirado no livro 1984 de George Orwell, uma multidão se reunia perante o discurso inflamado do Grande Irmão, apenas para ser interrompido por uma figura atlética, que arremessa um martelo contra o telão.

Levando o clima político e cultural do início dessa década, temos ai um certo valor histórico, referencial. Ali, Apple e Jobs tinham dado sua sentença, e no futuro, smartphones iriam auxiliar smartmobs. Steve Jobs não morreu, mas transcendeu o ciberespaço e agora reside em nossos bolsos e nossos browsers.

Legalização do aborto, uma questão social

Em 2010 o candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, direcionou sua campanha para a vasta maioria católica do país, em especial ao condenar e moralizar no debate da corrida eleitoral tópicos como a legalização do aborto, principalmente levando em consideração a tendência mais aberta de seu rival, Dilma Rousseff, do PT, ao assunto.

José Serra, que direcionou parte do seu discurso eleitoral para missas e cultos, protagonizado por pastores evangélicos, como Silas Malafaia, que até hoje ataca abertamente o público homossexual em outdoors espalhados pelo estado do Rio de Janeiro e padres como Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo do estado de Recife.

Para quem não se lembra, em 2009 – um ano antes da corrida eleitoral – José Sobrinho encabeçou mais um episódio que chocou o Brasil. Uma menina de nove anos de idade engravidou de gêmeos após ser estuprada pelo padrasto, de vinte e três anos de idade, por decisão médica, a menina teve sua gravidez interrompida.

Após o episódio, que resultou na prisão do padrasto, o Arcebispo, de forma deliberada, excomungou todos os envolvidos no aborto: juízes, assistentes sociais, os médicos e até mesmo a menina violentada, seu atacante, o padrasto, não recebeu esta punição.

Em comentário a imprensa, o mesmo disse:  “Eu me arrependeria se não tivesse feito isso. Seria um pecado de omissão” mesmo foi sancionado pela justiça federal, a menina em questão vivenciava uma gravidez de risco altíssimo, porem, ainda assim, não impediu a ação do Arcebispo.

Acontece que, mesmo em caráter de exceção, não vivemos um país laico, possuímos a maior população católica do planeta, população que figuras públicas como José Serra, José Sobrinho e Silas Malafaia direcionam o discurso.

Gostaria de deixar claro que não estou generalizando católicos e outros grupos de fé cristã, e sim, reconheço a presença de pessoas esclarecidas e sensatas entre estes públicos, o problema não se encontra no debate moral e religioso, mas sim em nível cívico, político e educacional.

O aborto, em sua condição criminalizada, tem um significado implícito, pois coloca a mulher em situação marginal, sendo que ela é o ente passível de gravidez, porém ressarcida do direito de abortar, esta é a ótica fundamental, o aborto é uma consequência de uma política social defasada, criminalizar a consequência é não assumir a negligência que vem sido exercida na saúde pública, levantamos a questão: quem controla o corpo da mulher? O estado? a religião? ou ela mesma?

Dizem que o aborto é assassino, desrespeito a vida ou imoral, mas ainda mais criminoso é o estado marginalizar sua população feminina, principalmente das camadas econômicas mais inferiores de nossa sociedade como potenciais homicidas, mesmo com essa transferência de culpa, muitas ainda recorrem a métodos abortivos, até mesmo caseiros.

Exista quem defenda que o aborto desnecessário perante a enorme variedade de métodos contraceptivos existentes no mercado, como profissional de comunicação, eu considero esse argumento algo contestável, disponibilidade não significa acesso, acesso não significa necessariamente comunicação, e comunicação não é sinônimo de instrução.

Indiferente de ser na rede pública ou privada, ainda é difícil – justamente pela natureza religiosa e machista de nossa cultura – ministrar aulas de educação sexual em nosso sistema de ensino, dependendo de estado, instituição e grupo demográfico, ideias como camisinha e pílula anticoncepcional são consideradas tabus.

Que existe informação de sobra não há uma parcela de dúvidas, mas é preciso alocar esforços, articular ler, tornar a conscientização sobre o sexo seguro de forma ainda mais didática, como falar que existe informação em demasiado em um país onde os índices de analfabetismo funcional extrapolam ano após ano?

Os mais alarmistas costumam mencionar “será um massacre” caso o aborto seja legalizado, existe uma má interpretação – capciosa, assim julgo – em volta do termo “legalizar”, não é o mesmo que “permitir”, em tese, o aborto já acontece, e pasmem, o massacre já ocorre, e há quem lucre com isso.

Embora ilegal, nada impede – até mesmo o policiamento – de centenas de clínicas clandestinas se proliferarem em grandes centros urbanos como o município de São Paulo, cobrando até R$5.000,00 por um procedimento que implica em uma série de riscos para a saúde da mulher. Em mais um episódio, pessoas de poder aquisitivo que se consideram acima da lei, podem – e estão dispostas – a pagar por um procedimento que para tantos outros, de condição econômica e social visivelmente inferior, lhes é negado.

Uma das consequências pela busca de clínicas clandestinas é a enorme quantidade de infecções, hemorragias e – infelizmente – óbitos que implicam em custos adicionais ao orçamento da saúde pública e no bolso do contribuinte.

Acontece que legalizar seria uma maneira de impedir o massacre.

Consultando o pai dos burros, podemos definir que “legalizar” é “Tornar legal; dar força de lei a (um ato, ou disposição). Revestir das formalidades exigidas por lei. Autenticar.” Legalizar, sob os olhos de quem escreve esse post, é admitir que o estado e a população possuem maturidade para discutir uma pauta.

Legalizar vai além de tornar uma prática permissa, mas sim estipular E revisar quais leis, condições e eventos determinada prática são aplicáveis, foi comprovado em que países onde o aborto foi legalizado, os índices da prática declinaram ao longo do ano, justamente por causa de campanhas envolvendo conscientização de práticas anticoncepcionais.

Vivemos em um país onde 10% da população infantil é indesejada, crimes contra a criança, são decorrentes ou consequência da situação legal do aborto – prostituição infantil sendo uma delas – é preciso tomar iniciativa para reverter este quadro, e uma nova geração de cidadãos – e principalmente, mulheres – parece estar motivada para discutir e reverter nossa arcaica política.

Para finalizar, vale a pena uma reflexão, onde muito se discute o casamento e a formação de famílias encabeçadas por homossexuais, a adoção de crianças abandonados por casais do mesmo sexo não seria uma alternativa saudável e mutuamente beneficente para todas as partes envolvidas?

O Fim da Zona de Conforto e a Orkutização do Nazismo

(Ou Porque eu Defendo as Vaias em Shows)

Mulheres denunciam maus tratos por homens de maneira organizada? Feminazis! Homossexuais se organizam para reivindicar igualdade de direitos? Gayzistas! Fica incomodado porque as o escrevem errado na Internet? É um Gramar Nazi! Não gosta de axé e vaiou a apresentação da Cláudia Leitte no Rock In Rio ou criticou o show no Twitter? Você pode estar sendo nazista!
É isso mesmo. Eis a exata frase de cantora Cláudia Leitte em seu blog: “Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Googlesobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…”. Tudo isso porque ela deve ser irritado muito com os comentários negativos de várias pessoas em relação à sua apresentação, por mais que ela não queira admitir.

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Lançamento do livro “Vagabundo sem nome”!

Dando mais uma amostra de vasta influência cultural deste blog e do profundo esforço intelectual dos autores do mesmo, o nosso querido Agostinho Rodrigues Torres (vulgo Agrt) lançou no última dia 16 (estamos no mês de setembro do ano de 2011, caso esteja acessando este blog após o fim do mundo em 2012) o seu romance “Vagabundo sem nome” e posto abaixo dois vídeos dele comentando sobre o que fala sua obra e do processo para escrevê-la.

Parte 1

Parte 2

Parabéns e ficamos na espera de quando vai vender pro país todo, né?

PS: Agradecimentos especiais ao Vinícius pela filmagem!!

PROMOÇÃO TIGER ROBOCOP / NERDEVILS!

Tiger Uppercut!” Quem ai nunca escutou isso? Em um dos milhares de fliperamas que inundaram botecos, clubes e shopping centers da década de noventa?  Em uma época onde a galera se reunia para jogar e curtir a última versão de Street Fighter II, ao som de Spice Girls, Guns n’ Roses e filmes como Exterminador do Futuro 2.

Se o jogo foi sensação, a gente pode dizer o mesmo sobre o impacto no vocabulário da galera, “aportuguesado” e traduzidos, imortalizados na boca do povo, quem ai nunca escutou clássicos como “alex full”, “cuz-cuz” “macumba fire” e, é claro, o poderoso e eterno “TIGER ROBOCOP!!!”

Para relembrar o saudoso espírito da época 90, os organizadores Denis Romani (@romani83), João Pedro (@joadopedroramos) e Pedro Henrique (@metamurphy) criaram a Tiger Robocop, um verdadeiro uppercut de diversão e anos noventa nas noites paulistanas.

E pra comemorar o Troféu HQ Mix e os 4 anos do programa Banca de Quadrinhos, a organização da Tiger Robocop junto com o Nerdevils perguntam: “quem e porque merece tomar um Tiger Robocop?” e vale tudo hein? Personagem, político, artista, celebridade e até mesmo blogueiro!

Para participar da campanha, basta deixar na sessão de comentários sua frase, junto com seu nome completo, endereço de email e – caso tenha twitter – sua @. A Melhor resposta receberá um VIP + Acompanhante para a próxima edição do evento, dia 16/09, no Lumi’s Club!

Então é isso ai, caprichem para participar NA FAIXA de uma das melhores festas de São Paulo! A melhor resposta será divulgada sexta-feira (16/09) às 17:00 hs no Twitter do evento (@TigerRobocop90) e na página oficinal no Facebook, além de aqui, no blog e em nosso Twitter (@nerdevils)

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