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E fim de papo!

Certas coisas são marcantes em nossas vidas por lembramos de cada detalhe delas: aquele fora da menina por quem você era apaixonado na quinta série; o melhor cachorro-quente que você comeu na sua vida no Playcenter após ter passado fome por ter esquecido dinheiro em casa; três playboys te chutando no meio da rua após ter dado uma resposta inteligente a uma zoeira deles… Creio que já me fiz entender. Mas também existem eventos que são inesquecíveis justamente por não termos a mínima ideia de como eles aconteceram! E o NerDevils é um deles.

Quando perguntam para nós como surgiu o blog, a “versão oficial” é de que os nove membros iniciais do blog se conheceram em uma das campanhas “#PublicaINVISIBLES” no Twitter, viram que tinham gostos em comum e resolveram montar um blog coletivo. Isso é parte de verdade. A única coisa que sabíamos uns sobre os outros ao resolver abraçar a ideia era a de éramos nerds e estávamos a fim de escrever sem QUALQUER TIPO DE AMARRA. O resto foi pura sincronicidade. Não tenho a menor ideia de como os nove membros iniciais do blog vieram parar na minha timeline. E, caso pergunte a eles onde se conheceram a resposta não será muito diferente desta.

E assim, de impulso mesmo, foi decidido um nome, feito um logotipo, criadas contas para todos e saímos postando. Falamos de comportamento, música, HQ, política, mangá, anime. Postamos crônicas, tirinhas e diarréias mentais. E fomos percebendo que havia um fio condutor que nos ligava. Anarquia. Ocultismo. Caos. Detalhes destes três itens podem ser encontrados em praticamente todos os textos. E claro que isso nos impulsionou para escrever mais e mais. Todos os que estavam no blog tinham outros projetos mais “sérios” ou “comerciais”, mas o NerDevils era um espaço em que podíamos fazer o que bem entendíamos.

O blog nunca foi um campeão de visualizações, mas tinha um público fiel. Produziu ótimos textos, foi objeto de estudo, fez parcerias com editoras e até baladas. Mais do que isso, gerou profundas mudanças na vida de muitos envolvidos nele. Alguns que estavam aqui começaram a escrever em blogs maiores, outros arrumaram trabalho devido a contatos feitos por aqui (seja fixo ou free-lancer). Um pouco do NerDevils está em todos estes lugares.

Com tudo isso, percebemos que este espaço virtual cumpriu seu papel, que foi ser o “start” para um monte de outros projetos dos envolvidos aqui. E, tendo já feito o que tinha que fazer, nada mais justo do que dar um fim digno a ele. Não queríamos deixar o blog abandonado, achando que ele vai voltar à ativa um dia. Aqui, 1 ano e 8 meses depois, com 202 posts e 889 comentários, os colaboradores do NerDevils fecham as portas para alçar voos maiores que só a experiência obtida aqui pode proporcionar.

O blog permanecerá no ar para que os incautos ainda possam ler as garatujas redigidas aqui, mas textos novos do povo daqui podem ser lidos nos blogs Mobground, Contraversão e Sai Daqui!.

Fica aqui o muito obrigado à equipe formada por Roberto “Synthzoid” Maia, Filipe “Voz do Além” Siqueira, Agostinho “Agrt” Torres, Amanda Armelim, Rafael Dadalto, Aline Cavalcante, Danieli Dagnoni e também aos colaboradores Alan “Gafanhoto” Lima, Dan Erik, Eder Alex e Raphael Evangelista.

Nos encontramos por aí neste vasto mundo virtual. Mais do que um fim, este é um novo começo!

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Final Fantasy VI: Kefka, niilismo e loucura na série

Há 1000 anos irrompeu uma guerra entre os Espers (entidades místicas que controlam a magia, mas não exatamente deuses) em um mundo no qual os humanos haviam chegado a um nível elevado de desenvolvimento científico e espiritual. A civilização humana tal qual era conhecida foi quase completamente destruída e após a conclusão do conflito a magia deixou de existir, se tornando a princípio sinônimo de atraso e posteriormente com o passar dos anos se tornou apenas mito! A alta-tecnologia foi novamente atingida durante o re-desenvolvimento da humanidade, o aço, tecnologia a vapor e a ciência se tornaram a base de tudo. Quem controla a tecnologia tem poder, entretanto o poder militar entre os reinos distintos se tornou equilibrado e ninguém é capaz de controlar totalmente o mundo, a não ser que alguém consiga a energia ilimitada da magia… Pois é justamente por isso que o Imperador Gestahl prega a violência no mundo todo em uma descarada demagogia, usando como desculpa para tudo que faz uma revolução do renascimento da magia numa fusão com a tecnologia! Grupos de resistências espalhados por todo o mundo tentam impedir o plano do imperador, mas a única forma efetiva disso acontecer é não deixar com que ele e seu exército liderado pelo cruel Kefka Pallazo tomem para si o controle de toda a magia dos antigos Espers.

Esse é o plot central de Final Fantasy VI, uma mistura de fantasia medieval com steampunk (navios voadores a vapor, ópera em cidade distopica abandonada, arcos-flechas e espadas são tão eficientes em combate como pistolas, enfim, tem todo um clima de Inglaterra pré-vitoriana misturado com tecnologia), no qual um imperador a lá Hitler prega aos seus súditos uma “revolução total” para beneficio de todos, buscando na verdade nada mais do que concentração de poder em si mesmo. Esse é o primeiro jogo da série que saiu de um mundo completamente pautado em fantasia medieval, partindo para uma abordagem mais futurista e tratando de temáticas complexas como modificação de DNA, suicídio, gravidez, justificativas para genocídios, loucura e etc, fugindo da velha saga dos “heróis prometidos” que salvariam os cristais que mantém o equilíbrio do planeta das forças do mal, típico dos jogos anteriores. Lançado no Japão em 1994 foi um dos jogos do SNES que teve mais cópias vendidas, sendo lembrado até hoje em remakes para GBA, psx e outras plataformas. FF VI é responsável por uma abertura para a complexificação dos jogos, dentro dele temos drama, humor, musicais (SIM, mesmo que um jogo de SNES tem um musical), mundos alternativos, dezenas de missões secundárias relativas a histórias individuais dos 14 personagens jogáveis e etc.

O enredo prossegue e começamos a jogar após o Império capturar uma garota (cujo nome é Terra) que consegue usar magia e o imperador Gesthal (que espera ter o mundo em suas mãos) fazer com que ela o obedeça através de uma tecnologia de controle de mentes. Ao entrar em contato com os restos de um Esper congelado, Terra consegue se libertar do transe e com auxilio do gatuno Locke foge dos soldados imperiais que a “protegiam”, começando-se assim uma verdadeira caçada por parte dos servos de Gesthal que se mantém sempre em seu encalço. Após passar pelo reino de Fígaro, junto com os irmãos reais Sabin e Edgar, Terra e Locke se unem aos Returners, grupo de oposição ao império. Lhes é dado a missão de encontrar os restos de Espers espalhados pelo mundo antes que Gestahl e seu exército se tornem imbatíveis. Só que para além dos fracos inimigos resistindo a ditadura do império, havia uma coisa bem mais poderosa que o imperador não esperava em seu caminho e que se mostraria muito mais terrível para os Returners do que o próprio império. Refiro-me a Kefka Pallazo.

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Dentre todos os Final Fantasys, do nintendinho até o último do PS2, considero Kefka o mais sádico, megalomaníaco, cômico, grotesco e repulsivo vilão já criado. Insanidade com bom humor é o que o define. Além de sua clássica risada psicótica sonorizada no jogo (um grotesco HUHUHUHUHUHUHU (?)).  Ele é uma mistura de humor negro e destruição em massa num personagem só. Ao mesmo tempo em que te faz rir te deixa perplexo, Kefka é um personagem com uma ambivalência que lhe caracteriza do inicio ao fim da trama, em alguns momentos tomando surra e em outros esbagaçando tudo que lhe aparece na frente. De certa perspectiva é muito parecido com o Joker do Batman, que talvez seja uma de suas referências ocidentais mais próximas, embora muito mais poderoso, porque Kefka chega a se tornar DEUS dentro do universo do jogo.

Os restos mortais dos Espers que os Returners e o Império buscam são como cristais (conhecidos no jogo como Magicite) que permitem ao humano comum usar magia. Kefka é completamente orfão, cresceu num orfanato comum, após entrar na Acadêmica Imperial se tornou parte de um experimento do Império que tentou fundir Magicite com o organismo humano, ele foi o único voluntário que se propôs ao teste. Passou assim a controlar magia sem uso de Magicites, se tornando equiparável aos próprios Espers. Depois disso passou de simples soldado a líder do exército de Gesthal, após intensos combates que o levaram ao limite da sanidade foi nomeado primeiro ministro do império, cargo hierárquico inferior apenas ao próprio imperador.

Com seu incomensurável poder mágico, Kefka passa a sentir prazer em ver desespero e sofrimento estampado na face de outro humano, ele se auto-transforma em uma máquina de matar diante da impossibilidade eminente de ser vencido. Leva o sadismo ao nível máximo ao envenenar as águas que banham um reino apenas para ouvir “a sinfonia em uníssono de vozes gritando à morte”. Como nunca recebeu atenção ou consideração de ninguém, Kefka antes de se tornar o trunfo militar do Império era apenas um jovem niilista desiludido com o mundo, alguém que nunca havia recebido carinho ou amor, que nunca entendeu o que era “felicidade”, para além disso, não entendia o sentido de viver se toda matéria que existe vai se extinguir no fim. Então quando obtém esse poder de destruição, Kefka chegou ao mais próximo do que descreviam como felicidade quando destruía a vida dos outros, quando acabava com o bem mais precioso que as pessoas tinham. Kefka encontrou prazer justamente na destruição da felicidade, do amor e da vida, que passaram a ser consideradas por ele como fraqueza.

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Sua insanidade foi tanta que acabou sendo destituído do cargo de primeiro ministro, embora tenha continuado no comando do exército. Kefka continua na função de general do exército porque numa guerra o objetivo é apenas destruir completamente o inimigo, coisa que ele faz com maestria e eficiência. A busca de Gesthal pelo poder não o fez ver que Kefka tinha suas próprias ambições que iam muito além de dominar o mundo… ele queria extinguir completamente todas as formas de vida, queria acabar com a existência em si! Mas antes disso queria ver os sentimentos humanos se traírem, a destruição do mundo viria por partes, primeiro acabaria com a esperança que a humanidade nutre por um futuro melhor. A esperança, o amor, a ordem, a bondade, nada disso entra na cabeça alucinada de Kefka. Nada mais o faz entrar em uma frenesi de ira do que ver alguém simplesmente ajudar o outro…

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Kefka trai o imperador Gestahl quando encontram numa ilha flutuante as três estátuas dos deuses que tornam possível a existência da magia, deuses esses que criaram os Espers. Os nomes delas são Kishin, Majin e Megami. Gestahl quase sentiu o controle do mundo em suas mãos, mas Kefka o derrubou da ilha flutuante na primeira oportunidade que teve e rompeu o equilíbrio das estatuas as mudando de posição. Com o equilíbrio rompido mágica em estado bruto foi liberada e Kefka acabou reunindo em seu corpo o poder das três estatuas divinas! Assim Kefka ganhou status divino, tendo o poder para modelar o mundo da forma que quer! Ele se tornou a própria fonte da magia. A partir daí o jogo entra numa segunda fase, em que predomina um mundo completamente arrasado pelos poderes de Kefka, que está lentamente destruindo o planeta com seus “raios da morte”.

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Kefka é o caos em pessoa. É o alerquim que odeia amargamente o único fato de que as coisas simplesmente possam existir. É loucura em estado bruto. É um dos poucos vilões que atingiu o seu objetivo mais aterrorizante, causar o caos universal através do terror. Tudo isso acompanhado de uma ironia ácida. Uma de suas últimas frases durante o jogo resume toda sua perspectiva extermínio: “O fim chega… através do caos.”

Pra mim cada aparição do Kefka dava uma sensação de bem-estar, não que os outros personagens sejam ruins, pelo contrário, o jogo é cheio de personagens misteriosos que tem suas histórias contadas de forma interessante durante a narrativa (inclusive você faz muitas escolhas que vão fazer com que o jogo tenha um encaminhamento diferenciado, fazendo você tentar terminá-lo tantas vezes quanto lhe for possível), é que realmente fiquei impressionado com Kefka, que roubou toda minha atenção no jogo. Kefka é simplesmente o maior vilão dos games, e pronto.

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Estou na minha zona de conforto estética, e você?

Finalmente resolvi testar aqui no Nerdevils um método de escrita que eu vinha pesquisando. Sim. É só um experimento de acordo com técnicas jornalísticas que venho lendo nos jornais experimentais dos anos 70-80-90. Talvez a maioria nem note o que mudou. Mas não importa. Seguindo em frente, sempre em frente. Caos, Kaos, Caô pseudo-esquerdista-existencial-desintegrante.

No decorrer dos últimos anos um termo caiu no gosto das discussões, inclusive algumas aqui do Nerdevils. Algo que como o bullying se tornou bode-expiatório de vários textos. Falo da “zona de conforto”.

Aclama-se muito entre textos magníficos e horrendos que circulam pela webz para que se saia da zona de conforto. Pede-se que as pessoas saiam da sua zona de conforto social, olhando para as minorias étnicas e classes necessitadas; zona de conforto psicológica, compreendendo os fenômenos que geralmente escapam aquilo que lhes é ensinado como normal e etc. etc. Mas quando se fala de estética… não vejo ninguém sair de sua zona de conforto.

Estamos todos ligados à industria cultural de alguma forma, em vários níveis distintos. Além disso, a guerra na estética é tão intensa que o inovador de hoje é o retrogrado que vai defender seu estilo da próxima novidade que surgirá em alguns meses. Mas… “se a vanguarda de hoje é a retarguada de amanhã, o que será feita da retarguada de hoje?”. Complicado. Se os tropicalistas que estão vivos até hoje usam de seu “prestígio” para sutilmente arrancar privilégios, o que aconteceu com os bossa-novistas? Bem, eles se aliaram, a retarguada cultural sempre se alia em auto-benefício. Ambos são nosso “passado” cultural, por isso se consideram como velhos que precisam de nossa proteção. Tsc.

Existem obras que eram experimentais a 40 anos atrás e o são até hoje. Nada lhe tirará mais de sua zona de conforto estético do que o som da década de 70 feito por Jards Macalé, o primeiro contato é bizarro. Em questão de filme no Brasil temos “Terra em transe” ou “Câncer” de Glauber Rocha, que simplesmente não faz sentido dentro da lógica linear do cinema contemporâneo (e mesmo dos anos 60-70, com a diferença de que hoje a linearidade é disfarçada com técnicas narrativas que fingem sair desse esquema começo + meio + fim). Na literatura, se Jack Kerouac e Allen Ginsberg foram fodões, se Gibson foi extremamente interessante, Jorge Mautner com “Deuses da chuva e da morte” é genialmente destruidor da linguagem, literatura serve para comunicação de algo a alguém? Não pra ele, literatura é um ritual quase xamânico de auto-expressão, é uma doidera do caralho muito interessante, que faz o leitor tradicional de “clássicos” ficar totalmente perdido. Em alguns momentos dá pra se afirmar que Mautner nem usa narrativa alguma, escreve sobre nada em longas páginas.

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Livro de Jorge Mautner

Nada foi mais estranho nas décadas de 60-70 na arte do que os experimentos-ambientes de Hélio Oiticica! Aliás, é uma tristeza constatar em lá pra 2007 mais da metade das suas obras conservadas foram perdidas num incendio, no geral valia algo em torno de 200 milhões de reais. Esses caras são anti-arte, um nível elevado de saída da zona de conforto estética, em geral até o fim (ou até hoje) lutaram (lutam) pra que não se satisfizessem em fazer a mesmíssima coisa de sempre, como os traidores tropicalistas.

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Um exemplo de experimento-ambiente de Hélio Oiticica

Alguns ídolos pops, que estão em sua zona de conforto em sua principal área de atuação, fazem um fantástico trabalho de estranhamento em outras. Como Tim Burtom e seus desenhos bizarros acompanhados de poemas insólitos. Apesar de todo seu cinema ter se tornado enfadonhamente previsível.

Aqui no Nerdevils praticamos uma certa ode a indústria cultural. Claro que com certo criticismo e seleção, o que nos faz algo mais próximo de uma contracultura do que de uma babaquice pura. Basta ler e conferir. Mas eu particularmente me sinto um pouco deslocado. No cinema de hoje, nada lhe tira mais da zona de conforto hollywoodiano ou europeu do que filme trash, ou com uma narrativa VERDADEIRAMENTE fragmentada. Como Mr. Nobody que lhe joga num turbilhão de vai e vem com o fim do filme sendo uma rebobinação de tudo o que aconteceu num jogo estético magnífico. Tarantino renovou com ajuda de outros caras o esquemão de filmagem de Hollywood, mas assim como Burton, se apóia a mais de 15 anos basicamente nos mesmos esquemas. Tanto que de cara quando você vê um filme saca que é do Tarantino, assim como quando você vê uma animação meio emo já diz que é do Burton, é difícil não ser.

Sair da zona de conforto e se viciar no ar fora dela é voltar a mesmíssima zona de conforto. A auto-defesa de quem não quer sair de sua zona de conforto é dizer que o artefato cultural estranho ou é uma merda ou é “cult” e “pretensioso”. Tropicalismo é cult. Isso soa pejorativo. É auto-defesa burra e insustentável. Sim, o cara fez pra ser cult, isso o torna uma merda automaticamente? A arte mais próxima de uma idéia de arte-arte, tem que ser um experimento e não só uma prática. Algo meio romantismo do século XIX, a arte tem que ser pretensiosa, as vezes separada da massa e incomunicável, tanto faz. O artista é o dono da sua obra no momento da criação. Depois ela se torna um Deus que vai foder mentes por aí. Claro que com isso ele cria barreiras para o consumo, mas em compensação choca a estética, faz sair da zona de conforto, delira dionisiacamente. Godard era o pai do cult, com seu filho de cultização americana, o James Dean.

Uma nota: Tropa de Elite 2. Filmaço. Mas pra estragar, muita gente por aí andou dizendo que “o cinema brasileiro finalmente aprendeu a fazer bom cinema”. Como assim, PORRA? Aprendeu a ser minimamente linear? Asséptico? Holywoodiano? Tropa de Elite 2 é foda, porém os filmes brasileiros nunca foram inferior a ele, só decidiram por outras opções estéticas e narrativas, em geral mais na “linha” que evoluiu da xanxada e tal. Queria mesmo que o cinema marginal tivesse tido continuações no cinema brasileiro, mas o que sobrou do mesmo é muito pouco. Em termos de narrativa o cinema brasileiro é que precisa ensinar o mundo como ser carnavalizante e descontínuo, ser caótico como a vida normal. Nossa estética kitsch e cafona, cult, tem um amor extremamente sexualizado como se cada pessoa fosse uma invocação de Eros. São bons, sempre gostei dos filmes brasileiros, que só parecem bizarros quando partem pra ficção cientifica tecnológica, mas enquanto cinema de vida privada, sobre pessoas, famílias, vida comum mesmo, o realismo italiano e francês estão a anos luz de se aproximar. A vantagem da vinda do Tropa de Elite 2, é que incorporou coisas do cinema internacional com êxito, e isso vai estimular discussões sobre o cinema nacional e aumentar a variedade de produções fora da zona de conforto estética dionisíaca que já estava fazendo todo filme brasileiro sair com a mesma cara de putaria. Findada a nota. Fim.

Todos nossos sentidos são treinados a só consumir uma estética e suas variantes. Quando algo rompe essa baboseira, é considerado primario, idiota. Coitado do Macalé. Coitado. Um dia desses tava no programa Altas Horas cantando, todo no seu velho modo anti-estético e o publico lá com cara de imbecilizados. Em geral burro é quem não entende. Mas claro que existe gente que abusa da anti-estética pra facilitar o trabalho, por isso precisa estar atento, nem tudo que se vende como fora da zona de conforto o é. Fique sempre de olho, dê uma volta, confira e se ligue, sempre ligado, se não se fode.

Cult, Brasilidade, Tosqueira, Tropicalidade, Anti-estética, falo mais disso depois. Até mais imundos bastardos!

Fator Caos: Mitologia Escandinava

(OBS: SE VOCÊ É UM DESCENDENTE DE GERMÂNICO QUE QUER PRESERVAR A PORRA DA SUA CULTURA A TODO CUSTO E GOSTA DE SOCAR QUEM “DISTORCE” A MITOLOGIA DOS SEUS ANCESTRAIS, NÃO LEIA ESSA BOSTA – coloquei esse aviso porque durante 6 anos de webz, já tive muito conflito com neo-nazistas e descendentes de germânicos que não aceitam que alguém “impuro” toque a sua “cultura imponente”)

Como aqui no Brasil a grande maioria das nossas referências culturais – começando pela língua portuguesa – é proveniente do mundo Greco-Romano, fica parcialmente mais fácil entendermos a mitologia grega. De “Khaos”, veio a nossa grafia de Caos, e etc. No caso da mitologia que desejo discutir hoje, a escandinava, a coisa fica mais complicada. Palavras como “Ginnungagap”, “Ymir” e “Audhumla”, não querem nos dizer nada, mas os nomes em mitologias são sempre a base que sustenta toda a narrativa. Ele por si só já apresenta o personagem e sua função no cosmos. Eu mesmo, como não tenho tanta facilidade com línguas do tronco germânico não posso nem supor a etimologia dessas palavras, no entanto podemos analisar o contexto geral em que essas entidades aparecem e ponderarmos sobre sua função no universo mitológico!

A mitologia escandinava é muito confusa. Como não chegaram relatos em si, escrito pela própria civilização pré-cristã, o que temos são apanhados confusos que serviram como tentativa cristã de preservar uma tradição já quase perdida de diversas comunidades germânicas, em plena Idade Média.

Não nos é explicado exatamente como as coisas aconteceram, mas de alguma forma, existiam apenas dois territórios: o do fogo e o do gelo. Sem vida, sem nada. Apenas frio, calor, lava e neve. No meio dessas duas coisas existia o Ginnungagap, o vazio que precede tudo, algo como o CAOS grego primordial. Esse vazio é uma espécie de zona de confusão, é onde o fogo e o gelo se encontram; onde o frio se entrelaça com o calor; choque térmico; zona anárquica; confusão; nada. Desse incessante conflito entre o gelado e o quente, dessa roda cósmica de sensações térmicas sucedâneas girando entre a lava vulcânica e a neve primordial, surgiu a primeira coisa viva. O gigante chamado Ymir! A vida surgiu do Caos que ocorria na zona anárquica do Ginnungagap. Sem o silêncio, não existiria o som. Da mesma maneira, sem o nada, nada existiria. A não-existência precede a existência, assim como Ginnungagap precede Ymir.

Das partes superiores de Ymir surgiu o primeiro casal de forma humanóide, das inferiores nasceram os gigantes de gelo. Provavelmente brotada da mesma forma que Ymir, existia uma espécie de vaca chamada Audhumla, que alimentava o grande gigante primordial. Essa vaca lambendo o gelo do território frio, fez nascer outro tipo de humanóide, chamado Buri. Que teve um filho – provavelmente com a criatura feminina humanóide surgida das partes superiores de Ymir – chamado Bor e consequentemente teve três filhos: Odin, Vili e Vê.

Essas três criaturas juntas conseguiram através de um embate feroz, derrotar o gigante de gelo primordial Ymir. Do sangue derramado pela criatura primordial falecida, quase toda a raça dos gigantes de gelo se afogou, sobrevivendo apenas o gigante Bergelmir. O mundo tal como conhecemos, surgiu através da morte de Ymir! Seu sangue se transformou na água, sua carne na terra, seus ossos nas pedras e nas montanhas e da cabeça surgiu o céu (com 4 anões, um em cada canto, para mantê-lo fixo). Os anões nasceram como vermes através de uma geração espontânea na terra (que na verdade é a carne de Ymir), eram criaturas com uma proximidade tão grande com esse elemento que manipulavam de maneira magnífica qualquer mineral, se tornando desta maneira ótimos artesões! Já os seres humanos comuns, os habitantes de Midgard (nosso mundo humano), foram forjados em toras de madeira encontradas numa zona litorânea pelas três criaturas humanóides que derrotaram Ymir. Essas três entidades se auto-denominaram deuses.

Bem, daí a mitologia se desenvolve, explicando a criação dos 9 mundos habitados por criaturas diferentes: elfos, elfos escuros, gigantes de gelo, gigantes comuns, humanos, deuses, anões, trolls etc. etc. etc. Mas o que nos interessa no Fator Caos é mais a gênese das coisas. Nesse processo de criação de tudo fica evidente alguns traços que na verdade são cíclicos: do nada surge a vida primordial estabelecendo uma ordem (Ymir surgiu do Ginnungagap), que é superada por uma nova forma de vida (Ymir foi morto por Odin, Vili e Vê) e por último se estabelece uma nova ordem (os três deuses recriando o cosmos e dividindo em 9 mundos). É algo cíclico, assim como Zeus seria derrotado, segundo uma profecia, por Athena, na mitologia escandinava existe o Ragnarok.

O Ragnarok é o fim da velha ordem, a roda cósmica girando e dando espaço para uma nova forma de organização. É a instauração momentânea da anarquia, única coisa capaz de derrubar a velha ordem e recriar tudo. Os deuses são derrotados pelos seus inimigos principais, algo que estava escrito na sua orlog (algo como destino, melhor, tábua que as Nornas escrevem com aquilo que vai acontecer na vida das criaturas vivas desde que nascem, nem os deuses podem superá-la). Algumas coisas da velha ordem vão ficar… claro, mas uma novidade necessária vai emergir. Do CAOS surgirá a vida, como sempre acontece.

O deus Loki tem uma semelhança arquetípica imensa com Judas. Claro que o sentido é um tanto diferente, são até ramificações culturais diferentes entre hebraicos e gemânicos (ou é tudo indo-europeu? Sei lá, não lembro), Loki não tem nada de “diabólico”, exatamente como a igreja do período medieval gostava de pintar. Porém, Loki é o mal necessário, ou melhor, o mal não maniqueísta, do conflito (que é harmonia) entre o bem e o mal surge a vida! A mudança! Da contradição, do choque entre o ruim e o bom, dois lados, duas facções, mas não necessariamente oposições radicais! Uma harmonia de dissonância! Loki é o líder do exército de criaturas que vai enfrentar os deuses do panteão de Odin, ele vai convocar cada uma das criaturas que estão fadadas a derrotar os deuses. Ele é essencial para que o destino fixado além dos deuses se realize… algo como Judas, não? Acho Loki o mais dócil dos deuses escandinavo, mais próximo da zombataria do que da perversidade. Infantilidade e maldade. Pureza e malicia. Loki e Judas.

Nesse conflito caótico, as duas forças vão se anular, se destruir, emergindo um novo mundo das cinzas desse cosmos destruído. Caos é uma harmonia sensivelmente diferente, é uma ordem que está fora da razão, e que é mutável, por tanto, ordem desordenada. O Caos, meus amigos, está em TUDO. Basta apurar o olhar, que você encontra.

(PRÓXIMO EPISÓDIO: NÃO SEI AINDA QUE PORRA DE MITOLOGIA, ALGUMA COISA HINDU TALVEZ)

Fator Caos: Mitologia Grega

[Esse é o primeiro texto de uma sequência que chamarei de “Fator Caos: Na Mitologia X”, onde analisarei a função do Caos em algumas mitologias]

Em alguns períodos na vida de qualquer ser humano, tudo parece sem sentido. As pessoas na rua, a posição aleatória das árvores, prédios, pedras jogadas no chão, rios, o sistema planetário, a distancia entre as cidades, a forma absurda que as gotas de chuva caem, enfim, tudo parece arbitrário, sem organização, jogado de qualquer forma… as nossas próprias vidas ficam resumidas a uma série de acidentes temporais/espaciais, em que um fator aleatório de acontecimentos nos leva até onde chegamos. Simples e puramente acidentes, que não tem significado especial, que não são nada. Algumas pessoas atravessam esse período se apegando a filosofias, religiões e/ou ciência, já outras permanecem céticos até o fim, sendo os verdadeiros “ateus” existenciais.

Esse fator aleatório que aparentemente não tem qualquer sentido é o que chamo de fator Caos (geralmente uso o epíteto Kaos do Jorge Mautner, dessa vez deixarei normal). A palavra “sentido” no Dicionário Aurélio Online significa: S.m. Faculdade de receber impressões externas por meio de órgãos sensoriais: o sentido da visão. / Faculdade de sentir ou perceber: o sentido divinatório. O Caos certamente está relacionado com os órgãos sensoriais, tudo no ser humanos está, no entanto não se limita a isso – os órgãos sensoriais têm a ver com o mundo material, limitado – e nem a uma percepção de estático, parado, o Caos é mais condizente com uma palavra similar: extático – imprevisível, metafísico e transcendente. É uma “ordem” que não é hierárquica nem racional, por isso não cabe na palavra “ordem”, nem na palavra “sentido” porque nos leva a algum lugar, mas não a um lugar definido e certo – um paraíso, ou redenção final das almas-, apenas nos leva sempre a algum lugar dinâmico qualquer. O Caos é o princípio da vida.

Somos um acidente químico, mesmo se formos uma criação divina esse fato não deixa de ser aleatório. Porque nós? Porque não outro tipo de espécie? Outro tipo de evolução? Porque Deus não criou outras criaturas ao avesso da humana? Porque fomos dotados dos nossos dotes racionais? Porque aquela molécula de hidrogênio se fundiu com outra criando a vida? Perguntas irrespondíveis mesmos em termos científicos. Aliás, perguntas que se respondidas primariamente pela nossa mais sostificada ciência apenas vai abrir mais uma série perguntas, estas cada vez menos passíveis de respostas. A ciência pode repetir o processo de criação da vida, mas não entende porque ele ocorre daquela forma e não de outra, simplesmente acontece e isso basta. Pode se entender o mecanismo de funcionamento de algo – ou como se formou no tempo/espaço-, no entanto ainda fica um ar de “acidente” biológico. Os cientistas mais equilibrados nem mesmo tentam responder tais perguntas, eles estão mais preocupados com transformar aqueles dados em privilégios práticos/dominação das aparentes dificuldades presentes.

Na sociedade contemporânea o sentido iluminador e transcendente do Caos foi esquecido, provavelmente pelo desenvolvimento científico que colocou a metafísica em oposição direta ao materialismo! O Caos se tornou uma espécie de niilismo radical, sem propósito em si, apenas uma busca do nada. Existem alguns grupos mágico/existenciais que tentam retomar o caminho do Caos, entretanto esse caminho deve ser traçado sozinho e não por bulas, claro que indicações são imprescindíveis, apenas indicações e não receitas de como se chegar a alguma lugar! Até porque não há lugar a se chegar…

O Caos não pode e nem deve ser considerado como uma percepção moderna do mundo tal como o Ateísmo – que só se tornou vigoroso pelo mesmo motivo que levou a derrocada metafísica do Caos. Os gregos, escandinavos, budistas entre tantos outros povos de vários tempos falam dele!

No começo da Teogonia, texto em que Hesíodo descreve toda a genealogia dos deuses gregos, o poeta canta:

“Sim, bem primeiro nasceu Caos, depois também

Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre,

dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,

e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias,

e Eros: o mais belo entre Deuses imortais,

solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos

ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.”

No começo era o Caos, o vazio primordial! Dele surgiram todos os outros deuses. Nessa versão do poema isso não fica claro, no entanto Gaia (Terra) e Tártaro (escuridão primordial) surgiram por uma espécie de mitose do Caos. Digamos que o Caos era contraditório e baseado num principio de não-existência que existe, então dessa fissura surgiu Gaia e Tártaro (lembrando que Caos é algo como: cisão, divisão, corte, rachadura, separação). Quanto a Eros, na versão de Hesíodo nasce com os deuses primordiais, porém existem versões no qual Eros é filho de Afrodite com Zeus ou Hermes ou Ares. O papel de Eros parece ser uma versão sexualizada da criação, já que Caos não possui sexualidade. Se discute muito hoje se Gaia, Tártaro e Eros seriam na verdade “irmãos” e não “filhos” do Caos. Particularmente considero isso uma discussão errônea, Gaia, Tártaro e Eros não são filhos nem irmãos do Caos e sim uma força propulsora no cosmos que partiram do Caos e seguiram suas próprias direções! Já numa segunda fase, do Caos surgem como “filhos” Nyx (Escuridão dos Céus) e Érebus (Escuridão das Profundezas) que também surgiram por mitose, daí pra frente Caos passa a ser pouco mencionado. Sua função primordial parece ser dividir, fissurar, rachar e negar a existência para criar elementos do cosmos. Tudo surge do Caos (mesmo que ele seja a não existência), e ele passa a agir pouco em sua desajeitada criação (não consciente).

Um exemplo da mitologia grega que considero um retorno da ação do fator Caos é o surgimento de Tifão. A criatura com 100 braços horrendos com aspecto de serpentes, cujos braços eram da extensão de todo oriente e ocidente, que fazia seu grito apavorante ecoar bem mais alto que o próprio Olimpo (morada dos deuses) era cria da união entre Tártaro e Gaia (duas criaturas surgidas diretamente do Caos!). Gaia ajudou Zeus a derrotar Cronos, (na conhecida Titanomaquia = guerra dos Olimpianos contra os Titãs), no entanto depois ficou arrependida e quis vingar a derrota dos Titãs (seus filhos) pelo deus do Olimpo, criando Tifão.

Tifão escalou o monte Olimpo para enfrentar os deuses, aos quais desprezava profundamente. Ao saberem que a criatura aterrorizante buscava destruí-los, os deuses Olimpianos se transformaram em animais e fugiram para o Egito! (Hera se metamorfoseou em vaca, Apolo em falcão, Ares em peixe, e etc. só Athena permaneceu humana, e até o grande Hércules fugiu! Esse é o motivo através do qual os gregos toleravam os egípcios, acreditavam que os deuses misturados com animais que os mesmos cultuavam, eram os deuses fugidos do confronto com Tifão). Zeus se escondeu no Monte Cássio, onde acabou enfrentando corpo a corpo Tifão, que após uma intensa luta em que foi ferido pelos raios do senhor dos deuses conseguiu desarmar e vencer Zeus! Tifão é pelo que conheço a única criatura que chegou a derrotar Zeus, cortando os tendões das suas pernas e outros músculos, o deixando imobilizado e sem seus raios. Vitorioso a horrenda criatura escondeu os despojos do corpo de Zeus numa pele de urso que deixou sob proteção do dragão Delfine. Então os deuses do Olimpo se reúnem e resolvem fazer alguma coisa, afinal, só Zeus tem poder suficiente para derrotar a criatura e está com o corpo preso na Cilícia numa gruta chamada Corícia. Pã e Hermes armam um plano através do qual conseguem recuperar os tendões e raios de Zeus. Pã com sua cantoria atraiu tanto Delfine quanto Tifão, e Hermes com sua velocidade e astúcia recuperou os tesouros dentro da pele de urso, tratando logo de devolver ao senhor do Olimpo.

Zeus recuperado e de posse de seus raios lança uma chuva de raios sobre Tifão e as criaturas arrepiantes que ele havia trazido a luz do dia. Por um tempo Tifão se esconde no monte Nisa, onde as Moíras o enganam, fazendo com que perca parte de sua energia. Então enquanto arremessava montanhas em Zeus, Tifão atingido violentamente pelos raios do deus. No momento em que estava no topo da montanha Hêmon na Trácia, Tifão foi atingido ferozmente pela chuva de raios de Zeus, que finalizou o combate jogando a montanha Etna sobre a criatura horrenda, de onde jamais conseguiu sair. Até hoje o monte Etna lança lavas vulcânicas, vinda do sangue da criatura derrotada por Zeus, que ainda jorra.

Assim como Cronos havia recuperado a ordem cósmica do arbitrário Urano, castrando seu órgão genital, Zeus representou uma derrocada dos valores titânicos estabelecidos por Cronos, que mesmo sendo pai do tempo negava a mudança constante advinda do cosmos primordial, o próprio Caos. Zeus com seus irmãos haviam derrotado a velha ordem! Agora o próprio Zeus, que recuperou o cosmos do Caos na Titanomaquia, representava um sistema de valores definitivo, que se negava a ser desmantelado. A manifestação de Tifão no cosmos parece uma ação do agente das forças primordiais (fator Caos), que desaprovava a atitude prepotente e arbitrária do senhor do Olimpo. Tifão desafiou e venceu Zeus, porém, em uma reviravolta o Caos foi provisoriamente derrotado, dando mais tempo ao reino do senhor dos raios.

Não vamos esquecer que há uma profecia que se desenvolve no nascimento de Athena. Zeus consultou oráculos, que garantiram que caso tivesse uma filha, esta se tornaria mais forte que o pai. Zeus engoliu Métis, para impedir que a criança nascesse. Quando passou o período da gravidez normal Zeus começou a se sentir mal, com dores de cabeça e pediu a Hefestos que abrisse sua cabeça, de onde a deusa Athena surgiu já com armadura e lança! Dessa maneira, Zeus não conseguiu impedir o nascimento daquela que vai lhe derrotar, e a mesma Athena ainda não é forte o suficiente para vencer seu pai. Zeus zela pela sua filha justamente na esperança de que a profecia nunca se cumpra…

No próximo post (algum dia nesta vida): Caos na Mitologia Escandináva.

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