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Alienígenas, ok e dai?

Então, desde ontem estamos imersos no próximo hype, nerds e estudiosos inquietos por todo mundo aguardam uma coletiva de imprensa que vai ser realizada ainda hoje, muito se especula, pela natureza do release que seja algo envolvendo uma nova mudança no paradigma dos estudos da astrobiologia, sim meus queridos, vocês não leram errado, estamos falando de vida-extraterrestre.

Claro que hoje a revelação foi de certa forma um balde d’água nos neurônios da comunidade intelectual de todo o planeta, infelizmente, não foi dessa vez que traçamos contatos com nossos conterrâneos sapientes de Titã, Marte ou Tatooine, a grande novidade é uma bactéria encontrada em Mono Lake, Califórnia.

Para a comunidade científica isto é interessante, porque, conforme dizem os relatos, a bactéria tem em sua composição genética o arsênico, elemento químico que até então era considerado tóxico para a presença de vida terrestre, estas feitas de carbono, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre. Então, reboliços a parte, um sonoro e claro epic win para todos os envolvidos. (Claro, eu ainda esperava algo no nível de Cthulhu, mas isso fica pra próxima)

Tudo bem, nossa decepção, é em partes, derivado da nossa “má educação” científica de Hollywood, onde ludismo e xenofobia são pautas freqüentes, o que cês queriam? Greys? Aliens do H.R. Ginger? A irmã do Mulder?

Mas como as películas do tecido da realidade andam meio enfraquecidas no NerDevils, vamos questionar algo, e se…por hipótese remota, fosse constatado vida fora do planeta, talvez até inteligente. Eu gosto de pensar se este acontecimento significaria alguma ruptura em meu cotidiano.

Então, no maior esquema “Fim da Eternidade”, escrito pelo mestre Arthur C. Clarke, vida não só inteligente, mas também tecnologicamente mais avançada, visitasse nosso planeta hoje? Eu ainda teria que completar uma jornada de trabalho, pegar o trânsito no rush, metrô lotado, provavelmente minhas contas chegariam normalmente no decorrer dos dias, mudaria alguma coisa, não!

Não levem a mal minha indiferença,  claro, todos nós iríamos ficar impressionados, mas no mesmo nível que todo dia ficamos ao assistir eventos extraordinários nos noticiários da noite, é uma característica da sociedade humana, é a dromologia, infelizmente – ou não… – a gente não pode parar.  Ou seja, neste pequeno conto sci-fi, eu e você somos meros figurantes.

Claro, desafios a parte como comunicação, sistemas lingüísticos, semânticos, crenças, morais, eu me pergunto o quão integrado isto seria, teríamos zoológicos de bactérias extraterrestres? Pornografia intra-espécies? DSTs? Seguindo a lógica de Stephen Hawkins, e se o contato trouxesse novas doenças e problemas sanitários? Eles poderiam enrolar um baseado com a gente? E, por final das contas, até quando a novidade ia durar e eu, você e eles lá fora, iriam retornar ao metódico tédio comumente encontrado em todas as formas de vida sapientes?

Se você quer saber mais sobre essa “Bactéria de Arsênico”, recomendo este artigo do Gizmodo http://tinyurl.com/37j9nac mas se você quer ver uma coisa realmente legal, procura um anime chamado Motto to Love-Ru


Cyberpunk e o Presente Volátil: divagações sobre literatura e tecnologia.

Nos meus tempos de gótico – pausa para os risos – eu pude presenciar um breve crescimento da estética “cyber”, que no final das contas, era um condensado de bandas, referencias de vestuário, chavões e até mesmo alguns flertes com a cultura nerd, como o emprego de 1337speak.

Era um tanto irritante o engajamento do povo, às voltas com um mar de referencias, mas mesmo assim, pouco apego ou conhecimento das mesmas, de suas origens, da mesma forma que o inevitável desinteresse, barreira lingüística e boca a boca diluem o conteúdo no underground, com o cybergoth – pausa para as risadas – não teria sido diferente.

Incomodava-me aquela imagética catastrófica, os sempre presentes símbolos de perigo radioativo e biológico, toda aquela ignorância aliada ao pretenso clima apocalíptico, “apocalíptico”, é claro, sob uma ótica de Umberto Eco, estamos falando do eminente, enfadonho pessimismo de caráter ludista.

Philip K. Dick? Não, ninguém tinha escutado falar, sequer imaginava que a desilusão, e paranóia da década de setenta já tinham alcançado os limiares da ficção-cientifica, Blade Runner? Aqueles que tinham visto, mal sabiam os bastidores literários por trás do filme.

"Do Androids Dream of Electric Sheep" livro que inspirou a adaptação cinematografia pelas mãos do diretor Ridley Scott

"Do Androids Dream of Electric Sheep" livro que inspirou a adaptação cinematografia pelas mãos do diretor Ridley Scott

 

Mais assustador ainda eram aqueles que desconheciam William Gibson, pai de todo o imaginário cyberpunk: megalópoles continentais, corporações corruptas, hegemonia do soft power asiático, drogas, cultura hacker, mesmos as inúmeros energúmenas posando em seus fotologs.net e álbuns de orkut, mal sabiam quem era Molly Millions ou Y.T. e a importância dessas personagens para o arquétipo da femme fatalle na cultura pop.

Existiram muitos outros expoentes, cada um com seus próprios méritos e falhas, que passaram despercebidos pelo mesmo público, ao longo das décadas de 90 e 00’s, Omykron: The Nomad Soul, Deus Ex Machina, The Matrix, Cyberpunk 2020, Serial Experiments Lain, Ghost in the Shell, AppleSeed, Idoru, Snowcrash, Chrysalis, Battle Angel Alita. Só pra citar alguns.

Da mesma forma que o súbito interesse do público passou, o gênero perdeu fôlego, e na medida em que se adotava a terminologia “post-cyberpunk” para ilustrar um mundo menos distópico e mais hedonista, onde já não se refletia mais o choque e a ruptura dos avanços, mas sim sua integração ao cotidiano, escritores, críticos e leitores percebiam: o futuro é agora, o próprio Gibson traduz isso em uma frase: “The future is already here – it’s just not very evenly distributed.”

A trilogia Bigend, escrita por Gibson, mudou o panorama do gênero Sci-Fi.

A trilogia Bigend, escrita por Gibson, mudou o panorama do gênero Sci-Fi.

 

Então hoje, na data cujo este texto é escrito, eu me deparo no twitter com esse artigo do Ethevaldo Siqueira, , O Mundo de 2010 a 2025 típica tecnobaboseira, Siqueira nos ilustra o óbvio ululante, um inevitável futuro através de previsíveis leis do mercado e indústria,  como miniaturalização, automátização e optimização.

Entenda, alegar a extinção de uma mídia é contradizer o panorama geral do mercado e indústria dos meios de comunicação, contradizendo também, os interesses de setores (indústrias de celulose, notícias, anunciantes e até público), eu me lembro dos ditames de Marshall McLuhan.

A grande peculiaridade das inovações tecnológicas, e seu potencial no mercado de comunicação, foram que a obsolescência é trocada por um re-arranjo organizacional das tecnologias, como um pequeno bioma, os profissionais desenvolvem sistemas de inteiração e espaço pela atenção dos meios.

Ao contrário do euforia dos pretensos futurólogos, os fatos rumam para um cenário contrário: o rádio não foi substituído pelo cinema, e este, não teve seu espaço tomado pelo invento da televisão e assim ad nauseum.

Formatos, meios de armazenamento, transmissão, estes sim mudaram, um exemplo tangível está na relação DVD/VHS, estamos falando em uma atualização e não substituição, o propósito de ambas as tecnologias ainda é o mesmo.

E mesmo o jornal impresso se atualizou, percebeu as leis do mercado de mídia e desenvolveu novos métodos de distribuição, diagramação (como os formatos do Destak e Metro News), melhorou a qualidade da impressão e continuou, principalmente, porque ler jornal é um traço cultural.

É claro que a ficção-cientifica foi pivotal nas decisões de design e funcionabilidade das novas tecnologias, as obras de Arthur C. Clarke influenciaram o desenvolvimento do satélite geoestacionário, mas é curioso notar a ausência de gadgets como smartphones no universo de Neuromancer.

Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke

 

E o quanto deste futuro chegou até nós? Zaibatsus não dominam o mercado, a URSS caiu, a expectativa do futuro cedeu para ao nosso volátil, caótico presente. Quantos acontecimentos nós deixamos passar? O excesso de informação pulverizada coopta qualquer iniciativa de estabelecer uma linha cronológica, até mesmo aquelas que rumam para o futuro…

O Futuro está ai, talvez menos esteta do que imaginamos, porem mais tangível, talvez tenhamos nos acostumado a ruptura, ao impacto estético, o futuro está ai, no contrabando da Santa Efigênia, em terroristas treinados em simuladores de vôo, nos operadores de telemarketing e proletários high-tech na China, nas quadrilhas de phising na África, naquele moleque escutando funk no celular, em qualquer idiota que tem um site e fala o que bem quiser…

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