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O Fim da Zona de Conforto e a Orkutização do Nazismo

(Ou Porque eu Defendo as Vaias em Shows)

Mulheres denunciam maus tratos por homens de maneira organizada? Feminazis! Homossexuais se organizam para reivindicar igualdade de direitos? Gayzistas! Fica incomodado porque as o escrevem errado na Internet? É um Gramar Nazi! Não gosta de axé e vaiou a apresentação da Cláudia Leitte no Rock In Rio ou criticou o show no Twitter? Você pode estar sendo nazista!
É isso mesmo. Eis a exata frase de cantora Cláudia Leitte em seu blog: “Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Googlesobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…”. Tudo isso porque ela deve ser irritado muito com os comentários negativos de várias pessoas em relação à sua apresentação, por mais que ela não queira admitir.

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Die Antwoord: A Resposta

Fui conhecer Die Antwoord (do Africâner “A Resposta”) ainda na semana que este post foi escrito, quando diversos sites que eu assino os feeds comentaram a a morte de Leon Botha, 26 anos, também conhecido como DJ Solarize, que participou de trabalhos com o projeto musical explorado nesse artigo, de acordo com as fontes, Botha é um dos sobreviventes mais duradouros de uma doença conhecida como Progeria, para quem não conhece, é uma doença que se desenvolve ainda cedo na infância, caracterizado pelo visível e drástico envelhecimento precoce, sendo que a média de vida para uma pessoa com essa deficiência é de treze anos de idade, então sim, podemos dizer que o rapaz viveu o dobro das expectativas, um feito de vida notável, descanse em paz.

Porem este é apenas um dos detalhes acerca deste irreverente e inovador grupo de Rap, tendo como leadman o rapper Watkin “Ninja” Jones e a cantora Yolandi Visser sem contar inúmeros colaboradores, Die Antwoord já conseguiu a atenção e os holofotes da mídia especializada e artistas norte-americanos como Beastie Boys e Kate Perry, sem contar gravadoras como EMI e Universal, para entender melhor o que faz Die Antwoord singular, é preciso compreender uma gíria africâner conhecida como “Zef”.

Zef” seria o equivalente ao termo “redneck” ou ‘whitetrash” da cultura estadunidense, se referindo a classe etnicamente caucasiana que não participou do abismo protagonizado pelo Apartheid há quase duas décadas atrás, hoje vivem em subúrbios onde alcoolismo, consumo de drogas e violência urbana fazem parte do cotidiano. Para Watkin Jones, ele não está argumentando a resposta homônima ao título do projeto, ele está vivenciando-a: “I’m just engaging my inner zef, which everybody has. It’s not a persona, it’s an extension of myself, an exaggerated version of myself”.

É interessante perceber que o “Zef” não se refere ao coletivo de pessoas que não obteve ascensão social, mas também as predileções culturais da mesma, remetendo a uma cultura, que sob uma perspectiva burguesa, seria considerada “sem classe”, demasiadamente colorida e efusiva, sem espaço para luxo ou refino, em entrevista para Times, Watkin resume seu projeto da seguinte maneira: “loveable, mongrel-like entity made in Zuid Afrika, the love-child of many diverse cultures, black, white, coloured and alien, all pumped into one wild and crazy journey down the crooked path to enlightenment

E esta noção se aplica bem à alcunha de Watkin Jones, “Ninja” é seu nom de guerre dentro do Die Antwoord, uma personalidade agressiva, chula, auto-afirmativa, coisa que transparece bem na faixa “Enter The Ninja”. Mesmo com Die Antwoord tenha explodindo, gerando em sites como o youtube centenas de milhares de visualizações, fica a dúvida no ar? “Vai vingar?” de sua natureza anacrônica paradoxal, de passado transmigrado ao presente, mas longe de ser um relicário, Die Antwoord tem potencial tanto para ser um eco dos confins do terceiro-mundo urbano africano ou um novo grito para o futuro.

Nujabes: a batida lamenta sua ausência

Nascido em 7 de fevereiro de 1974, Jun Seba, conhecido no meio musical sob o pseudônimo Nujabes – seu nome ao contrário na pronuncia japonesa – foi uma das figuras mais proeminentes do Hip Hop alternativo, trabalhando ao lado de artistas tanto ocidentais quanto orientais, fundou em 2003 o selo independente Hydeout Productions, por onde passaram DJs e Produtores musicais como Uyama Hiroto, que já participou da composição de trilhas sonoras para a série Final Fantasy, como a faixa Theme of Love.

Uma das características mais marcantes no trabalho de Nujabes é a influência do jazz e do soul, usando samples de gravações de músicos como o pianista Bill Evans e renomado saxofonista Yusef Lateef, suas músicas costumam repassar experiências sinestésicas, essa idéia também transparece imaginário do encarte de seus CDs, onde retratam um estilo de arte particular, bem abstrato e colorido.

Embora famoso e renomado em seu meio, Nujabes ao longo de sua carreira realizou pouquíssimas apresentações ao vivo, preferindo expor seu trabalho através de artistas com quem colaborou, como o rapper japonês Shing02, cuja parceria começou em 2000.

Tanto Nujabes quanto Shing02 viriam a ser mais conhecidos no ocidente pela sua participação na trilha sonora de Samurai Champloo, de Shinichirō Watanabe, anime que misturou um conto de samurais com anacronismos modernos, em especial envolvendo a cultura do Hip-Hop, em que a resenha você pode conferir no próprio blog, outros artistas que já trabalharam com ele também participaram dessa trilha sonora, como a cantora de reggae Minmi, responsável pelo tema de encerramento “Shiki No Uta”. Outro trabalho interessante de ser mencionado é o remix que Nujabes realizou de “Folklore”, música do grupo Clammbon, um renomado trio de J-pop que mistura influências do Pop com o Jazz.

Em 26 de Fevereiro de 2010, Nujabes veio a sofrer um grave acidente de trânsito, onde mesmo encaminhado para o hospital, não conseguiu resistir e veio a falecer, foi-se realizado um funeral exclusivo para os membros da família e amigos próximos, sendo que sua morte foi anunciada para a mídia apenas uma semana depois, chocando fãs e a comunidade artística. Hoje em dia Nujabes é lembrado com carinho – obra e pessoa – por todos, sendo que diversos artistas com quem trabalhou lançaram álbuns tributos em sua homenagem e também o projeto “Eternal Soul”, em que foi realizado um show e um documentário com diversos artistas com quem Nujabes trabalhou.

Nujabes produziu verdadeiras preciosidades musicais, não por ser algo diferente, mas sim algo realizado com excelência, um trabalho onírico, atmosférico, de qualidade insuperável, de linguagem universal, que irá agradar não apenas os amantes de música nipônica, mas como também os mais fervorosos fãs de Hip Hop, Jazz, R&B e até mesmo gêneros mais alternativos, como Downtempo e Trip Hop, não deixem de conferir faixas como “Sky is Falling” “Hikari” “After Hanabi” e “Beats Laments the World”!

Um mundo de Vocaloids e Mobiles Suits

Anos atrás eu li Idoru do William Gibson, diferente do universo da trilogia Sprawl (que continha o célebre Neuromancer), “Idoru” se tratava de um mundo Pré-Cyberpunk, não a distopia corporativa nutrida no seio da desilusão da contracultura da década de noventa, mas sim um mundo tecnologicamente emergente, não muito diferente do nosso. Fangirls japonesas discute sobre seus ídolos em um rudimentar ciberespaço, idorus digitais repercutiam no cenário do show-biz, casando-se com estrelas do rock e assim promovendo golpes de marketing.

Hoje eu entro no Hobby Link Japan, e me deparo com uma estatueta da pop idol Hatsune Miku a venda por U$31,00, Hatsune Miku em um sentido tradicional…não existe, ela é um construto pop derivado de um software desenvolvido pela Yamaha chamado “Vocaloid”, especializado em síntese de voz..

A base para sua voz é a Seyiuu – dubladora – Saki Fujita, porem isto é o de menos, Hatsune Miku é um meme, uma idéia viva, replicante não apenas em vídeo-clipes, mas sim em toda linha de produtos, action figures, revistas, linhas de roupa, chaveiros, plush dolls, cosplayers, um fantasma digital adolescente, olhos de anime e cabelos verdes translúcidos arrumados em pigtails.

Em concerto, sua versão holográfica contracenou com uma trupe de músicos de carne e osso, a vibração da platéia traduzia a indiferença pela suposta ausência de vida no palco, sua presença era indistinguível de qualquer outra cantora pop japonesa, mesmo vendo um vídeo no Youtube, era necessário um pouco de esforço para dizer que aquilo não era apenas uma projeção…

Não existe hipocrisia ali, para a indústria do entretenimento, a personagem sempre importou mais que o cantor, Lady Gaga sempre a frente de Stefani Joanne Germanotta, Karin Elisabeth Andersson é Fever Ray,

Warren Ellis uma vez escreveu a one-shot SUPERIDOL, onde narrava a invasão memética de Rei-Rei, uma idol construída a partir de denominadores comuns de todas as culturas humanas e traços físicos, olhos, cabelos, nariz, seios, tudo condensado em uma figura carismática e feminina, desenvolvida por cientistas sociais, programadores e analistas de marketing para cativar todas as faixas etárias e classes sociais.

Em sua introdução, um narrador estarrecido comenta: “Post Final Fantasy, Post William Gibson, set up to invade post-post-post ironic western society, a computer-generated idol singer, even the voice was synthesised from two hundred voices samples”.

A experiência aparentemente toma um novo rumo, em 2009 a BANDAI ergueu em diversas partes do Japão uma réplica do RX-79-2 Gundam, um dos personagens mais consagrados da cultura pop japonesa.

Entenda o raciocínio, não é uma estátua, muito menos um monumento, mas sim uma réplica em tamanho real, com LEDs, Gelo Seco e movimento, Em meu quarto existem 14 variações do mesmo, porem, até o momento, nenhuma Hatsune Miku…

Pink Floyd nas ruínas de Pompéia.

O Pink Floyd, banda de rock progressivo conhecida por seus álbuns conceituais e shows altamente elaborados, realizou um show no mínimo curioso nas ruínas de Pompéia na Itália no ano de 1971.

O local escolhido foi o Anfiteatro de Pompéia, o mais antigo edifício destinado aos combates de gladiadores até hoje conhecido, que foi edificado a cerca de 70 A.C.

O público para o evento? Zero! Isso mesmo, nenhum expectador, com exceção apenas dos cinegrafistas, técnicos de som e o diretor.
Este show saiu em DVD e mostra a banda em sua fase mais psicodélica e traz alguns momentos em estúdio durante a gravação do seu mais conhecido álbum, o Dark Side of The Moon, além de imagens das ruínas da cidade.

Um pouco da História da Cidade de Pompéia.

Pompéia está situada a 22 quilômetros da cidade de Nápoles, na Itália, no território do atual município de Pompéia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio em 24 de agosto do ano 79 D.C.

A erupção do vulcão provocou uma intensa chuva de cinzas que sepultou completamente a cidade, que se manteve oculta por 1600 anos antes de ser reencontrada por acaso. Cinzas e lama moldaram os corpos das vítimas, permitindo que fossem encontradas do modo exato em que foram atingidas pela erupção do Vesúvio. Desde então, as escavações proporcionaram um sítio arqueológico extraordinário, que possibilita uma visão detalhada na vida de uma cidade dos tempos da Roma Antiga.

Aproveitando esta postagem, vou deixar um vídeo que assisti recentemente com uma versão do Dark Side of the Moon para NES. Os outros vídeos você pode conferir na descrição deste:

Bohren & der Club of Gore

Imagine a seguinte cena: Uma madrugada fria e chuvosa, você está sozinho em casa. Afundado no sofá você observa pela janela de vidro a chuva cair e o amarelado das luzes da rua invadir parcialmente a sala. Você se serve de whisky e acende um cigarro, e ali, permanece inerte pelas próximas horas.

Para esta cena há uma trilha sonora perfeita.

Bohren & der Club of Gore. Um grupo alemão que faz o tipo de som que eles mesmo descrevem como “ambiente pouco-ortodoxo de fusões entre baladas de slow jazz, depressão “à-la” Black Sabbath e também os sons profundos de uma autópsia”.

A banda foi fundada em 1992 em Mülheim an der Ruhr, por Thorsten Benning, Morten Gass, Robin Rodenberg e Reiner Henseleit mas em 1996, Henseleit deixa a banda e é substituído por Christoph Clöser em 1997, o que acabou por substituir a guitarra pelo saxofone.

Para quem se interessou no grupo, eu indico começarem pelo seu mais recente album Dolores e o Sunset Mission, lançado em 2000.

Ayreon é Ayreon, porra!

Não me importa se os riffs do Dream Theater são fodásticos, se a temática do Amon Amarth é geralmente sobre escandinávia medieval ou se o baterista do Slipknot comeu um sapo vivo quando tinha 10 anos de idade. Quer ouvir música realmente impressionante? Ouça o projeto musical de Arjen Lucassen chamado Ayreon.

Ayreon não se trata simplesmente de guitarras solando loucamente, enquanto algum enjoado loiro canta o mais fino possível até estourar os culhões. Esse é um projeto conceitual que inaugurou em 1991 o que hoje chamamos de ópera-metal, uma volta ao ópera-rock de Pink Floyd, The Who e Allan Parsons.

Cada música é como um ato de uma peça, cada letra é parte de um quebra cabeça que vai ter suas peças desenvolvidas em outros álbuns e que mesmo ouvindo-se centenas de vezes parece sempre incompleto. Além disso, os arranjos e a execução de cada música é diferente uma da outra, porque são pessoas diferentes cantando e tocando em cada uma delas, o que as harmoniza é a história contada. Seria Ayreon um Lost do metal-progressivo? Certamente não, apesar do último álbum ter tido um final tão esquisito quanto o de Lost.

Já que Ayreon é um projeto conceitual, o que seu nome significa? Ayreon é um bardo que nasceu muito antes de cristo e desenrola todos os fios da história que vai ser contada em quase todos os CDs do projeto musical.

Em “The final Experiment”, o primeiro CD do projeto, se conta a história de um bardo cego que vive muito antes de cristo, chamado Ayreon, e que começa a ter visões sobre o futuro da raça humana. Ele prevê que no fim dos tempos o ser humano vai causar sua própria destruição. Essas visões que ele tem na verdade são mandadas do futuro por meio de uma máquina dos sonhos inventadas depois do ano de 2080. As pessoas do futuro mandam essas mensagens para o bardo no intuito de que ele muitos anos antes de cristo tente mudar os rumos que a humanidade está tomando.

Para realizar o que se foi pedido, o bardo começa a viajar pelas cidades cantando a morte da terra no futuro causada pelos próprios homens, então os aldeões de todos os lugares o expulsam das cidades. Em certo momento ele encontra o rei Arthur e canta para todos com a permissão do rei. O mago Merlin fica com ciúmes do poder de ver o futuro do bardo e diz que tudo dito por ele é mentira, nesse momento Merlin joga uma praga em Ayreon, mas depois o próprio Merlin descobre que ele realmente via o futuro e prevê que o mesmo bardo vai renascer de novo, mas só no século XX.

Cada música desse álbum tem uma sonoridade específica, entre metal experimental, melódico e progressivo com pitadas de black metal. O que torna interessante esse projeto, além da fantástica história contada, de Arjen Lucassen é justamente a geléia musical que ele faz, sem perder a força impactante de uma sonoridade que alterna entre agressividade e harmonia, seguindo o estado de humor do próprio bardo Ayreon.

O resto dos álbuns desenvolve a temática do bardo por outras perspectivas ou explica partes sombrias deste primeiro CD. Não vou aqui comentar sobre eles, o que queria era mais chamar atenção para um projeto musical de alta qualidade que é impressionantemente ignorado.

 

Computer Reign (Game Over) (Act III "Visual Echoes")

Possível solução contra downloads ilegais.

Um artista gasta uma boa grana para produzir um disco de qualidade, certo? Se depois de concluído o disco for baixado gratuitamente, isso com certeza não seria algo legal para o artista. Quem já assistiu os bastidores da produção de um disco, sabe o trabalho e o gasto que é.

Pensando em algo para solucionar o problema que a música vem enfrentado na era digital, tive uma ideia que poderia ao menos amenizar o número de downloads ilegais na internet.

Seria o seguinte: As bandas passariam a pedir doações de seus fãs em seu site oficial, assim, quanto mais fãs a banda tiver e mais doações as bandas receberem, melhor e mais bem produzido será o disco. Seria algo como comprar o CD antes de ele ser concluído. Sendo assim, a banda só usaria na produção do seu disco o dinheiro arrecadado, então quem é realmente fã do artista, para ouvir um disco de boa qualidade sentir-se-ia obrigado a doar.

Com relação aos fãs que não doariam, esperando apenas o disco ser lançado para baixar gratuitamente.

Um fã, para fazer a doação, fará um cadastro no site da banda, e automaticamente passará a concorrer camisas, ingressos de show, CDs físicos ou quaisquer outros produtos de acordo com o artista. Só participará do sorteio quem fizer doação. O fã que doar também terá exclusividade com as novidades sobre a banda, receberá vídeos dos bastidores da produção, etc. tudo em primeira mão.

Segue um exemplo de como poderia ser criado a doação pelos artistas em seus sites:

  • Doar R$1 – Concorre a Bottons e chaveiros.
  • Doar R$5 – Concorre a Camisas
  • Doar R$15 – Concorre a Kits com CD’s, DVD’s e Camisas
  • Doar R$30 – Concorre a Ingressos

O valor, a quantidade de produtos, assim como os produtos sorteados ficaria a critério do artista.

Após a conclusão do disco.

As pessoas cadastradas no site receberão um código único e intransferível para baixar o disco gratuitamente no site.

O álbum distribuído no site viria com a arte digital além de alguns vídeos, fotos do artista, e textos falando sobre o artista durante a criação do álbum, enfim tudo para criar um atrativo aos fãs.

Quanto mais o artista fizer o fã se sentir importante e ter uma ligação mais direta com a criação do album, mais os fãs iram ajudar a banda e doarão para ter acesso a estas exclusividades.

É claro, isso é apenas o esboço de uma ideia, mas acredito ser mais interessante do que ideias como a do pague o quanto quiser usado pelo Radiohead, porque se algo já está pronto e eu tenho a opção de não pagar, é claro que essa será a minha escolha.

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