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Blues urbano de um flâneur paulistano: Liberdade

Existe algo no bairro da Liberdade que eu considero como místico, um bairro de história e notáveis contrastes, caminhando pela praça, durante o entardecer de uma Quarta Feira, o lugar é vazio, quase inóspito, pessoas de rostos comuns caminham pela praça, alheios ao passado do lugar, uma loja de CDs usados ao lado de uma mercearia chinesa, o cheiro de nuggets no McDonalds ali perto. O céu cinzento de São Paulo se põe e o cheiro ocre do lixo abandonado permanece nas ruas, uma senhora sai da Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados, dizem as más línguas que o local é assombrado.

Sobre os alicerces do Tori, adesivos contendo mensagens subversivas e ícones pop fazem contraste com o vermelho do monumento, sem organização alguma, o passado perene é lentamente desgastado pela cola velha, erosão e inúmeros stencils espalhados pelo local. No viaduto da Galvão Bueno, uma senhora boliviana, trajando indumentárias típicas, vende seus panos enquanto disputa a voz com diversos outros ambulantes, pilhas de DVDs lotam a calçada, com filmes e shows de idorus, cantores de enka, doramas, animes que lado de coletâneas de Black Music e pornôs das Brasileirinhas.

Olhem os prédios ao redor, paralisados na década de 70, o desgaste do branco pelo tempo e pela poluição contribui com um tom sépia nostálgico para a paisagem do local. Antes dos japoneses, por este bairro já passaram portugueses, italianos e até árabes, cada um deles adicionando algo a mais para o DNA desta entidade urbana.

Descendo a ladeira da Thomaz Gonzaga nós ainda podemos encontrar vestígios de senzalas, janelas pequenas c/ grades enferrujadas, tímidas, escondidas das vistas menos atentas, ou no casarão reformado na Rua da Glória, onde hoje abriga uma DP da Polícia Militar, dizem que lá dentro uma enorme senzala ainda é conservada, há, nada mais apropriado para os cães de guarda do nosso Prefeito Kassab.

O bairro também é local de histórias envolvendo contravenção e desafio à autoridade, durante o regime populista de Getúlio Vargas, foi-se proclamada uma lei que proibida o estudo de outros idiomas, qualquer brasileiro que tivesse interesse no estudo de línguas estrangeiras era suspeito de ser “comunista”, imigrantes e descendentes se encontravam em porões de vários comércios da regiãom com o intento de estudar de forma clandestina o seu idioma natal.

Hoje em dia, diversos elementos da fauna urbana paulistana freqüentam o local, em especial nos finais de semana, a praça ao lado do metrô é um dos locais mais queridos das memórias de minha adolescência, moleques ficavam lá noite adentro, falando merda, tomando bebida vagabunda, comendo marmitas de yakisoba da feira que acontece todo fim de semana, podíamos encontrar de todos os tipos, espalhados pelas escadarias, bancos ou até sentados no chão: cosplayers, B-Boys, darks, lolitas, otakus, headbangers e tantos outras tribos urbanas que contracenavam com famílias que vinham visitar o bairro em seu tempo vago.

“Escondido” é uma boa definição para um bairro onde tudo é vestígio e lembrança, a Liberdade é um lugar de mistérios, onde cada casa, restaurante, loja e praça guardam histórias que anseiam por serem descobertas, cada passeio inevitavelmente nos leva em direção a uma epifânia. É em uma dessas escadarias escondidas que eu descobri o Café Kohii, localizado na Rua da Glória, nº 326, um lugar de paredes brancas que ostentam um enorme painel de recados para as vítimas do terremoto que atingiu o Japão no início do mês passado.

O painel representa bem o clima cosmopolita do bairro, mensagens em japonês, chinês, mensagens de apoio no próprio idioma português, tímidos “Gambarê Japão!”, assinaturas que lembram pichações, animais desenhados por um traço infantil e até rascunhos de mangás. Tive uma conversa agradável com o proprietário do local, Jun Takaki, um rapaz instruído e com uma visão empreendedora para o bairro, Jun me falou sobre as primeiras famílias, que desceram do navio Kasato Maru, fotos históricas, curiosidades como o Cine Niterói, foi como se essa historicidade tivesse passado por mim diante dos meus próprios olhos, também conversamos sobre a delicada geopolítica do bairro, envolvendo a Associação do Comércio, Empresas e a Prefeitura.

Liberdade é isso, uma egregóra dentro da paisagem urbana de São Paulo, de fantasmas que clamam por enforcamentos públicos e restaurantes escondidos em portinholas, onde bêbados cantam em karaokês. Bairro esquizofrênico, que se expande e se molda de forma frenética e imprevisível, Liberdade, dos imigrantes do Kasato Maru e tantos outros, das turbas que clamam pelos enforcados, dos paulistanos, dos turistas curiosos e adolescentes fanfarrões, Liberdade, meu lugar favorito para ser flâneur.

Hackers, Phrackers e o manifesto pela liberdade

Como último post do ano no NerDevils quero falar principalmente dos acontecimentos que ocorreram bem no começo do mês de Dezembro, como todos podem supor, é sobre o caso Wikileaks, mas quero discutir Ativismo/Pacifismo Virtual e a “ética” hacker, fazendo um pequeno intercurso histórico, e não apenas analisar os últimos fatos ocorridos, disso todo mundo já ta cheio de saber e o nosso blog já fez uma cobertura , além da demonstração de apoio. Depois que as chamas visíveis da 1ª InfoWar cujo campo de batalha girava em torno do Wikileaks estão relativamente baixas para o público geral na interwebz, a análise pode ser feita menos apaixonadamente, mas sem perder a força das convicções anarquistas e libertárias de quem está escrevendo aqui.

A operação payback dos Anonymous em seu caráter global e solidário pode ter sido esvaziada após 3 dias de ataques intensos derrubando sites como VISA, MASTERCARD, PAYPAL (mesmo que por pouco tempo), entretanto é evidente que essa guerra continua através de outros meios que só são visiveis agora para grupos especificos de Hackers de verdade, e para seus alvos, no caso grandes bancos, empresas de crédito e alguns governos mundo a fora.  Mas o que fica da operação não foi a efetividade de seus resultados, pois a longo prazo, como muitos falavam desestimulando os ataques no twitter ou outros meios, não tem efeito, o site derrubado vai voltar e tudo vai continuar normalmente. Porém, o ativismo hacker desse fim de ano teve um efeito avassalador na mentalidade dos usuarios de internet e até mesmo das tradicionais esquerdas políticas do mundo todo. Antigamente (e até hoje) quando queria se manifestar sobre algo da sociedade, um grupo se reunia e obstruía as vias das principais avenidas da cidade com cartazes, músicas e gritos de protesto, nos dias de hoje esse tipo de manifestação quando tem um carater extremamente revolucionário não atrai quase nenhuma parcela da população, apenas movimentos de grupos séculares e minoritários ainda conseguem alguma coisa, reunindo sua massa manifesta que antes estava escondida. O que a Operação Payback dos Anonymous mostrou ao mundo foi que há uma outra forma de obstruir o movimento da sociedade, atacando os sites das empresas de crédito e transação monetaria do mundo todo para impedir seu acesso! Essa nossa geração fresca que odeia violência finalmente encontrou um modo de dizer o que quer e causar dor de cabeça sem uso de força bruta ou risco de sofrer repressão! É uma geração furiosa que cresceu vendo 8-bits nas fitas de Nintendo, Megadrive ou um computador  com infima memória e HD e se sentindo sempre insatisfeita mesmo sem saber com o que. Finalmente essa geração achou um modo de soltar suas palavras de protesto engasgadas, de mostrar ao mundo suas reinvidicações por mais absurdas que pareçam às autoridades. O payback serve de exemplo de que vias as manifestações deveriam ocorrer nos anos 2000, lógico que nunca abandonando as tática tradicionais, porém implementando essas que as novas ferramentas possibilitam, dando uma renovação e efetivação nos protestos! 30.000 computadores do mundo todo se arriscando sem proteção em ataques contra diversosalvos e todos voluntários contra os inimigos da liberdade de expressão, 30.000 anônimos lembrando aquela cena final de V de Vingança, 30.000 soldados virtuais, militantes da liberdade geral, 30.000 vítimas da opressão silenciosa que os estados modernos realizam em suas ferramentas, as pessoas. O mais bizarro foi a imprenssa local vincular que os ataques eram feitos por um ataque de vírus a computadores normais por parte dos hackers que transformavam seu computador em “escravos” do deles, recebendo ordem de ataques. HA HA HA, quanta baboseira, isso é a tática normal, o que aconteceu em dezembro desse ano foram ataques voluntários e conscientes de pessoas usando seus computadores, em manifestação não apenas pela liberdade de Assange ou Wikileaks, mas pela liberdade total de comunicação! Ao contrário do que se imagina aquilo que vou chamar de “ética hacker” não surgiu na década de 90 com Wired ou qualquer coisa assim, mas provavelmente com o e-zine Phrack de 1986 e que existe até hoje no endereço www.phrack.org/ .

O nome Phrack é simplesmente uma mistura de Phone + rack (algo mais ou menos traduzivel como atormentar), uma prática comum nos EUA da década de 80 eram jovens estudantes das universidades de cálculo e principalmente da MIT  andarem com caixas pretas pela cidade burlando os sistemas telefônicos em busca da não monetarização dos serviços básicos, cujo telefone eles consideravam um – isso é porque de certa forma uma parcela da geração de 80 acabou carregando o peso da contracultura que ocorreu violentamente na década de 70, abalando o modo de ver o mundo capilistico e ocidental e numa ânsia de liberdade total. Pois bem, o e-zine Phrack desde 86 é organizado por Taran King e além de reunir um monte de técnicas de programação e burlação dos sistemas de telefone, banco e computador, adiciona artigos que ensinam a fazer bombas caseiras e como manusear ou construir certas armas de fogo…. além de notas de noticias do mundo tecnológico. No começo do e-zine ele deixava claro sua posição de anarquista: “Os artigos podem incluir telcom (modos de hackear ou bular sistemas de telefone), anarquia (armas, morte e destruição) ou cracking.” Provavelmente um dos primeiros locais onde podia se encontrar informação querendo ser livre, era no Phrack. Muito da ética hacker foi forjado através de discussões e ações deste e-zine. Há uma semelhança muito grande entre as palavras dos Phrackers e dos Anonymous, sem duvidas essa semelhança não é apenas coincidência.

Vamos ir mais adiante, diretamente ao “Manifesto Hack”, escrito por The Mentor na edição 7 do Phrack, esse que vai acabar nos dizer muito de onde surgiu toda essa necessidade de liberdade da informação e de ação num mundo ligado a computadores. A primeira vez que tive contato com esse texto foi bem esquisito, eu tava navegando pela interwebz procurando uns negocios de keys e talz e fui parar num site de crackers brasileiros, o site havia sido fechado pela Polícia Federal, o conteúdo todo havia sido retirado e só tinha a logo do grupo no centro. Pois bem, tentei ver o código-fonte, não sei bem por qual motivo tentei isso, e lá estava o texto em inglês, fiquei com uma sensação estranha, tipo Neo no Matrix sendo chamado pelo coelho branco ou Dane do Os Invisíveis sendo treinado por Tom O’Bledam. Foi aí, a uns 3-4 anos atrás, que entendi finalmente pela primeira vez porque algumas pessoas lutam pela liberdade na internet. Tive um satori, uma iluminação, causada pelo Manifesto genial de The Mentor.

(obs: é uma tradução livre, as expressões e palavras não estão ao pé da letra, mas o sentido foi mantido)

“=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=- =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
O texto abaixo foi escrito logo depois da minha prisão …

                       \ / \ A Consciência de um Hacker \ / /

por

+ + + The Mentor + + +

Escrito em 8 de janeiro de 1986
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=- =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Mais um foi capturado hoje, está em todos os jornais: “Adolescente é preso em escandalo de crime de computador”, “Hacker foi preso em fraude bancária”…

Maldito garoto. São todos iguais.

Mas você, em suas três formas de ver o mundo e pensamento de 1950 algumas vez viu através dos olhos de um Hacker? Você já se perguntou o que ele fazia, quais motivos o levou a fazer aquilo?

Eu sou um Hacker, entre no meu mundo.

Tudo começa na escola… sou mais esperto do que a maioria dos outros garotos e essa merda que nos ensinam me entedia…

Maldito Fracassado. São todos iguais.

Estou no ensino médio ou fundamental. Ouvi o professor explicar pela milésina vez como reduzir uma fração. É fácil. “Não, srª. Smith, eu não mostrei no trabalho como fiz. Fiz tudo de cabeça…”

Maldito garoto. Provavelmente copiou de alguém. São todos iguais.

Descobri algo hoje. Achei um computador. Opa, isso é legal. Ele faz o que quero. Se ele faz algo errado é porque eu errei. Não porque ele não gosta de mim…

Ou se sente ameaçado por mim…

Ou porque pensa que sou inteligente…

Ou não gosta de ensinar e portanto não deveria estar aqui…

Maldito garoto. Tudo que ele faz é jogar. São todos iguais.

E então aconteceu… uma porta aberta para o mundo… correndo pela linha telefônica como heroína nas veias de um viciado, um pulso eletrônico é enviado na procura de um refugio da incompetência do dia-a-dia… uma placa é achada.

“Este é… o meu lugar…”

Conheço todos aqui, mesmo que eu nunca tenha encontrado eles, nunca tenha conversado com eles, nunca pude ouvi-los pela segunda vez… Eu conheço todos vocês…

Maldito garoto. Prendendo a linha telefônica de novo. São todos iguais.

Pode ter certeza que somos todos iguais… somos alimentados com comida de bêbê na escola quando nossa fome é de bife… os pedaços de carne que vocês nos deixam jogados já são mastigados e sem gosto. Fomos dominados por sádicos, ou ignorados por apáticos. Os poucos que nos tinham algo a ensinar nos fizeram de pupilos, mas esses são raros como gotas de agua no deserto.

Este é o nosso mundo… o mundo do elétron e do módulo, a beleza do byte. Nós fazemos uso dos serviços existentes sem pagar, algo que poderia ser barato se não fosse usado por gananciosos aproveitadores, e vocês nos chamam de criminosos. Nós exploramos… e vocês nos chamam de criminosos. Nós buscamos conhecimento e vocês nos chamam de criminosos. Nós existimos sem cor de pele, nacionalidade, sem preconceito religioso… e vocês nos chamam de criminosos. Vocês constroem bombas atômicas, fazem guerra,  assassinam, enganam, e mentem para nós e tentam nos fazer acreditar que é pro nosso próprio bem, contudo nós somos os criminosos.

Sim, eu sou um criminosos. Meu crime é a curiosidade. Meu crime é julgar as pessoas pelo o que elas dizem e pensam, não pelo que parecem. Meu crime é ser mais inteligente que vocês, algo pelo qual nunca vão me perdoar.

Eu sou um Hacker, e este é meu manifesto. Vocês podem parar este indivíduos, mas vocês não podem parar todos nós… afinal, somos todos iguals.

+++The Mentor+++”

Com esse belo texto do The Mentor que não precisa de qualquer explicação para se notar a semelhança com o que vem acontecendo, encerro a minha participação esse ano no NerDevils. Que todos nós do blog consigamos continuar postando por aqui, defendendo não uma bandeira totalmente abstrata em nome de um partido ou grupo, mas a liberdade, a única coisa pela qual se vale a pena lutar, a liberdade de todos! E a internet não está fora dessa batalha, aliás, elas nos dias de hoje é a última esperança de ser livre, quando isso aqui cair na censura, no controle por parte dos estados e da sociedade, o homem vai ter que inventar outras maneitas de tentar frustrar os planos de controle total da sociedade tecnocrata, esta que deixou de ser exclusividade do ocidente…  Atualmente somos pessoas que comem menus ao invés das comidas, que temos orgulho de morder a isca, como um peixe no fundo do mar indo em direção ao anzol. Boa sorte, para todos nós em 2011 e para a tão surrada e velha liberdade.

PRIMEIRA GUERRA CIBERNÉTICA!

Uma visão um pouco mais curta e grossa sobre o caso Wikileaks

Fodendo Mentes

“Toda essa liberdade me dá medo.”

“Eu estou me fodendo. E a culpa é toda sua”.

Essa duas frases foram proferidas a mim por pessoas distintas em momentos distintos.

A primeira li no MSN de uma garota que havia conhecido não fazia nem uma semana e que depois se envolveu com o Caos. Pirou, leu muita coisa e foi questão de tempo até se tornar uma de nós. Ao perceber a imensidão da coisa, soltou “Toda essa liberdade me dá medo.”.

Já a segunda ouvi pessoalmente no Bar do Lê de uma amiga minha de bons anos e que é tida por todos como “a única caótica que o é sem nunca ter lido nada sobre o assunto”. Havia lido Tarô para ela em um fim de ano e o que saiu dizia que no ano seguinte a “casa ia cair”. Passou o ano, as certezas dela ruíram, a guria não aguentou o tranco e como precisava culpar alguém, o grande eleito fui eu. E aí bêbada ela me joga na cara: “Eu estou me fodendo. E a culpa é toda sua”.

A primeira me empolgou. Era no mínimo uma bela adição para a galera. E sem contar que quando disse que ela era uma de nós e não sabia, ouvi “Não sabe a honra que é ouvir isso de você” (ah, Chorozon…).

Já a segunda me chateou. Na época eu estava me recuperando de algumas porradas da vida e ter ouvido aquilo não ajudou muito. Mesmo sabendo que a frase foi infeliz, machucou. Aquela coisa de “eu podia dormir sem essa”, saca? Na primeira vez que a água bate na bunda, a culpa é minha.

Uma frase que resume bem o Caoísmo é “Nada é verdadeiro. Tudo é permitido.”. TODO MUNDO quando conhece o Caos se empolga. TODO MUNDO acha lindo quando falamos que fodemos mentes alheias. Mas isso porque eles só lembram do “Tudo é permitido” e acham que isso é zoeira máxima. Faz parte, mas não é limitado a isso. Existe o “Nada é verdadeiro.”.

E quando falamos em foder mentes, deixo claro que muitos de nós tivemos nossas mentes fodidamente fodidas. É lindo quando falamos em foder a mente dos outros, mas quando é pra foder a SUA mente, o que vejo são chorões que nos culpam pelos seus problemas.

Sabem, eu reclamo da vida também. Nos meus dias difíceis mais que os outros. Mas eu NUNCA apontei o dedo para qualquer pessoa ou entidade e coloquei a culpa dos problemas que EU CRIEI nelas.

Crianças, Caos NÃO É CONTROLE, NÃO É SEGURANÇA. Caso queiram querem isso, virem Rosacruzes, Wiccans, Thelemitas, Católicos, mas não se envolvam no Caos. A não ser que aguentem o real “nada é verdadeiro, tudo é permitido”.

Pois bem, voltando para casa depois do bar naquele dia onde fui culpado pela problemas alheios e chateado com a bosta de frase que eu ouvi,  já era de manhã e eu estava com uma puta fome. Então acho em ponto de ônibus um saco de pão fechado. E cheio de pães. Não de simples pãezinhos franceses. Eram croassaints, pães recheados com catupiry, pães com queijo derretido em cima. Todos ainda quentinhos.  Todos meus. Então me lembro que o pão é o símbolo do alimento. Que alimento é fruto do trabalho. Terminei a noite me empanturrando de pão e rindo histericamente na rua.

Sim meus caros, eu estupro mentes e mais dia menos dia vai ser a SUA mente. Pode chorar, ralhar, me apontar o dedo e me bater, eu quero que se foda. Como dizia o Mestre Raul: “O que eu quero / Eu vou conseguir / O que eu quero/ Eu vou conseguir/ Pois quando eu quero todos querem / Quando eu quero todo mundo pede mais / E pede bis”.

Liberdade de depressão

Hoje vivemos a ressaca pós-eleições, infelizmente ainda temos o segundo turno para nos fazer obrigatoriamente sair de casa, mas durante as últimas semanas do primeiro tempo da pseudo-democracia tupiniquim uma palavra que ficou em destaque foi: CENSURA. Transcritos de discursos recortados do seu contexto original foram veiculados pela mídia. Era latente entre os conservadores a divulgação de que o PT e seus aliados estavam atacando a liberdade de expressão da mídia, por tanto censurando a liberdade de denunciar. Por outro lado os da “esquerda brasileira” – entre aspas porque não se configura verdadeiramente como uma esquerda – em seus protestos denunciavam um cartel midiático que manipula informações. Em suma, ficamos semanas ouvindo pronunciamentos rasos de candidatos, acessórias e companheiros de partido – além de twiteiros inúteis como eu – sobre mídia, liberdade de expressão e censura.

No período da ditadura militar brasileira, a censura ocorria de modo direto sobre os meios de comunicação e expressões artísticas. No Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) existia a Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) responsável por analisar todas as notícias, eventos e obras, dando um parecer positivo ou negativo quanto a sua circulação. Sem dúvidas esse é o pior tipo de censura, por que pune fisicamente o individuo quando este tenta mandar alguma mensagem que é considerada subversiva pelo status quo paranóico, porém, uma coisa que os opressores aprenderam é que não podem obter uma sociedade relativamente estavel apenas repremindo os individuos discordantes. Eles precisam cooptar para seu lado os que estão na oposição, ou no mínimo tornar seu discurso rebelde em enfadonho e sem sentido para a população em geral. Por isso o governo militar começou a investir em eventos como Festival Internacional da Canção (FIC); buscou cooptar as emissoras de TV como feito com a Rede Globo; começou a financiar a produção de Filmes; e etc.

Apesar de grande parte da cultura rebelde ter sido veiculada nos Festivais, os vencedores quase sempre eram as canções mais bestinhas possíveis o que levava grandes figuras undergrounds como Torquato Neto a dizer coisas como: “Chico também se recusou a participar da FIC da TV Globo, a festa da mediocridade oficializada (e retardada) desta província”; “nota zero para a música que é horrível e idiota, zero para o FIC aí e pra quem gosta dele e de tanto atraso, de tanta província, de tanta repetição, de tanta permissão controlada, de tanto carnaval de mentirinha, de tanto engrupimento, de tanto atraso, atraso, atraso. Nota zero, embora isso não valha nada. Só pra não dizer que não falei de flores”.

Quanto ao financiamento cultural aos filmes brasileiros, eles passavam por uma censura de argumento central, conteúdo das imagens e público, ou seja, só eram financiados os filmes que não ameaçassem a ditadura, muito pelo contrário, tinham que ter amplo público, ser muito visto. Mais uma vez peço a palavra de Torquato sobre o Cinema Novo de Glauber Rocha que se institucionalizava: “Exibicionismo otário de novos ricos à beira da falência: é isso. Quanto custa um filme desse Jece Valadão? A pergunta interessa porque esse reencontrar o povo, segundo compreendo a partir do que afirmam os ideologos da industria, deve ser por aí mesmo. Um cinema experimental, aberto, livre, não anda mais nas cogitações da moçada (Gustavo Dahl, para a Revista Vozes: A liberdade não me faz falta). Querem faturar o mercado interno, é o que dizem. Na verdade estão gastando milhões de cruzeiros para cavar a sepultura em que se enterram. Tremendo programa, bichos. Uma loucura. Quero ver.”

Só que o povo vendo que o governo está tão “preocupado” com a cultura e sua circulação não percebe que na realidade os verdadeiros artistas contestadores vão perdendo espaço: eles NUNCA ganham um festival, seus filmes NUNCA vão ser financiados e eles NUNCA vão se apresentar na TV; ou seja, aos olhos da população geral eles não vão passar de meros incompetentes que não conseguem ser melhores que os outros, rebeldes sem causa, subversivos inúteis que não vencem um festivalzinho. O discurso dos artistas livres de verdade são neutralizados pelo povo, perdem efeito explosivo, e eles começam a ser censurados pela mediocridade geral.

Com o tempo a censura vai se tornando mais eficiente, branda, deixa de ser diretamente opressora e transforma os artistas em conformistas, concede espaço ao medíocre tirando o espaço do genial e contestador, e assim foi evoluindo até chegarmos nos dias de hoje. Sou um ativista cultural, filiado intelectualmente aos poetas marginais e a cultura underground brasileira da década de 70. Faço fanzines e estou tentando organizar um evento de culturas excluídas e etc, etc, etc, etc. Mas digo a todos os filhos da puta da grande mídia que se acham ameaçados e “CENSURADOS” que EU sou um dos que é verdadeiramente censurado!

Vocês tem milhões de reais para investir em suas revistinhas quase sempre medíocres, alimentando sempre o mais do mesmo e ainda recebem “prêmios” pelo lixo que divulgam. Eu tenho uma edição do fanzine cultural Meus Bagos no computador concluído a mais de 3 meses, o zine tem ilustrações cedidas gratuitamente por dois ilustradores e poemas de uns oito poetas locais, mas mal consegui tirar quatro impressões! Por simples e puramente falta de dinheiro.

Liberdade de expressão garantida por lei é muito boa! Dá uma falsa ideia de igualdade, por que ela na realidade custa caro aos bolsos e só quem tem pra gastar são os que menos se preocupam com liberdade de expressão. De que adianta a Liberdade de expressão para dizer ao seu colega algo contra o governo se quando a opinião da “mídia” se manifestar ele vai dar mais crédito aos “especialistas” que são pagos pra isso e por isso está pseudo-garantido que são melhores? De que adianta Liberdade de expressão se você não pode concorrer com os gigantes da imprenssa? De que adianta a bosta da Liberdade de expressão se você não consegue apoio pra um fanzine culturamente necessário enquanto uma revista de múmias literária com mais da mesma bosta todos os meses tem tiragem de 10.000 mensais pago pelo governo? Liberdade de expressão existe apenas para quem pode pagar, quase nenhum de nós pode.

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Além da censura financeira, temos a censura moral e a de déficit cultural. Não podemos nos expressar de qualquer maneira que as pessoas se ofendem, mesmo quando é uma mera bobagem. Nossa sociedade é tão paranóica que o processo judicial virou quase como uma recurso do ego a qualquer coisa que ele se sinta mínimamente mal. E déficit cultural é muito complexo e tenho muita preguiça de discutir isso, mas duas coisas podem dizer um pouco da sociedade brasileira em que vivemos:e o funk é considerado patrimônio cultural e Ivete Sangalo a representante da música brasileira. Pergunto: Será que não tem coisa mais relevante pra ser tombada como patrimônio, tipo, as cavernas pré-históricas descobertas no Piauí? Será que a música brasileira vai tão mal que Ivete seja nossa melhor cantora? Claro que não, existe muita coisa boa sendo feita musicalmente no brasil, mas… são censuradas, atacam a moral da sociedade, fazem questionar valores, o ocidente, ás vezes até sua própria existências, e etc. Muita banda pequeno por aí faz um som do caralho mas não tem dinheiro, não é abraçado pela mídia grande mesmo com sites quase abandonados na internet por falta de visita. O exemplo atual de falta de influência é o twitter, onde um famoso diz que solta um peido e sua mensagem repercute em toda a bolha virtual, enquanto alguém que fale coisas minimamente interessantes morre sem receber uma mensagem se quer.

Enfim, o público brasileiro não é educado para uma cultura de verdade, sua cultura é excessivamente populesca, do tipo puramente carnavalizante, circense. E do outro lado os “intelectuais” só possuem conhecimento livresco, engessado, múmificado, vivendo em suas tumbas piramidais de conhecimento inútil, com seus corpos apodrecendo inutilmente.

“HÁ, PARA DE BESTEIRA TEM A INTERNET”. A internet para nós usuários comuns ainda funciona como se tivessemos falando com um amigo ao lado… quantas pessoas no Brasil usam internet? Quantas dessas tem cultura o suficiente para lerem coisas além do G1 e R7? Quantas pessoas usam a internet para adquirir informação e não pra ver pornografia ou conversar com seu amigo que vê o dia todo enquanto estiver em casa? Não estou dizendo que não devemos fazer essas outras coisas, mas sim que a internet ainda tá longe de ser uma mídia que ameace o controle da informação, quando de fato as pessoas obtiverem a cultura de se informarem por várias fontes na internet e etc, não tenho dúvidas de que essa censura sensível vai chegar nela. Por enquanto ela serve apenas de discurso para apoiar a falsa Liberdade de expressão. Na internet você é livre pra dizer o que quiser, exatamente porque ninguém vai te ouvir, somente um número ínfimo de pessoas à sua volta.

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Blogs abandonados por falta de leitores e twitters falando coisas interessantes sendo esquecidos por não serem de uma grande personalidade. Isso tudo é fruto de uma censura intelectual que se dá na nossa raiz mental, desde que começamos a ser educados e não percebemos. Somos educados a ver censura apenas na interrupção direta das coisas e não no fracasso. O fracasso de um projeto, quase sempre é fruto de uma censura. Toda sociedade que não desensolve plenamente a capacidade de seus individuo s de realizarem algo, por mais felizes que eles se considerem vivendo na medíocridade, é uma sociedade de censura.

Termino esse texto com trechos lindos de Torquato Neto, escritos na sua coluna “Geléia Geral” no jornal “Última Hora” numa terça-feira, no dia 2 de novembro de 1971, chamado “mais conversa fiada”:

1 – E agora? Eu não conheço uma resposta melhor do que esta: vamos continuar. E a primeira providência continua sendo a mesma de sempre: conquistar espaço, ocupar espaço. Inventar os filmes, fornecer argumentos para os senhores historiadores que ainda vão pintar, mais tarde, depois que a vida não se extinga. Aqui como em toda parte: agora.

4- Chegue e me diga: eu te amo mesmo assim. Eu devo responder igual, como sempre. Chegue e me aperte na parede, grite comigo: Babilônia. E depois se esqueça de mim e continue. Vamos transar, vamos pintar, vamos gritar.

6- Eu quero muita alquimia, eu quero muita magia negra, amizade. Eu quero morrer cansado: não quero. Rogério Duarte estava me dizendo que na rua dos alquimistas todo dia explodia uma casa. Pum! Pum! Pum! Isso também é um batuque, tambores, tambores. A palavra subterrânea viu Uvigs? se escreve com i e não com e, manda me dizer, de Nova York, Hélio Oiticica. Waly está por ai revendo amigos, graças a Deus. Todo mundo se viu direito no show de Gal e se insisto nesse tema, calma, morena: me envenenou. O que é que eu posso fazer? E agora?

9 – Parece brincadeira e também é: se quiser grilo, tem. Se quiser samba, faça. Se quiser culpa, curta. Mas assim: abaixo a psiquiatria. Leiam as cartas de Artaud na Flor que é linda. João Gilberto é o melhor guru. Gal é a melhor cantora. Poetas do Brasil: POESIA! O romantismo é um neo-romantismo.

11- E o fim no começo, como sempre.

Seu deus é um lixo!

Eu devia ter uns 16 anos. Naquela época era comum eu e mais uns amigos nerds nos reunirmos para ir aos sebos do centro garimpar livros de RPG e ocultismo, comprar algum CD de metal importado na Galeria do Rock e depois passar na Liberdade para olhar aquelas mil coisas legais japonesas e não comprar nada. Era um tempo em que a Fonomag e a Animangá era points e você ter um mangá original em japonês fazia de você um cara fodão, mesmo que não soubesse ler um mísero caractere de qualquer alfabeto japonês.

(Pausa para os chatos de plantão: sim, eu sei que a Animangá não fica na Liberdade.)

Em uma dessas ocasiões já havíamos feito nosso garimpo e estávamos atravessando a Praça da Sé em direção ao Bairro Proibido quando fomos abordados por um evangélico. Normalmente eles se limitam a entregar algum panfleto, nos abençoar e sair andando. Mas este em particular viu um bando de adolescentes cabeludos e deve ter achado que era a missão divina dele nos salvar dos braços de Satã, pois começou a falar aquela ladainha que todo mundo já deve ter ouvido uma vez na vida. Após alguns minutos resolvo ser educado com ele:

– Entendo seu ponto de vista e tudo, mas já tenho religião. Frequento a Igreja Católica, participo de alguns grupos de lá…

Eis que nosso pretenso salvador me interrompe com a seguinte argumentação:

– Pois saiba que meu Deus é melhor que o seu!

Não sei se foi a raiva de ter ouvido uma merda dessas, se foi a pressa de ir embora ou se foi algum tipo de Epifania instantânea, mas me virei para ele de maneira um tanto quanto efusiva e disse:

– Seu Deus? SEU DEUS? Vem cá, seu Deus sabe dar combo aéreo?

O pregador pareceu ter entrado em pânico. Era óbvio que ele não sabia o que era um combo aéreo e não poderia dizer que “sim” com o risco de dizer que o Senhor fazia algo impróprio. Ele parece diminuir e responde de maneira vacilante:

– Não…

Não contente em ver um evangélico dizendo que seu Deus onipotente, onisciente e onipresente não poderia fazer algo, eu ainda solto:

– Então seu deus é um lixo!

E rindo efusivamente, continuamos nosso caminho discutindo como seria Jesus Cristo em um fight game dando 12 hit combo, um para cada apóstolo.

Liberdade, ontem e hoje (e um pequeno empecilho…)

Antes, uma pequena curiosidade mórbida, o bairro paulistano conhecido como “Liberdade” tem este nome devido a uma pequena ironia na época do Império, as redondezas do bairro eram conhecidas pela população como um campo de forca, onde escravos e dissidentes eram executados na forca, então para muitos, aquele era o único meio para alcançar a derradeira liberdade, não é a toa, que a Igreja próxima a estação de metrô é chamada de “Igreja dos Enforcados” e até hoje existem lendas sobre assombrações e espíritos no local.

O legal é que o bairro da Liberdade, de uma forma ou outra, agrega um contraste na tradição de emancipação e repreensão, para entender o último episódio, talvez seja interessante, ilustrar um pequeno contexto.

Antes de 1912, ou seja, antes do Kasato Maru, o Bairro era predominantemente português, sobre a paisagem cultural do bairro, a ocorrência de sobreposições e atritos sempre foram fenômenos comuns, primeiro os portugueses, então os japoneses, chineses e agora a imigração coreana, dos folclores tradicionalistas para a explosão do pós-moderno superflat, do acarajé ao lado do gyoza.

Com o boom da internet, a comunidade de apreciadores da cultura japonesa – com um foco no anime e mangá, principal vetor memético pra uma geração inteira –  tornou-se mais articulada, e, com tantos fóruns e redes sociais do início da web 2.0, foi uma questão de tempo até alguém marcar um encontro lá.

Um dos pontos mais famosos é uma pequena praça que existe logo na saída esquerda da estação do metrô, era comum nos finais de semana encontrar uma população heterogênica da fauna adolescente paulistana: punks de boutique, otakus, estudantes de artes marciais, V-K, góticos, headbangers, todos ali, fazendo uma cena capaz de escorrer uma lágrima no puto olho do Maffesoli.

Não é a primeira vez que o bairro serve de ponto de encontro para interesses em comum, na década de 70 houve uma proliferação de salas de cinemas, como o consagrado Cine Niterói, fundado por Susumu Tanaka, tais salas eram destinadas apenas à exibição de filmes japoneses, por muito tempo, tal circuito foi tão importante para o bairro quanto os restaurantes ou lojas especializadas.

(vale notar que muito desses cinemas hoje estão abandonados e em casos mais drásticos, em ruínas, ou até pior, tiveram sua estrutura aproveitada para Igrejas Evangélicas…)

O Bairro então, seja pela cultura ou pela presença das pessoas, nunca esteve morto, podíamos encontrar esses moleques – e alguns nem tão moleques assim… –  bebendo cerveja, lendo HQs e mangás, comprando DVDs pirateados e logo acima, tínhamos a feira de final de semana, com comidas orientais e muamba artesanal, assim como as associações, promovendo cultura e festivais.

O lugar sempre teve contrastes, podíamos conversar c/ o velho senhor Nikkei da mesma forma que podíamos encontrar aquela menina ocidental aspirante a Gyaru, o lugar sempre foi – e sempre será – uma verdadeira bombarda sensorial e sinestésica: cheiros, cores, sons e tudo o mais que tecnologia e corpo puderem provir, você.vai.encontrar.lá.

Ultimamente, porem, eu tenho percebido uma coisa, que na falta de palavra para definir melhor, é triste, nas últimas vezes que freqüentei o bairro pude notar que a praça estava vazia, mesmo para um fim de semana, e que, por mais estúpido que pareça, o motivo era uma pequena divisa, daquelas faixas que organiza fila pro cinema.

Ela se estendia de um canto para o outro, nos dois lados de acesso e embora existissem algumas pessoas na escada, o lugar estava deserto, imagine um espaço vazio em meio toda a densidade do bairro, é bizarro, não?

Questionei algumas pessoas – inclusive um segurança do metrô – e as alegações chegam a ser patéticas, depredações e lixo? Não muito diferente daquele produzido pela própria feira tradicional, orgulho do bairro. Drogas e Prostituição? Vale lembrar que a praça do metrô é próxima da Sé.

Claro, mais um pequeno entre tantos episódios da política higienista que a dobradinha PSDB/DEM tem promovido, me preocupa a natureza cívica dessa medida, já que a praça é um ambiente público, de acesso a todos e o que aquela faixa simboliza contradiz os mais básicos dos valores cívicos.

Em retrospectiva, não é a primeira vez que uma merda dessas acontece, vale lembrar no passado, c/ o Governo do Getúlio Vargas, banindo publicações e oratórias em idioma japonês, ou atualmente, onde senadores comandam o esquema de concessões em mídia, é natural ver este desdém em relação a proliferações culturais não planejadas.

O que eu sugiro? É que as pessoas insatisfeitas com essa medida, pulem, passem por baixo, ou simplesmente ignorem a maldita faixa, que no final das contas, não é nada, aquela praça – e qualquer outro maldito lugar –  é de todo e qualquer cidadão paulistano e não será mero pudor organizacional que vai impedir a erupção cultural que aquele bairro promove em sua essência.

Últimas vezes

Quando foi a última vez que você ouviu o canto dos pássaros pela manhã? Quando foi a última vez que saiu andando pelas ruas sem lugar definido para chegar? Quando foi a última vez que você se sentou num chão frio e sujo na escuridão densa da noite se perguntando “afinal de contas, quem sou? ou o que sou?” enquanto observava as estrelas? Quando foi a última vez que se divertiu como uma criança, com qualquer coisa, sem qualquer outra finalidade a não ser o simples prazer da diversão, em um dia que não fosse “final de semana”, folga ou férias?

Após essas perguntas, vêm outras: Quando foi a última vez que preencheu sua ficha do imposto de renda durante a madrugada, ficando sem dormir? Quando foi a última vez que forçosamente completou aquele trabalho escolar ou do serviço sem nenhuma vontade? Quando foi a última vez que suas obrigações sociais exauriram todas as suas energias ao ponto de fazê-lo esquecer que existe e que isso é mais do que obedecer as ordens externas? E principalmente, quando foi a última vez que você se sentiu criativo, inovador ou diferente, acreditou em si?

Leia o resto, bastardo!

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