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OcupaUSP: uma vitória pírrica para a sociedade paulistana

Esse final de semana eu abro a Revista Veja e me deparo com a matéria sobre a ocupação na USP, a revista – um dos maiores meios de comunicação do país – adota uma postura sequer imparcial, sem informação ou texto jornalístico, a matéria, em resumo, é uma demonstração de nojo à última onda de protestos que vem impactando a rotina do campus e ganhando espaço na imprensa.

O carro chefe da matéria “A Rebelião dos Mimados”, escrita por Marcelo Sperandio, era uma foto que ganharia uma notoriedade na internet, gerando inúmeras piadas pelo seu aspecto inusitado e debochado: um aluno – que em tese, faz parte dos manifestantes – se encontra sentado na cadeira, o que chama a atenção é o vestuário do rapaz, um macacão da GAP – uma marca importada de roupas casuais – e um óculos, supostamente, ray-ban.

E sem muitas delongas, o jornalista percorreu a matéria, desenvolvendo lições de morais, críticas à postura dos manifestantes, alegando que os alunos são apenas crianças mimadas, que protestam pelo direito de fumar maconha sem serem perturbados pela polícia militar, esse garoto se tornou o “retrato” da pequena ocupação que se desenvolveu no campus.

Os protestos tiveram como pontapé inicial a prisão de três alunos por porte e consumo de maconha dentro das imediações do campus no dia 27/10, quando diversos estudantes, em “demonstração de solidariedade” resolveram impedir que a PM prendesse seus colegas universitários.

Isto foi o estopim para reaver um antigo trauma da comunidade em relação a presença policial no campus, entre inúmeros argumentos, alega-se que a presença dos mesmos é uma ferramenta para coibir manifestações e até mesmo a liberdade de expressão.

De forma coincidente, dia 31/10, um rapaz chamado Thiago De Carvalho Cunha, um dos militantes do Acampa Sampa, a manifestação paulistana para o movimento global Occupy Wall Street, invadiu e interrompeu uma matéria do Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão, em entrevista, o mesmo declarou: “Sou muito politizado, tenho 23 anos e, no momento, sou sustentado pela minha mãe”.

No dia 7/11, um dia antes do ultimato promulgado pela Justiça para que os manifestantes desocupassem o prédio da reitoria, o cinegrafista da Rede Bandeirantes, Gelson Domingos, foi baleado durante a gravação de uma invasão do BOPE a uma favela carioca, este triste incidente reacendeu um antigo debate brasileiro: “quem financia o tráfico de drogas?” Claro que o bode expiatório caiu nos ombros da juventude universitária da classe média brasileira.

E para finalizar o cenário, fica no ar a influência da onda de “marchas” que começaram após forte intervenção policial sobre a passeata a favor da legalização da maconha que ocorreu na Av. Paulista, o movimento ganhou projeção nacional, usando o direito da liberdade de expressão em sua vanguarda, fica a expectativa de o quanto do progresso alcançado pelas marchas será danificado após o término da ocupação.

Tenho acompanhado o desenvolvimento do argumento que pessoas “ricas” são isentas do direito de manifestar-se, ou seja, rico não pode protestar, uma vez que possui acesso a tudo, educação, saúde e entretenimento, não existem espaço para queixas ou o direito de reivindicar direitos, isto não passa de um sintoma de miopia social, um argumento da mesma lógica utilizado pelo jornalista Marcelo Sperandio.

A própria Veja, conhecida pelo público por ser uma periódico de centro-esquerda, em que seu editorial já defendeu mais de uma vez os fardos da classe média ao longo da administração petista encontrou uma pequena contradição ao condenar as manifestações universitárias, declarando que a mesma é encabeçada por “filhinhos de papai maconheiros”.

A instituição conta – no momento – com 89 mil alunos, ao contrário do estereótipo que foi fomentado por veículos como a Revista Veja, o clima na USP é despolitizado, onde muitos alunos ministram seu tempo intercalando matérias, estágios e cursos de idiomas oferecidos dentro do campus.

Outro argumento comum para dissimular a legitimidade os protestos se encontra no volume de alunos manifestantes em comparação ao resto da população do campus, considerando os mesmos como uma minoria e por isso, isenta de voz, uma constatação que vai contra os princípios democráticos.

O sociólogo Carlos Henrique Metidieri Menegozzo, em entrevista a revista Carta Capital, afirma que a mentalidade radical na USP passa por dois processos que se encontram em polos opostos e conflituosos.

Os da esquerda, na definição sociológica, são em parte resultantes de uma ideologia do descondicionamento de classe, “surgida quando o estudante é desobrigado de criar condições para seu próprio sustento”. Nesse caso, o estudante universitário, em sua maior parte de classe média e relativamente dependente dos pais, tem a impressão de que pode tudo. De acordo com Menegozzo ““O aluno imagina que pode assumir um comportamento político desligado de condições materiais e de interesses de sua classe origem”.

Já a direita, nas palavras do sociólogo, é reflexo da expressão de um movimento da classe média de maneira geral e que influencia o comportamento estudantil, quando segmentos da sociedade ascenderam após as políticas sociais estabelecidas no governo Lula, a antiga classe média vivenciou uma perda de status e poder, e o crescimento de uma mentalidade mais conservadora e agressiva é resultado direto dessa sensação de perda, o que é visto opiniões que envolvem políticas de cotas, por exemplo.

Por último, existe o confronto estatístico, alegando os resultados após a presença da PM e seu impacto na rotina dos alunos, um levantamento feito pela Polícia Militar 80 dias após o assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva ocorrido em maio, os furtos de veículos caíram em 90% (apenas dois casos foram registrados, ante os 20 anteriores). Já roubos em geral passaram de 18 para 6, uma redução de 66,7%. Roubos de veículos caíram 92,3%, passando de 13 para 1.

Outros dois crimes que tiveram redução foram lesão corporal, que caiu de nove para dois casos (queda de 77,8%), e sequestro relâmpago, de 8 para 1 (redução de 87,5%). Os dados estão em boletins de ocorrência registrados nas delegacias do entorno da Cidade Universitária.

Dos 103 boletins de furtos registrados depois da morte ante os 107 do período anterior, apenas 20 ocorreram em via pública, sendo 19 no interior de veículos, dos quais em 12 o objeto visado foi o estepe do carro. O outro furto foi de uma placa de veículo.

Os outros 83 casos aconteceram no interior das unidades, onde a PM não entra. Nesses locais, a competência de garantir a segurança é das empresas privadas de vigilância, contratadas pelas próprias unidades, ou da Guarda Universitária da USP, que tem como função proteger o patrimônio da instituição.

O argumento das alas mais radicais dos grupos universitários é que a presença da Polícia Militar tem servido para inibir os atos democráticos de manifestações, que, diga-se de passagem, são comuns dentro de meios acadêmicos.

A presença política nas manifestações – parte do intricado mosaico geopolítico da universidade – é apenas outro ponto, se embora a manifestação dos alunos possa ser consideração legítima, a ocupação da reitoria dia 01/11 foi encabeçada por grupos políticos como o PCO, a presença de bandeiras como a do PSTU e do PSOL podem ser encontrados entre os ocupantes, algo que nós podemos considerar como ato político e questionável.

A reação contra a presença policial no campus tem repercutido um criticismo sério por parte da população, que veem nas reinvindicações dos universitários nada menos que um “luxo”, alegando que não precisam de um direito do cidadão – o de proteção – enquanto diversas outras comunidades do município de São Paulo carecem do mesmo direito.

Em infeliz declaração a imprensa, Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo declarou sobre a situação : “Ninguém está acima da lei”, o profº Jorge Luiz Souto Maior, livre docente da Faculdade de Direito da USP foi pertinente em argumentar: “Ninguém está acima da lei”, traduz um preceito republicano, pelo qual, historicamente, se fixou a conquista de que o poder pertence ao povo e que, portanto, o governante não detém o poder por si, mas em nome do povo, exercendo-o nos limites por leis, democraticamente, estatuídas. O “Ninguém está acima da lei” é uma conquista do povo em face dos governos autoritários. O “ninguém” da expressão, por conseguinte, é o governante, jamais o povo.”

Muito foi dito sobre políticas de controle e higienismo no estado de São Paulo por parte da administração do PSDB, sabe-se que 25 das 32 subprefeituras do município possuem no comando reservas ligados a Policia Militar, também existem cerca de 90 oficiais em cargos considerados estratégica para a máquina pública paulistana, entre eles podemos citar a Secretaria de Transportes, Companhia de Engenharia de Tráfego, Serviço Funerário, no Serviço Ambulatorial Municipal, na Defesa Civil e Secretaria de Segurança.

Dia 08/11, por volta das 5:20 da manhã, um grupo de 400 policiais do batalhão de choque invadiram a reitoria com o objetivo de retirar os 150 alunos ocupantes do prédio, embora a assessoria da Polícia Militar alegue que a retira foi pacífica (embora, relatos de uso de gás lacrimgênico e abuso de força cheguem aos poucos, como nesse vídeo aqui), cerca 70 manifestantes foram presos, com múltiplas acusações, que vão de crime ambiental a formação de quadrilha, também foram encotrados, armas brancas e molotovs nas imediações ocupados, muitos detidos só conseguiram responder aos processos após o pagamento de fiança ou seja, os atos de manifestação foram considerados criminosos de acordo com a administração do município.

Todo o cenário poderia ter sido um de vitória, de manifestações pacíficas e reivindicatórias, sem a presença de joguetes políticos ou depreciação do patrimônio público, ao mesmo tempo em que as autoridades o papel que lhes cabe a sua jurisdição.

Ambos os lados tem ganhado notoriedade por seus atos exaltados e violentos, mas aqui eu questiono o que – nós – como povo conquistamos após esse episódio? Após a ação policial, parte da opinião pública aclamou pela intervenção brutal promovida pelo Batalhão de Choque, enquanto parcelas da comunidade universitária encontrarão no ato de agressão uma justificativa para seus argumentos radicais, tudo o que nós, o povo, conseguimos foi uma vitória pírrica.

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte II – O Lado Sombrio dos Verdes

Marina discursando em Tatooine.

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

"Quem esse ewok pensa que é?"

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de apontar as igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Uma Nova Esperança?

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro. Devem haver outros tantos por aí.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva / PV e os passos para trás que PT e PSDB estão dando para conquistar seu apoio,  começo a ouvir a trombetas do Apocalipse tocando os primeiros acordes da Marcha Imperial.

Eu sinto um distúrbio na Força, e você?

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de a

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

lianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte I – Os Erros dos Adversários

Independente de quem vá ganhar o 2° turno da eleição presidencial deste ano, a única candidatura realmente vitoriosa foi a de Marina Silva pelo Partido Verde (PV). Parece uma grande loucura dizer isso uma vez que ela não foi eleita e não passou de 3° nas pesquisas, mas vamos analisar o cenário e seus fatores um pouco mais a fundo.

José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estiverem em algum momento da corrida presidencial com o jogo praticamente ganho e por erros da própria equipe de campanha ou de algum aliado colocaram tudo a perder.

Serra despontava como favorito até o primeiro semestre, mas aí sentou em cima de seu favoritismo e usou e abusou disso antes do início oficial da campanha. Primeiro atropelou adversários dentro do próprio partido, barrando uma votação interna para a escolha de um candidato tucano e assim tirando Aécio Neves (MG) do páreo. Mas o mineiro tem uma base ampla dentro do partido (incluindo aí Geraldo Alckmin em São Paulo) e esse racha interno seria notado em todo o decorrer da campanha, com candidaturas do partido e da base aliada mostrando José Serra muito pouco ou até mesmo o omitindo totalmente em programas e santinhos.

Depois veio a demora em oficializar a candidatura. Pode parecer bobagem diante do fato que todo mundo já sabia que ia ser ele mesmo, mas diante da burocracia sem fim que é a Legislação Eleitoral brasileira, isso faz muita de diferença para definir alianças, arrecadações, doações e material de campanha.

E a cartada final foi a “escolha” do vice-candidato empurrado à força pelo DEM. A única coisa notável no currículo de Índio da Costa era ele ter sido o redator do projeto de lei Ficha Limpa e MAIS NADA. Era nítido que o partido aliado não tinha nada melhor para oferecer e a escolha foi alvo de chacota para muita gente.

Durante a campanha em si, o candidato José Serra parecia sofrer de uma doença muito em moda atualmente: Transtorno Bipolar. Ele tinha que falar mal a Dilma sem falar mal do Lula, um presidente com mais de 70% de índice de aprovação. E aí tivemos aquele discurso esquizofrênico, onde se falava mal do governo e se mostrava alinhado a Lula. Claro que ninguém engoliu isso e Serra caía cada vez mais nas pesquisas.

Já do lado petista a missão era árdua. Após escândalos de corrupção limarem boa parte da cúpula do PT, não havia um nome forte para a disputa nacional. As únicas opções eram Marta Suplicy, arrogante demais para ganhar a simpatia nacional, e Aloísio Mercadante (bem, este segundo não é exatamente um nome forte, para sentir o nível em que o partido estava). Coube então ao presidente Lula inventar uma candidata e daí surgiu Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, o ministério que é o “braço direito” da presidência. E fez plástica na mulher, repaginou todo o visual dela e a colocou para inaugurar mais obra atrás de obra. E ela contava com o melhor cabo eleitoral do momento: o próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva

Convém notar que não era Dilma quem estava ganhando e sim Serra quem estava perdendo. Se o governo Lula era tão bom assim a ponto do próprio tucano atrelar a ele sua candidatura, melhor votar na mulher que o presidente indicava, certo?

E dentro disso a candidatura de Dilma crescia, uma vez que o discurso de Serra acabou decepcionando quem votava nele e não convenceu o resto do eleitorado a mudar seu voto.

Percebendo que o próprio Serra não teria forças para derrubar a petista, a maior parte da mídia (que é a favor do tucano) rapidamente começou a dissecar qualquer aspecto da vida de Dilma e publicava qualquer coisa que achassem que poderia desaboná-la. E quando eu escrevo qualquer coisa entendam isso literalmente: usaram até o fato dela ter tido uma loja em tempos imemoriais que acabou falindo como exemplo de que ela não seria uma má administradora. Mas isso merece um post à parte. A questão é que cavoucaram tanta coisa que acabaram achando.

Veio então à tona um suposto esquema de quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB e familiares de Serra a mando do PT de São Bernardo. O candidato tucano ficou de “mimimi” em plena propaganda eleitoral contra esse crime contra sua filha. Mas após descobrir que meio mundo não tava nem aí pra sigilo fiscal, vir à tona que ele sabia disso desde janeiro e veio reclamar somente agora e que uma empresa da filha dele deixou exposto na rede dados bancários de todos os seus clientes, a denúncia perdeu força e foi para o limbo.

Foi então que descobriram que o filho da mulher que estava no lugar da Dilma na Casa Civil estava fazendo lobby. Pareceu confuso? Mas foi assim mesmo que a coisa toda foi noticiada. Mas como “água mole e pedra dura tanto bate até eu fura”, conseguiram convencer o eleitor médio de que de repente lobby passou a ser crime e Erenice “A Mulher que Dilma Colocou Lá” Guerra foi obrigada a pedir demissão do ministério. Aí o caldo entornou, pois por mais que Dilma e Lula dissessem que não sabiam de nada, foi no mesmo ministério que rolou o Mensalão que acabou derrubando José Dirceu. A mídia fez questão de lembrar a todos disso e como Dilma não era Lula, ela começou a recuar nas pesquisas.

E aí vem o dado curioso. Serra estava perdendo votos por não se definir como oposição ou situação e o caráter denuncista e oportunistas de suas denúncias fez com que ele se estabilizasse nas pesquisas e não conquistasse voto nenhum. Já as cagadas do PT e do Governo Federal marteladas diuturnamente pela imprensa conseguiram corroer a candidatura de Dilma. Então para onde estavam indo estes votos todos?

Para uma candidatura de uma acreana que era analfabeta até os 16 anos e havia saído do PT não havia muito tempo por discordar da política ambiental do partido. Essa candidatura era de um partido que não tinha muita força nacional, mas é visto como simpático por todos.

É claro que estamos falando da candidatura de Marina Silva pelo Partido Verde. Descontentes com a alopração petista e esquizofrenia tucana começaram a ver nela uma alternativa viável para mostrar que não estavam contentes com a disputa principal sem desperdiçar seu voto em um qualquer. A equipe de campanha verde percebeu isso e então tentou o que muitos achariam loucura: um 2° turno entre Dilma e Marina.

(continua…)

Brainstorm

(AVISO1: post escrito sobre efeito de álcool. [Spider Jerusalem Mode – ON])

(AVISO2: texto escrito ouvindo a trilha sonora de “Pulp Fiction“, ouvir o som enquanto lê não ajuda a entender o texto, mas é bem legal)

Comecei meu dia lendo mais uma notícia da Folha de São Paulo sobre o “escândalo” da quebra de sigilo fiscal da filha do José Serra e pensei: “Foda-se”. Como bem disse o @alerocha hoje a tarde no Twitter, faz anos que sigilos fiscais são vendidos em todo o território nacional e qualquer um bem informado compra um CD desses na Santa Ifigênia em São Paulo. Portanto meu questionamento não é a Máfia da Quebra de Sigilos Fiscais e sim a divulgação desse esquema bem agora e ligando ao PT justamente quando Dilma Roussef está para ganhar no primeiro turno. Quebrar o nosso sigilo fiscal pode, mas fazê-lo para o PT e com fins políticos, não?

Na boa, alguém realmente acredita que esse “escândalo” vai abalar o resultado das eleições? Jader Barbalho e José Roberto Arruda foram reeleitos, Sarney está até hoje no poder. A emenda da reeleição de FHC até hoje está mal-explicada e ele ganhou de lavada. Os “aloprados” do PT de 2006 nem riscaram a reeleição de Lula. Acusem a Dilma de ser sapatão, de ser terrorista ou coisa assim que terá mais efeito.

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A “Eleição 2.0” no Brasil

Quem estava achando que a Rede ia ter grande influência no pleito deste ano caiu do cavalo. Mais do que fomentar debates, muito do que se fala sobre política em fóruns e redes sociais ainda é pregação para quem já está catequizado. Sem contar que as pessoas usam pouco a Internet para se informar sobre o assunto e o número de internautas comparado com a população brasileira ainda é pequeno.

Os mais entusiastas imaginavam um cenário a lá Obama, com militantes voluntários movendo mundos e fundos para seu candidato favorito, mas esqueceram-se de alguns fatores essenciais:

– Nos EUA não existe campanha gratuita na TV e toda inserção em horário comercial é paga. Logo o candidato tem que se virar muito mais para aparecer em todos os canais ou pelo menos nos mais relevantes. E se o cara não tem dinheiro tem que inventar alternativas viáveis. Já aqui no Brasil o infame “Horário Político” garante a todos seus segundos de fama em rede nacional de rádio e televisão. Portanto o grande foco dos nossos políticos são esses veículos;

– Nos EUA o voto é facultativo. Então os políticos tem que convencer o cara a sair de casa voluntariamente para votar, o que acarreta em um voto mais militante (e eu diferencio militante de conscientizado). Aqui somos obrigados a votar e as vezes acabamos votando em qualquer, afinal, eu tive que sair de casa mesmo, não é?

Porém mesmo não tendo a influência que muitos achavam que teria, a Internet está sim tornado esse pleito o primeiro “2.0” por uma série de razões. Vamos a elas.

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