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BABACA DA SEMANA – Eduardo Alves

QUEM É

Político brasileiro, Henrique Eduardo Alves é deputado federal pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) pelo Rio Grande do Norte e atual líder do partido na Câmara dos Deputados.

Formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, disputou sua primeira eleição como deputado federal em 1970. Concorreu à prefeitura de Natal duas vezes, mas perdeu. Tem NOVE mandatos consecutivos como deputado. É líder do partido na câmara desde 2007.

Já não bastasse isso, é ainda um dos proprietários do Sistema Cabugi de Comunicação, conglomerado que possui, entre outros, a TV Cabugi (filiada á Rede Globo) e a Rádio Globo de Natal. Ainda é presidente do jornal diário Tribuna do Norte.

PORQUE É UM BABACA

Existe um órgão chamado Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contras às Secas), que em tese serve para combater a seca e é vinculado ao Ministério da Integração Nacional. Mas  desde de 1982 esse órgão não faz nada de útil (como a seca no sul do país prova este ano) e acaba sendo mais um espólio para partidos da base aliada do governo colocarem seus indicados em troca de verbas e ajuda em votações importantes.

Quem chefiava este órgão era Elias Fernandes, apadrinhando político de nosso querido Eduardo Alves. Acontece que a Controladoria-Geral da União apontou desvios de verbas de obras sob responsabilidade desde órgão no valor de R$ 192 mil e mais R$ 119,7 mil de prejuízo com pagamento de pessoal. Já não bastasse isso, perceberam que alguns convênios firmados com prefeituras beneficiaram (e muito) somente as regiões onde Eduardo Alves tinha base eleitoral.

Diante de tudo isso, a presidente Dilma se viu na obrigação moral e cívica de exonerar Elias. Eis então que nosso notório personagem da semana, indignado com uma possível demissão de seu afilhado político e perda de poder, solta a seguinte bravata:

“O governo vai querer brigar com metade da República? Com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores. Vai brigar por causa disso?”. Ele ainda deu a entender que, se a exoneração ocorresse, o PMDB poderia deixar a base aliada.

Como assim, senhor Eduardo Alves? Seu indicado no órgão é um corrupto incompetente e ao invés de você mesmo mandar o cara embora, ameaça quem faz o que é certo? Quem disse que o PMDB é “metade da República”? Quem você pensa que é para falar em nosso nome assim, com quem quer que seja? Todo o seu partido vai realmente jogar a aliança com o governo federal para o alto em nome de um corrupto? Menos, meu caro, menos. Acho que o poderzinho que seu partido te deu subiu a cabeça.

Tanto que no dia seguinte às ameças, Elias foi exonerado. Inclusive foi mandado embora mais rápido ainda em função das sandices expostas acima. E o excelentíssimo Eduardo Alves não brigou e nem cumpriu nenhuma das ameaças.

POR TUDO ISSO, EDUARDO ALVES, VOCÊ É UM BABACA.

E como parece que ele vai indicar o próximo nome a assumir o Dnocs, eis os contatos do deputado para que você também diga que ele não está autorizado a falar em nome de metade da República, ou pra chamar o cara de babaca também.

Site oficial

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Página do deputado no site da Câmara dos Deputados



Conhece algum babaca que deveria estar aqui? Mande suas sugestões nos comentários ou pelo e-mail leosias@gmail.com e quem sabe o babaca indicado não seja nossa estrela na semana que vem!

Dossiê #FORAREITORUFPI

Esse dossiê foi criado graças a hashtag do twitter #FORAREITORUFPI, no qual os estudantes da Universidade Federal do Piauí postaram links com notícias da má administração do Reitor Luiz Junior. Além da minha experiência pessoal na instituição referida.

Talvez esse imenso artigo só interesse a quem vive na UFPI, mas deixo claro que a principio não acredito mais na Universidade como centro de discussão e projeção de idéias, hoje servindo EXCLUSIVAMENTE como extensão do ensino médio e escada para o mercado de trabalho, se servindo da reprodução de reproduções de bibliografias por mitose. Porém vejo que o que vem acontecendo na UFPI pode ser sintomático do que ocorre em todo o ensino superior brasileiro, revelando uma hierarquia fétida das nossas Instituições Federais. Começo agora um relato um pouco detalhado das sujeiras da segunda gestão do Reitor da UFPI.

Segunda Administração de Luiz Junior

2008

Cartões Corporativos e improbidade administrativa

O atual reitor, Luiz Junior, da Universidade Federal do Piauí foi reeleito em maio de 2008, tomando sua segunda posse oficialmente em novembro. Neste mesmo ano acusações antes silenciadas ou que ficavam apenas no âmbito interno da instituição explodiram tanto a nível estadual quanto nacional. O principal veículo de exposição que desencadeou a mídia nacional por inteira foi a Folha de São Paulo que constatou – em meio a lambança de gastos indevidos em todas as UFs do país- que a UFPI havia sido a segunda universidade que mais havia gasto no uso de cartões corporativos. O gasto em 2007 foi de R$ 402,8 mil, para ser preciso. O grande problema no uso do cartão corporativo é porque o dinheiro é sacado em caixa eletrônico, teoricamente para situações emergenciais, mas estava sendo usado para fins de farras administrativas em todo o Brasil. Na Unifesp, R$ 9.500 havia sido usado apenas em restaurantes, na UnB até pra pão e compras de supermercado o cartão foi utilizado, além de festas. Na UFPI ocorreu dois saques de 28 e 30 mil reais respectivamente, muito dinheiro para “emergência”. A desculpa que o reitor deu foi que os números só parecem exorbitantes, mas não são, e que a UFPI está em segundo lugar nos gastos apenas porque outras instituições não usavam o cartão até aquele momento. Indagada pelo Portal AZ em 2008, a professora Carminda Luzia que usou R$ 5.500, disse que compra “material de escritório, como cartuchos, fechaduras, copos, peças para carros da universidade”. 99% dos gastos com o cartão corporativo foi sacado em caixas eletrônicos, o que é minimamente estranho, pois poderia ter sido usado diretamente na compra dos materiais, sendo descontado na fatura, ao retirar no caixa o dinheiro fica sem previsão de gastos.

Por essas e outras (acusação de que havia contratação irregular de propaganda, sem uso do processo de licitação, somando R$ 116 mil, uma bela quantia) o Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar o Reitor. Segundo o Procurador da República no Piauí Kelston Lages diz que Luiz de Sousa Santos Júnior e José Joacir da Silva cometeram “atos de improbidade administrativa, por terem causado lesão ao erário, diante de condutas dolosas” pois “realizaram operação financeira sem observância das normas legais, permitiram despesas não autorizadas em lei, liberaram verba pública sem a observância das normas vigentes e atentaram contra os princípios da administração pública” [1].

Porém antes de toda essa confusão o vice-reitor da gestão de 2004-2008, o professor Antônio Silva do Nascimento já delatava Luiz Junior como gestor autoritário, pois considerava que o “atual reitor impõe e desperta medo nos funcionários, tem uma política de toma-lá-dá-cá, e a academia não pode se submeter a processos dessa ordem” [2]. Ele usa como exemplo a sua remoção do cargo de Diretor do Hospital Universitário da instituição sem aviso prévio, ou qualquer tipo de conversação, sendo uma atitude arbitrária do Reitor que com uma canetada o tirou da função em Agosto de 2005, junto a isso denuncia a ocorrência de várias outras situações similares, em que pessoas foram destituídas dos cargos sem qualquer clareza quanto ao motivo.

Ainda em 2008 o Reitor destacou para o ministro da educação Fernando Haddad a “expansão da UFPI”, destacando dezenas de números enormes, usando a velha estratégia tecnocrática de que quanto mais os números aumentam mais as coisas estão melhores. Mentira. De 2004 para 2008 a instituição aumentou de 42 cursos para 92, porém como veremos adiante, ainda hoje esses cursos (e parte dos antigos “42”) estão totalmente desprovidos da estrutura física mínima para um bom ensino. O alunado, segundo o reitor, aumentou de 13 para 16 mil, porém o HU nunca foi inaugurado (promessa de mais de 20 anos) e os outros Restaurantes Universitários só começaram a funcionar recentemente, mesmo a Residência Universitária só tem espaço para algo em torno de 200 estudantes, não sendo suficiente pra suprir porra nenhuma do número de estudantes que vem do interior do estado ao Campus de Teresina, por exemplo. Na fala ao ministro, ele destaca que 12 novos cursos de pós-graduação haviam sido criados, como se fosse um feito dele e não das coordenações e departamentos de cursos que batalharam muito para conseguir. Já em 2008, o MEC através da intervenção do ministro da educação, transferiu 15 milhões para a conclusão do HU, que segundo o reitor na época, teria suas instalações físicas finalizada em setembro de 2008 (Hospital Universitário este nunca terminado, até hoje).

2009

Cartões Corporativos

O ano 2009 para a UFPI continuava a saga dos cartões corporativos, a procuradoria da união em protocolo de acusação pedia a devolução do dinheiro usado indevidamente. A Folha de São Paulo retorna a publicar um artigo sobre o caso dos cartões, agora especificamente sobre a UFPI e as acusações de improbidade administrativa do Reitor e outros administradores a sua volta. Irritado o Reitor diz que a especulação midiática em relação aos processos que ele está respondendo é apenas “falta de notícia na imprensa” [3]. Em maio deste ano, após ser chamado para depor na 1ª Vara, o pedido de afastamento do Reitor é negado pelo juiz Brunno Chistiano Carvalho Cardoso, da 5ª Vara, por falta de “provas incisivas”. Sendo silenciado até os dias de hoje.

Ministério Público

Outro processo sofrido pelo Reitor neste ano foi o aberto pelo Ministério Público contra a cobrança de taxa em curso de extensão e instrumental na UFPI, pois estes que deveriam ser gratuitos na instituição (que visa uma formação ampla e gratuita) possuem taxas de mais ou menos 100 reais (nos cursos de línguas: “Valor único por semestre de R$ 130,00 (cento e trinta reais) – valor base ago./2009. Os alunos deverão adquirir o material didático separadamente.” [4]), ou mesmo mais que isso por período. É interessante notar as proposições da ADUFPI (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí) de que o Reitor escolheu o pró-Reitor Saulo Brandão para relator do citado processo do MP, e este Brandão é o mesmo que implementou as cobranças de taxas a partir do primeiro dia da primeira gestão do Reitor Luiz Junior. Por que ele acabaria com as taxas agora se ele mesmo as instituiu? Pergunta o Observatório Adufpi, realmente, não faz sentido. Depois disso os cursos de extensão de certa forma entraram em colapso, tendo suas execuções atrasadas em todos os períodos subseqüentes a acusação do MP.

Autoritarismo

Para citar um exemplo de autoritarismo em 2009, o Reitor exonerou Kilpatrick Muller da presidência da COPESE (A Coordenadoria Permanente de Seleção do vestibular da instituição) após este acusá-lo de ter “práticas patrimonialistas”, ou seja, agir com a propriedade e dinheiro público, como se fosse um bem individual. A ADUFPI pediu a abertura do inquérito referente a exoneração, mas não foi respondida.

Greve de estudantes

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Contrariando o discurso tecnocrático e numérico do reitor em 2008 para o Ministro da Educação Haddad, os estudantes da UFPI no Campus da cidade de Parnaíba entram em greve contra a falta de infra-estrutura mínima para realização dos seus cursos. Os cursos que entraram em paralisação foram: Fisioterapia, Psicologia, Bio Medicina, Engenharia de Pesca, Matemática e algumas turmas de Turismo; reivindicando mais salas de aulas, equipamentos e laboratórios. “Não é admissível esse total desinteresse da Instituição com a formação de seus alunos, no curso de Fisioterapia, por exemplo, estamos tendo aulas práticas no chão, porque faltam até mesmo macas” [5] diz uma estudante ao Portal AZ. Em 2010 e até em 2011 essas manifestações continuam, e como veremos adiante não são bem vistas pelo magnânimo Reitor.

Violência

No final de 2009, em um episódio trágico estudantes apanham de seguranças da UFPI em uma manifestação que não era violenta. O fato é que a instituição iria ceder ao ex-governador Hugo Napoleão, amigo pessoal do Reitor, um titulo Doutor Honoris Causa, que a comunidade acadêmica recebeu negativamente e compareceu para protestar contra essa afronta a moral da instituição, pois Hugo Napoleão faz parte do grupo político que dominou o estado durante a ditadura militar e até os fins da década de 90, além de ter sido acusado de desvio de 6,7 milhões de reais em 2003.

Um grupo pequeno de apenas 30 estudantes mais ou menos se reuniu em frente ao local onde o titulo estava sendo entregue e gritaram coisas como “Hugo ladrão, Reitor também ladrão” e foram recebidos em um espaço que era normalmente de livre passagem, por uma barreira de guardas que agiram violentamente atacando os estudantes e rasgando faixas que foram levadas, por ordem da administração superior, a magnificência Luiz Junior. Descreditando mais uma vez o nome já sujo da instituição e colocando de vez o nome do Reitor não apenas entre a fauna urbana dos colarinhos brancos do país, mas também entre os mais autoritários administradores públicos. Apenas em abril de 2010 os seguranças foram condenados pelas agressões, porém como sempre, sem atingir a figura do Reitor: http://www.180graus.com/geral/segurancas-da-ufpi-que-agrediram-estudantes-sao-condenados-321842.html.

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Não esqueçamos também, que o ano termina sem o Hospital Universitário se quer estar próximo de sua conclusão estrutural, muito menos de sua inauguração que não aconteceu até hoje.

2010

Nova acusação do MP

Em janeiro de 2010 Kilpatrick Muller, aquele que foi exonerado do cargo de presidência da COPESE em 2009 por não ter assinado um pedido do Reitor, resolve abrir o bico e denuncia ao MP enriquecimento ilícito por parte de Luiz Junior e outros administradores através de dinheiro da universidade. Valores que segundo o proponente da acusação, é superior a um milhão de reais. Diz que cada membro da COPESE recebeu em torno de 31 mil reais, quando só deveria ter recebido no máximo 4 mil. O reitor rebate a acusação dizendo que Kilpatrick é medíocre e faz parte da oposição, como se apenas isso servisse para encerrar as investigações (e serviu). Além disso, ele relembra o motivo pelo qual o referido professor foi exonerado do cargo de presidente da COPESE: “Ele (Kilpatrick Muller Bernardo Campelo) foi demitido por incompetência. Chegou um dia que precisava assinar uma documentação e não aceitou. Eu estava viajando para Fortaleza-CE e liguei para ele para saber o que aconteceu. Mas ele insistu em dizer que não ia assinar. Quer dizer, descumpriu com o que a UFPi estabelece e perdemos a confiança nele. Daí resolvemos demiti-lo” [6]. No entanto, que tipo de documentação era essa que ele queria assinar? Não é dito. O que me parece evidente é que o dinheiro corre solto na COPESE e na Fundação Cultural de Fomento à Pesquisa, Ensino e Extensão da UFPI, principalmente para os aliados do Reitor. Mas é bom notar que todos os aliados do magnânimo em um momento ou outro viram de lado, pois até aqueles que ocuparam cargos de confiança designado por ele, se viram contra sua tirania.

Mídia

O notório é que a mídia olha para a universidade com olhos viciados, apontando a UFPI apenas como um local de eminente progresso tendo em vista as obras advindas do dinheiro do REUNI. Obras essas, porém, que parecem nunca chegar a sua conclusão, como o HU, parte do Centro de Tecnologia e as estradas que cortam o campus de Teresina.

As denuncias ocorridas junto ao MP, tem cobertura inexistente nos jornais impressos, muito poucos desfechos na mídia virtual e alguns flashs desinteressantes no jornalismo televisivo, revelando o pouco interesse da imprensa local com a saída do reitor, talvez porque o estado como um todo bebe da fonte acadêmica da UFPI, ficando literalmente com o rabo preso.

Não podemos esquecer também que a UFPI só fica atrás financeiramente no estado do Piauí na verba recebida, ao Governo do Estado e ao município de Teresina, sendo superior portanto a 99,9% do orçamento de todas as outras instituições do Piauí, o que torna Luiz Junior, Reitor, o terceiro homem politicamente mais forte do estado. Qual o interesse da mídia em meter o nariz em alguém assim? Nenhum.

Canteiro de Obras ilimitado

Em março a UFPI recebe mais 30 milhões do Ministério da Educação e Cultura, cujo 19 milhões vão ser investidos no HU mais uma vez, para compras de equipamentos, que o Reitor prometia finalizar a obra em 2008 e comprar equipamentos em 2009, junto a esses 19 milhões se tem os 15 milhões de 2008, somando 34 milhões que superam a expectativa de 30 milhões necessários para a construção da obra, que permanece inacabada até hoje, após 20 anos de desvios constantes, metade deste tempo sob gestão de Luiz Junior.

Numa inauguração de blocos do Centro de Tecnologia, estudantes e professores fizeram manifestações contra o autoritarismo do reitor Junior. Primeiramente pelos desvios de verba que vinha cometendo nos últimos anos e depois contra mais um golpe desferido contra a democracia. O que acontece é que um diretor de centro foi eleito no CT, porém o reitor empossou alguém de sua laia e não aquele escolhido de forma democrática. Com apitos e gritos os estudantes e professores se mantiveram em frenesi gritando frases e segurando faixas contra o ditador da UFPI. A brecha encontrada pelo Reitor para empossar o perdedor nas eleições de centro é que: “por lei, para ser diretor de qualquer centro acadêmico hoje, é preciso ter uma especialização a mais, é preciso ser no mínimo doutor”.

Ainda em 2010, por volta de abril, começou a construção de um Portal inútil academicamente, com custo de mais de 1 milhão de reais, que só foi inaugurado em 2011. O tal Portal serve apenas para coroar o gosto por obras faraônicas do reitor, cujo pelo menos essa foi construída dentro do prazo, já as outras… mas ainda assim, uma obra inútil e se servia para embelezar e dar uma autoridade estética para a instituição, falhou amargamente, pois não passa de um pastiche moderno dos anos 70, totalmente ultrapassado e sem sal, futurismo retrogrado, eu diria. Retrogrado, insalubre, inexpressivo, e desnecessariamente caro.

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PSIU

Sem nenhum debate com os estudantes, ou estudos aprofundados na utilidade do ENEM no ensino superior, o Reitor adere completamente ao SISU, abandonando o Programa Seriado de Ingresso na Universidade. O problema em si não é a adesão ao SISU, mas a falta de atitude democrática, a falta de debate com os principais interessados: os estudantes.

Ocorre uma super-valorização do SISU, esquecendo-se os problemas básicos que permeiam a UFPI. Louvam o que o programa tem de bom, mas se negam a ver os evidentes problemas que serão causados. Por exemplo, a Residência Universitária passa infinitamente longe de suprir a demanda de estudantes do interior do estado que vem para a capital, imagine com os estudantes que vem de outro estado? Mal cabe 150-200 estudantes lá, imagine 500, 1000, e assim por diante. Mesmo assim um dos argumentos para aderir ao SISU é a mobilidade do corpus estudantil… como se tivéssemos na UFPI estrutura mínima para isso.

Mais denuncia no MP

O Ministério Público abre processo através de denuncia da ADUFPI sobre a irregularidade das realizações dos concursos públicos realizados na UFPI. Segundo a ADUFPI o Decreto 6.944, de 21 de agosto de 2009 diz que as apresentações orais e as defesas memoriais devem ser gravadas, para avaliação posterior. Isso visa que a cúpula administrativa não manipule livremente os resultados dos concursos, pois os critérios usados para formação das bancas, são basicamente: ser amigo do rei ou amigo de um amigo do rei.

Mais agressão

As manifestações pedindo estrutura mínima de estudo continuam acontecendo no campus de Parnaíba. Ao saberem da presença do reitor na cidade, os estudantes paralisam o carro do magnânimo quando ele se dirigia para a inauguração do Restaurante Universitário e quando menos esperavam, foram agredidos por seguranças ao mando do reitor. Outros estudantes tentaram se aproximar, para pedir explicações sobre a situação precária dos seus cursos e foram também recebidos com agressões.

Oficialmente a UFPI negou através de nota ter ocorrido alguma agressão, o mesmo que aconteceu em 2009, mas ao menos os guardas que agrediram os alunos em 2009 foram condenados, desmentindo a nota emitida pela instituição. O reitor se negou a conversar com os alunos, mesmo que antes tenha prometido realizar uma audiência. Foi embora do campus após a inauguração do RU ter ocorrido debaixo de intensa vaia do começo ao fim, um demonstrativo da insatisfação dos estudantes de Parnaíba, que o fez correr de volta pra Teresina onde fica mais seguro.

A Direção do Campus de Parnaíba, as únicas pessoas que tiveram a “honra” de entrar em dialogo com o Reitor no momento da inauguração do RU de lá, ainda tiveram o disparate de mandar uma nota de repúdio à manifestação dos estudantes, se referindo a ela como “desrespeitosa” e “ilegítima”. Pois, segundo a direção, através da estratégia tecnocrática de vomitar números, o campus de Parnaíba melhora vistosamente se comparada com antes das eleições de Luiz Junior! O único problema seria que o número de alunos aumentou, como se isso não fosse algo causado justamente pela política do senhor autoritário reitor. Enfim, os mesmos problemas que Junior deixava subentendido em 2008 ao então Ministro da Educação, cabem nos benefícios que o Diretor do Campus diz ter sido garantidos com a existência do magnânimo.

No meio dessa confusão e agressão em Parnaíba, termina 2010 de forma obscura na UFPI.

2011 e os problemas atuais

Vou relatar agora brevemente alguns problemas que vi em 2011. O HU parece que depois de 20 anos em obras vai finalmente ser finalizado, porém, corre sério risco de uma privatização parcial por causa da MEDIDA PROVISÓRIA Nº 520, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010. Vai ter muito burburinho e provavelmente agressão nas manifestações.

O Espaço Cultural Noé Mendes, onde acontecem frequentemente as culturais, calouradas, enfim, os eventos dos estudantes da UFPI estava em reforma desde 2010, mas parece que também vai ser reinaugurado esse ano, após investimentos que chegam a 1,3 milhões. Só que também vai ser parcialmente privatizado. Antigamente para se usar o espaço, bastava um cheque calção, para cobrir eventuais custos, caso fosse necessário, mas o que consta no novo projeto do espaço é que vai ter que se pagar taxas de uso, um cheque calção absurdo, entre outras barreiras. Basicamente vai impossibilitar o uso de um espaço que é publico, por causa de taxas altíssimas que podem chegar a 1000 reais com facilidade. Enfim, uma putaria do caralho que certamente vai beneficiar o bolso de algum amigo do reitor. Em breve vai ter muita confusão por lá, disso não tenho duvidas, é só esperar.

As greves continuam intensas em Parnaíba por parte dos estudantes e o Reitor diz para a imprensa que não EXISTE problema nenhum no campus, e fica por isso mesmo. Nada muda por lá, mesmo marasmo e um canteiro de obras infinito.

A UFPI passou quatro anos expandido seu espaço e só agora tiveram a inteligente idéia de aumentar o número de subestações de energia elétrica. Ou seja, planejamento zero, caso a instituição estivesse realmente zelando por um desenvolvimento minimamente sadio isso deveria ter sido uma das primeiras coisas a ter sido construída. Parabéns Reitor e equipe.

Não é só o Reitor que é problemático, basicamente todos aqueles que estão lotados em cargos de confiança, que são os mais importantes e bem remunerados da Universidade, partilham de seu autoritarismo. Como exemplo cito a Prof.ª Dr.ª Antonia Dalva França Carvalho, chefe da comissão de currículo da UFPI e Coordenadora institucional do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID que vem usando de sua autoridade para de forma vexatória ameaçar e inibir professores e estudantes da instituição. Temos o caso do curso de história, que nunca teve seu novo currículo aprovado nos últimos sete anos, apenas por má vontade da referida professora com o curso. Essa mesma senhora é responsável por me reprovar no primeiro período de 2010 em Psicologia da Educação 1 apenas porque a desafiei em sala de aula, dizendo que sua aula era adestradora, antiquada e positivista, após ELA mesma me perguntar diante da turma. Lembro também que ela ameaçou reprovar em sala de aula quem falasse mal do rei-THOR. Uma vergonha pra uma instituição democrática e produtora de conhecimento… em teoria.

Enfim, já chega, esse post vai ficar gigante assim mesmo, pois é um dossiê sobre as atitudes do crápula.

Por causa de tudo isso que falei até aqui é que ando insistindo nessas ultimas semanas com a tag #FORAREITORUFPI e vou continuar por um tempo se você puder ajudar, seria ótimo!


[1] http://180graus.com/politica/reitor-da-ufpi-e-acusado-pelo-mp-e-a-folha-de-sp-repercute-80467.html

[2] http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/97842/623

[3] http://www.cidadeverde.com/ufpi-reitor-diz-que-e-falta-de-noticia-acusacoes-do-mpf-31269

[4] http://www.ufpi.br/cecli/arquivos/file/guia_aluno.pdf

[5]http://www.portalaz.com.br/noticia/municipios/137483_sem_estrutura_estudantes_iniciam_greve_na_ufpi.html

[6] http://180graus.com/geral/reitor-da-ufpi-acusado-de-suposto-desvio-de-r-1-milhao-285265.html

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte II – O Lado Sombrio dos Verdes

Marina discursando em Tatooine.

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

"Quem esse ewok pensa que é?"

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de apontar as igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Uma Nova Esperança?

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro. Devem haver outros tantos por aí.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva / PV e os passos para trás que PT e PSDB estão dando para conquistar seu apoio,  começo a ouvir a trombetas do Apocalipse tocando os primeiros acordes da Marcha Imperial.

Eu sinto um distúrbio na Força, e você?

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de a

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política nenhuma.

O tempo de televisão dela era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, ela foi tendo seu espaço garantido. Com os debates ela começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a aparência frágil que ela tem. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B e que ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste debate Marina Silva se definiu como “um milagre da educação”. Eu aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?

Tanto Dilma quanto Serra tem perfis e atuações extremamente gerenciais, administrativos. Era aquele discurso tecnocrata, apoiado em números e mais números. Faltava alguém que mostrasse que política também era ideologia, mas sem o radicalismo comunista de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL. Aos poucos Marina foi preenchendo essa lacuna graças aos seguintes pontos:

– Ela defende a “causa ambiental”. Logo um monte de “artista engajado” começou a manifestar apoio a ela e seus fãs seguiram na onda;

– Ela é uma pobre que “deu certo” e brasileiro adora manifestar apoio a isso;

– Ela é evangélica e foi escolha natural de boa parte dessa religião em ascensão no país. Ainda mais com a campanha de denúncias de ateísmo contra Dilma e até de satanismo contra Michel Temer. Eu mesmo ouvi pessoalmente gente passando esse tipo de boato adiante acreditando que era verdade;

– Ela se apresentou como “terceira via”, mantra político-ideológico-mágico que agrada tanto a quem se diz de esquerda mas é contra radicalismo quanto aos de direita preocupados com o bem estar de todos.

E com esse misto de esperança, frustração e ideologia, Marina foi aos poucos retirando os votos de Dilma e crescendo nas pesquisas, a ponto do convocar a chamada “Onda Verde”, conclamando todos a ajudarem a votar na única que de fato poderia derrotar a candidatura petista. Isso ficou muito claro em seu debate na Rede Globo, onde fez questão de mostrar igualdades entre Dilma e Serra e se mostrar como a única que era diferente daquilo. Tanto que foi responsável pelo único momento alto do debate, ao fazer Serra perder a linha no penúltimo bloco.

Nos últimos dias da campanha ela se colocou como realmente pronta para o 2° turno contra Dilma, a ponto de estar na frente do tucano em alguns estados. Porém a apuração acabou e tivemos Dilma em primeiro com 46,9%, Serra com 32,6% e Marina com 19,3%.  E sabem quem mais comemorou este resultado? Marina Silva.

Analisando somente os números, Marina foi a maior votação em uma terceira opção em muito tempo, superando recorde anterior de 17% Anthony Garotinho (outro evangélico) em 2002. Nunca antes na história desse país alguém chegou tão alto sem ir para o segundo turno. Considerando o tamanho da coligação e recursos da campanha, isso por si só é uma vitória. Mas a questão é que desde o começo Marina não estava jogando para ganhar e sim pavimentando seu nome para 2014. A idéia era fazer seu nome para concorrer pra valer na próxima eleição presidencial. E nisso ela foi muito além do esperado.

Com seus 19%, Marina agora é assediada por PT e PSDB, pois seu eleitorado pode sim vir a decidir a eleição, mas a candidata se colocou sistematicamente contra Serra e Dilma durante toda a campanha e acredito que não vá apoiar ninguém para manter seu “capital ético”. Já o Partido Verde está se alinhando discretamente ao PSDB (vide Rio de Janeiro) e deve manter a tendência. Assim o partido participa do jogo e recolhe espólios um lado e mantém seu principal nome “limpo”. Dado a curta memória política dos brasileiros, é um plano perfeito.

E o que esperar de Marina Silva e do PV e 2014?

O que me preocupa é o discurso pseudo-liberal que ela tem e o número enorme de pessoas caindo nele. São homossexuais, pessoas pró-legalização de drogas ou aborto e até feministas votando em uma EVANGÉLICA? Como assim?

Não é questão de preconceito e sim de pragmatismo. Ela NUNCA vai ser a favor de coisas como direitos civis para casais homossexuais, aborto, drogas e medidas para um Estado mais laico. Aí ela diz que “pessoalmente é contra, mas que vai discutir o assunto”. AH, VÁ! Alguém aqui acha que em plebiscito para discutir aborto ou casamento civil ou legalização de drogas vai ter resultado pró essas medidas? Alguém acha que um projeto de lei sobre esses assuntos passa no Congresso? Não conseguimos nem tornar crime o preconceito contra homossexuais!

Marina sabe disso e ao se colocar de maneira clara que é contra, ganha a simpatia de todo mundo que é contra também. E quem é a favor dessas questões acaba achando lindo o fato dela ser sincera e mesmo assim se eleita chamar estas questões ao debate. Perdoem minha exaltação, mas DESDE QUANDO A MAORIA DE POPULAÇÃO VOTA EM FAVOR DOS DIREITOS DE UMA MINORIA, PORRA?

Li diversas análises políticas sobre o resultado das eleições e possíveis cenários de alianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

lianças e afins e ninguém fala sobre uma “Onda Retrógrada” assolando o país. Para não dizerem que sou paranóico, alguns exemplos já estão surgindo. O PT já esta revendo a posição de Dilma sobre o aborto e saiu na Folha de São Paulo hoje que “foi um erro o partido dar ouvido à algumas feministas em suas fileiras”. O pastor Silas Malafaia colocou 600 outdoors de cunho homofóbico no Rio de Janeiro.

Muita gente fez brincando uma associação entre Plínio de Arruda Sampaio e o Imperador Palpatine devido à aparência similar de ambos. Vendo as jogadas políticas que Marina Silva e o PV andam fazendo começo a achar que a verde começa a caminhar para o Lado Sombrio da política.

Marina Silva e a Manipulação da Ideologia – Parte I – Os Erros dos Adversários

Independente de quem vá ganhar o 2° turno da eleição presidencial deste ano, a única candidatura realmente vitoriosa foi a de Marina Silva pelo Partido Verde (PV). Parece uma grande loucura dizer isso uma vez que ela não foi eleita e não passou de 3° nas pesquisas, mas vamos analisar o cenário e seus fatores um pouco mais a fundo.

José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estiverem em algum momento da corrida presidencial com o jogo praticamente ganho e por erros da própria equipe de campanha ou de algum aliado colocaram tudo a perder.

Serra despontava como favorito até o primeiro semestre, mas aí sentou em cima de seu favoritismo e usou e abusou disso antes do início oficial da campanha. Primeiro atropelou adversários dentro do próprio partido, barrando uma votação interna para a escolha de um candidato tucano e assim tirando Aécio Neves (MG) do páreo. Mas o mineiro tem uma base ampla dentro do partido (incluindo aí Geraldo Alckmin em São Paulo) e esse racha interno seria notado em todo o decorrer da campanha, com candidaturas do partido e da base aliada mostrando José Serra muito pouco ou até mesmo o omitindo totalmente em programas e santinhos.

Depois veio a demora em oficializar a candidatura. Pode parecer bobagem diante do fato que todo mundo já sabia que ia ser ele mesmo, mas diante da burocracia sem fim que é a Legislação Eleitoral brasileira, isso faz muita de diferença para definir alianças, arrecadações, doações e material de campanha.

E a cartada final foi a “escolha” do vice-candidato empurrado à força pelo DEM. A única coisa notável no currículo de Índio da Costa era ele ter sido o redator do projeto de lei Ficha Limpa e MAIS NADA. Era nítido que o partido aliado não tinha nada melhor para oferecer e a escolha foi alvo de chacota para muita gente.

Durante a campanha em si, o candidato José Serra parecia sofrer de uma doença muito em moda atualmente: Transtorno Bipolar. Ele tinha que falar mal a Dilma sem falar mal do Lula, um presidente com mais de 70% de índice de aprovação. E aí tivemos aquele discurso esquizofrênico, onde se falava mal do governo e se mostrava alinhado a Lula. Claro que ninguém engoliu isso e Serra caía cada vez mais nas pesquisas.

Já do lado petista a missão era árdua. Após escândalos de corrupção limarem boa parte da cúpula do PT, não havia um nome forte para a disputa nacional. As únicas opções eram Marta Suplicy, arrogante demais para ganhar a simpatia nacional, e Aloísio Mercadante (bem, este segundo não é exatamente um nome forte, para sentir o nível em que o partido estava). Coube então ao presidente Lula inventar uma candidata e daí surgiu Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, o ministério que é o “braço direito” da presidência. E fez plástica na mulher, repaginou todo o visual dela e a colocou para inaugurar mais obra atrás de obra. E ela contava com o melhor cabo eleitoral do momento: o próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva

Convém notar que não era Dilma quem estava ganhando e sim Serra quem estava perdendo. Se o governo Lula era tão bom assim a ponto do próprio tucano atrelar a ele sua candidatura, melhor votar na mulher que o presidente indicava, certo?

E dentro disso a candidatura de Dilma crescia, uma vez que o discurso de Serra acabou decepcionando quem votava nele e não convenceu o resto do eleitorado a mudar seu voto.

Percebendo que o próprio Serra não teria forças para derrubar a petista, a maior parte da mídia (que é a favor do tucano) rapidamente começou a dissecar qualquer aspecto da vida de Dilma e publicava qualquer coisa que achassem que poderia desaboná-la. E quando eu escrevo qualquer coisa entendam isso literalmente: usaram até o fato dela ter tido uma loja em tempos imemoriais que acabou falindo como exemplo de que ela não seria uma má administradora. Mas isso merece um post à parte. A questão é que cavoucaram tanta coisa que acabaram achando.

Veio então à tona um suposto esquema de quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB e familiares de Serra a mando do PT de São Bernardo. O candidato tucano ficou de “mimimi” em plena propaganda eleitoral contra esse crime contra sua filha. Mas após descobrir que meio mundo não tava nem aí pra sigilo fiscal, vir à tona que ele sabia disso desde janeiro e veio reclamar somente agora e que uma empresa da filha dele deixou exposto na rede dados bancários de todos os seus clientes, a denúncia perdeu força e foi para o limbo.

Foi então que descobriram que o filho da mulher que estava no lugar da Dilma na Casa Civil estava fazendo lobby. Pareceu confuso? Mas foi assim mesmo que a coisa toda foi noticiada. Mas como “água mole e pedra dura tanto bate até eu fura”, conseguiram convencer o eleitor médio de que de repente lobby passou a ser crime e Erenice “A Mulher que Dilma Colocou Lá” Guerra foi obrigada a pedir demissão do ministério. Aí o caldo entornou, pois por mais que Dilma e Lula dissessem que não sabiam de nada, foi no mesmo ministério que rolou o Mensalão que acabou derrubando José Dirceu. A mídia fez questão de lembrar a todos disso e como Dilma não era Lula, ela começou a recuar nas pesquisas.

E aí vem o dado curioso. Serra estava perdendo votos por não se definir como oposição ou situação e o caráter denuncista e oportunistas de suas denúncias fez com que ele se estabilizasse nas pesquisas e não conquistasse voto nenhum. Já as cagadas do PT e do Governo Federal marteladas diuturnamente pela imprensa conseguiram corroer a candidatura de Dilma. Então para onde estavam indo estes votos todos?

Para uma candidatura de uma acreana que era analfabeta até os 16 anos e havia saído do PT não havia muito tempo por discordar da política ambiental do partido. Essa candidatura era de um partido que não tinha muita força nacional, mas é visto como simpático por todos.

É claro que estamos falando da candidatura de Marina Silva pelo Partido Verde. Descontentes com a alopração petista e esquizofrenia tucana começaram a ver nela uma alternativa viável para mostrar que não estavam contentes com a disputa principal sem desperdiçar seu voto em um qualquer. A equipe de campanha verde percebeu isso e então tentou o que muitos achariam loucura: um 2° turno entre Dilma e Marina.

(continua…)

Brainstorm

(AVISO1: post escrito sobre efeito de álcool. [Spider Jerusalem Mode – ON])

(AVISO2: texto escrito ouvindo a trilha sonora de “Pulp Fiction“, ouvir o som enquanto lê não ajuda a entender o texto, mas é bem legal)

Comecei meu dia lendo mais uma notícia da Folha de São Paulo sobre o “escândalo” da quebra de sigilo fiscal da filha do José Serra e pensei: “Foda-se”. Como bem disse o @alerocha hoje a tarde no Twitter, faz anos que sigilos fiscais são vendidos em todo o território nacional e qualquer um bem informado compra um CD desses na Santa Ifigênia em São Paulo. Portanto meu questionamento não é a Máfia da Quebra de Sigilos Fiscais e sim a divulgação desse esquema bem agora e ligando ao PT justamente quando Dilma Roussef está para ganhar no primeiro turno. Quebrar o nosso sigilo fiscal pode, mas fazê-lo para o PT e com fins políticos, não?

Na boa, alguém realmente acredita que esse “escândalo” vai abalar o resultado das eleições? Jader Barbalho e José Roberto Arruda foram reeleitos, Sarney está até hoje no poder. A emenda da reeleição de FHC até hoje está mal-explicada e ele ganhou de lavada. Os “aloprados” do PT de 2006 nem riscaram a reeleição de Lula. Acusem a Dilma de ser sapatão, de ser terrorista ou coisa assim que terá mais efeito.

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