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Meu decepcionante primeiro dia de Youpix!

O que me chamou a atenção no Youpix semestre passado foi justamente a proposta do evento, uma celebração da dita “Cultura da Internet”, um espaço onde todo consumo era gratuito e livres idéias eram colocadas em pautas de palestra e rodas de debate, levando em conta a pessoa que lhes escreve, posso garantir que o clima informal do ambiente me agradou, como declarei neste blog meses atrás, a visita ao evento foi uma experiência bem enriquecedora.

Para essa nova ocasião, resolvi comparecer no primeiro dia, Quarta feira 18/08 mesmo notificado pela produção do evento via e-mail do alto número de participantes, eu cheguei um pouco mais tarde, após a abertura e como era de se esperar nesse tipo de ocasião, me deparei com uma fila imensa.

Até ai, isso não é lá grande novidade para a pessoa aqui, que passou ¼ da sua adolescência em filas de eventos para anime, RPG e videogame, o que me incomodou foi a falta de preparo das atendentes para esse setor, um grupo de moças que antes mesmo do evento chegar a sua metade, se encontravam mal-humoradas e gritando com os visitantes.

Após confirmar o meu pré-cadastro, tive que validar minhas informações sobre redes sociais, e eu – assim como muitos outros – tivemos a experiência desgastante de soletrar o nick do meu twitter para as atendentes que o que tinham em charme, com certeza faltavam em paciência e profissionalismo.

E aqui vale o primeiro questionamento sobre a produção: se formos aconselhados – e alarmados – em realizar o cadastro no site, porque é necessário repassar informações como o nickname? Questiono a falta de articulação entre as databases para puxar dados e assim evitar estorvos exaustivos na fila, como minha amiga, que teve seu nick errado no crachá, e garanto a você leitor, que não foi o único caso.

Passando por esse perrengue, finalmente pude entrar no evento, realizar o check-in no foursquare e…”interagir”, é curioso ver o que se sucedeu, muitos dos estandes, como o do Bradesco, não estavam preparados para lidar com o número de pessoas, para um evento que se presa pela celeridade da época digital, em muitas ocasiões tive o feeling de estar mais empacado que repartição pública, o que é preocupante.

Da esquerda pra direita: Bruna (@bru_maturana), Mariana (@maribfurlan), Vanessa (@vanrez) e eu (@synthzoid)

As palestras, por bem ou mau, tiveram seus momentos, pude acompanhar o acirrado debate sobre a “orkutização”, além de apresentações de humor e uma parte da entrevista do Gilberto Gil, mas é só isso.

Para um evento rizomático, assimétrico e sinceramente…o caralho a quatro, percebi a retomada da boa e velha egolatria, o Youpix tem desenvolvido uma distinta separação entre o público comum e os convidados, então, se você não é convidado, VIP, celebridade ou impressa, dificilmente terá uma experiência duradoura do evento.

Acontece que em diversos casos, fiquei me perguntando “onde esse cara arranjou esse brinde?” ou “onde ele descolou esse lanche?” e para esses questionamentos recebi a freqüente resposta “eu sou palestrante” ou “sou convidado da produção” e eu pensei “caralho, na era da democracia digital eu tenho que aturar isso?”.

Entenda leitor, não estou praguejando por um mísero cupcake, mas essa distinção de tratamento é visível e incomoda, claro, você pode alegar, realmente teve o consumo de cerveja e refrigerante no evento, mas a demanda não supria – talvez um erro logístico por parte da produção – as filas eram longas e o re-abastecimento com demoras de até uma hora.

Porém, o ápice do descaso se deu na fila do banheiro masculino antes do término do evento, apertado, resolvi cuidar de minhas necessidades, mas ao chegar lá, me deparei com um segurança carrancudo, que anunciou que o banheiro estava fora dos limites do público, após uma conversa, descobri que o mesmo foi fechado para que os membros da banda Teatro Mágico pudessem se maquiar.

Após uma demora, eu e meu amigo conseguimos utilizar o banheiro e ao questionar o vocalista Fernando Anitelli sobre essa pequena sacanagem, o mesmo tirou o culpa da reta e argumentou: “a produção do evento não disponibilizou outro espaço pra gente” sinceramente? Foda-se! Por mais que existam filas – o que é compreensível, dada a proporção de freqüentadores – barrar o acesso ao toalete para que duas pessoas possam se maquiar é inaceitável e um descaso com o público comum.

Ainda mais que ao sair, me deparei com grupos de pessoas urinando nos arbustos e árvores do Parque Ibirapuera, uma situação completamente degradante.

Pra mim, ficou claro que o Youpix se tornou algo falho, que ainda precisa de muito labor para alcançar um nível de decência e que reflete em muito a posição do público brasileiro em relação os meios de comunicação, tudo se resume a cultos de personalidades como desculpas para legitimização de idéias.

Mensalmente eu me reúno com “colegas de Internet” – inclusive outros membros desse blog – em bares para discutir eventos, bobeiras ou apenas gostos em comum, conversas que, apesar do nível chulo, se tornam bem mais instrutivas e frutíferas do que o conteúdo desgastado e díspar da realidade que o Youpix vem promovendo.

Ficam aqui minhas esperanças para melhores edições do evento.

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Youpix 2011: Impressões


A localização chega até ser tímida, se você levar em consideração a divulgação e buzz promovidos pelos produtores, uma rampa no Palco das Artes localizado no Pq. Ibirapuera, onde uma pequena multidão – pelo horário – se concentrava, fazia frio, o tempo estava um pouco úmido, as árvores no recinto tinham aquele aroma de “terra molhada” que nós, urbanóides, superestimamos.

O espaço é simples, no esquema concretão,  alguns estandes, um pequeno balcão de “bar” improvisado pelo patrocínio da Cerveja Devassa, uma espécie de “detector”, onde habilitava de forma automática o seu check-in em várias redes sociais e até algumas almofadas espalhadas pelo chão, alguns podiam argumentar que o espaço, pela altura do teto, tinha um atmosfera claustrofóbica, eu achei bem confortável.

Um evento sobre “Cultura de Internet”, é assim que o YOUPIX se denomina, um evento onde, em determinado momento, alguma gíria, elemento de dresscode ou situação remete a tweetesfera e/ou blogesfera, um evento que, embora você more em uma cidade com 19 milhões de pessoas, você se sente em um terreno bem familiar.

Não só o terreno, mas a extensão dele, o painel de idéias, a “idéiaesfera”, todos ali, em determinado momento compartilham o cotidiano do evento em seus smart-phones, notebooks e apetrechos do gênero, com as atividades que ali se desenvolvem, palestras, premiações, workshops, você pode dizer que existe mais do evento fora do mesmo, basta ver a hashtag #YoupixSP

Nada lá dentro é comercializado, porem, longe disso ser uma atitude ingênua, o que nós observamos é um grande ato de publicidade, eu tive a oportunidade de desfrutar, com até certo conforto e acessibilidade, de cerveja, refrigerante, drinques e até mesmo um cupcake, sem contar a torrente de brindes que ali eu recebia, hoje eu posso dizer que me arrependo de não ter levado uma bolsa ou mochila.

Uma única crítica? Talvez o excesso de papeis e possível lixo que isto poderia gerar, para um evento focado em Internet, Social Media, grande parte dos expositores nos stands centrou muito sua divulgação em material impresso, folders, encartes e outras modalidades que, sinceramente, podiam ser substituídas por um QR Code impresso na infra-estrutura do local.

Você acaba indo embora com uma sensação de querer mais, fala-se muito de convergência de mídias, mas aquilo é um passo a frente, uma convergência de pessoas, este Grande Hub mezzo-online, mezzo-offline que o Youpix foi. Embora seja comum para todo fim de evento, terminar o dia e voltar para a rotina sacal, o grande diferencial foi a experiência que eu encontrei ali, embora tenha voltado pra casa com as mãos cheias de brindes, os mais valiosos tiveram caráter imaterial, puramente informacional, que agora os guardo em meus pensamentos com o maior carinho.

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