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Faltava amor naquele amor

Faltava romantismo naquele amor.

Ela era daquele tipo “paixonite aguda”, que gosta de demonstrar que ama, sempre que pode. Era um tal de bilhetinhos surpresa, declarações no vapor do espelho, olhares intensos e massagens carinhosas. Era tanto amor que transbordava. Ela sentia lacrimejar os olhos de alegria quando o encarava.

Ele também o sentia, mas não o demonstrava.  Era burro demais para perceber essas coisas. Não sabia ter companheira fixa. Aliás, não deve saber até hoje.

Infelizmente, aquela espera constante por bobagens apaixonadas que nunca vinham a sufocava. Complicada como ela só, os fantasmas ainda a atormentavam. Querendo ou não, aquele era o cara que um dia escreveu com todas as palavras, que todo o sentimento que havia por ela foi-se embora no sorriso de outra mulher. Aquela masmorra de memórias e fantasmas, escritos com neons piscantes que o amor é cego, surdo, mudo e retardado.

Amavam-se. Mas não como deveriam ter feito. No fim das contas, faltava mesmo era romantismo naquele amor. E maturidade. E amor, pra ser sincera.



Bitolamento Agudo, um mal comum

Sempre tive aversão à bitolados.

Política, religião, futebol, sexo ou qualquer outro assunto. Gente que embala na conversa e a partir desse momento, não existe mais nada no mundo além do que ele considera verdade absoluta.

Contrarie-os, e nesse exato momento sinta o ódio e rancor atravessarem seu coração. É como se fosse pecado ter uma opinião diferente da deles. Discussão saudável sobre diferentes pontos de vista? Esqueça. Ele está certo, e ponto.

Eu? Abstraio. Sei que não vai resultar em nada tentar discutir o tema. Escuto quieta e deixo aquele blá blá blá todo entrar por um ouvido e sair pelo outro.

E o que é pior? No fim das contas, a pessoa pode até estar certa ou ter um ponto de vista legal sobre o tema. Mas o simples fato de ela ser bitolada e não aceitar críticas me bloqueia. Crio uma barreira invisível sobre o tema para aquele momento. Perde-se credibilidade quando se fala demais e quase nunca está disposto a ouvir os outros.

Engraçado como a maioria dos bitolados prega o valor da individualidade do ser humano, e no fim das contas procura pessoas em comum. Os mesmos gostos, as mesmas opiniões. Convivência fácil, dificilmente haverão discussões. COME ON!

O bom da vida é discutir, compartilhar, celebrar as diferenças. As melhores noites de minha vida foram regadas à cerveja numa mesa rodeada de pessoas com opiniões adversas. E várias discussões acaloradas. É normal pensar diferente. É normal mudar de opinião. É certo ouvir o que os outros pensam sobre determinado assunto.

Deixe de ter Bitolamento Agudo, e aprenda a conviver com diferenças. Ninguém disse que ia ser fácil. Mas faça o melhor de si.

E SaiDaqui!

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