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Brainstorm – O Retorno

Era para ser mais um post sobre política, mas…

Mas…

Apertei um baseado nervoso e nesse momento estou cercado por elementos diversos. Quase tudo ao redor lembra Quentin Tarantino. Kill Bill Vol. 1 em cima da impressora. Trilhas Sonoras de “Um Drink no Inferno” e “Pulp Fiction”…

PAUSA PARA OS NERDS: Sim, eu sei que um “Drink no Inferno” não é dele. Enfiem seus sabres de luz no lado negro da suas pélvis.

Por isso mesmo pensei em ouvir a trilha sonora de “Pulp Fiction”, mas não sei por que  acabei pegando a do “Drink no Inferno”, de modo que ZZ Top canta aos meus ouvidos.

(…)

Eu sou tão clichê que aperto um fino e fico tuitando sobre o Tarantino. Pior ainda, ao lado dos CDs está “On The Road”, edição bolso. Putaqueopariu. É uma porra de clichê de “nerd cool”. Vai se foder.

Preciso achar aqui perto algum objeto que me tire disso. Um livro de “Vampiro: A Máscara” no banquinho ao lado. Fodeu. No outro lado uma pilha de TPs da Vertigo. Porra… Acho meu bonequinho do Aquaman que peguei no Bob´s. Mas lembro que não é um bonequinho. É UM MALDITO TOY ART! Piorando cada vez mais.

Melhor ir para mais longe. Deve haver. TEM QUE HAVER ALGO!

O mural. Não, lá tem aquela imagem do Tyler Durden

Espera.

Para.

Foco.

Só está vendo o que quer. Acalme-se. Ia citar um assunto muito mais interessante que essa busca, mesmo…

HAHAHAHAHAHAHAH!!

Desculpem, fui dar uma zoada básica com um presidenciável, Aquela zoada marota, moleque, quando ainda não era trollagem, saca?

Mas foda-se. Eu tava era pensando no cuzão do Alan Moore. Cuzão no bom sentido. Porra o cara diz que fuma haxixe pra caralho todo dia e faz aquilo que faz. Olhem essa porra de texto. Não tem nada. Ele fez as obras que fez. É… Meu estado não me permite dissertar mais profundamente sobre isso, mas o fracasso destas palavras apenas demonstra o quanto o cara é bom.

Pensamentos aleatórios rápidos demais para a mente consciente acessá-los e sequer ter um vislumbre do turbilhão multidimensional que passou, mas ao final dele me pego me sentindo mais forte e sorrindo. Ah, meus demônios interiores, havia tempo, não?

A luz ao meu redor assume um tom amarelado e depois vermelho. A bateria não para, a letra se repete e repete… É uma boa cena de filme, mas nada supera a Satanicum Pandemonium dançando com a cobra.

Vivo dizendo que caso com a guria que fizer comigo aquele lance do pé. Como podem ver, ainda não casei…

Mas é isso aí. Acho que vou me redimir um pouco desse momento jogando Tibia.

Marketing: Engenharia Reversa I

Aos poucos abrimos mão do silêncio, não de uma forma espetacular ou performática, mas sim de um jeito sutil, gradativo, que transforma o nível de diálogo entre pessoas e instituições.

Ontem assisti o debate dos presidenciáveis na TV, na companhia da minha namorada e ao invés de restringirmos o diálogo ao cômodo da sala, munidos de netbooks e smartphones buscamos compartilhar – de forma bem humorada, IMHO – nossas opiniões com outras pessoas conectadas.

Na antiga conjectura do marketing, podia ser considerado como um “erro” a falta de controle informacional em relação ao público-alvo. Alguém que sabe demais, alguém que viu falhas no plano, alguém que erroneamente não foi abrangido dentro do plano, para o marketing de uma geração atrás, o planejamento pré-emptivo era a fase mais crucial do plano.

Bom, isso fica visível nas ações, currais e estratégias verticalizadas, para o profissional de comunicação tradicional, o buzz derivado de uma ação é útil apenas quando o mesmo fica centrado no público, não alcançando seus criadores e emissores.

(Quando o contato existe, ele é minguado e burocrático, estamos falando de velhos mecanismos, SAC, Pós-Venda, Pontos de Atendimento, Assistência Técnica.)

Romper isto, no passado, podia ser considerado um remarco, a campanha de tênis personalizados da Nike acabou sendo frustrada por um artista que quis seu Nike Shoes c/ uma dedicatória destinada as crianças asiáticas, mão de obra escrava. Obviamente, ele não conseguiu.

(vocês já perceberam que os nomes das maiorias das marcas podem ser corrigidos no Microsoft Word?)

E quem dirá Kevin Mitnick? Que por processo judicial, grandes empresas como a AT&T impediram que sequer produtoras de cinema realizassem um longa cinematográfico sobre sua vida.

Claro, estamos falando de um nome famoso, estamos se referindo a alguém através do uso de um sobrenome, uma pedra no sapato, mas quando falamos de um coletivo de anônimos? Poderiam os diretores de markerting, designers e assessores de imprensa estar diante de uma avalanche inteira?

Bom, acredito que sim, existe mudança e intento ao migrar das pichações em Mcdonalds para, por exemplo, Tweets, o simbólico-depreciativo acaba, você pula o muro e alfineta diretamente a marca.

A metáfora da transição das marcas do modelo piramidal/vertical para o rizomático pode estar na relação entre a distância relativa do totem do Mcdonalds e a maneira que você encara o monitor de um desktop.

Lembrando os princípios de virtualidades, ou seja, possibilidades, o que é mais fácil alcançar? Pois é.

Muitos profissionais na área de comunicação empresarial confundem a noção de manutenção e relacionamento com a idéia de “presença”, é um tiro pela culatra muito freqüente, nós podemos ver diversas empresas se arriscarem em redes sociais apenas para meses depois encontrarmos perfis inativos, id. visual retardatária, comunidades abandonadas, fóruns desregrados, e o que, em minha opinião, é o pior: perfis alienados, que buscam persistir com seu velho modelo de comunicação verticalizada.

Onde é que isto tem se tornado recorrente?

Mais indigesto que Mcdonalds ou desconfortável que um tênis Nike com certeza é a política nacional.

E o que nós observamos no Twitter? Sim, nossos queridos candidatos a presidência, não apenas exercendo a velha egolatria partidarista, mas vivendo em estado solipsista, ignorando diálogo e movimentação por parte de internautas.

(Para tanto falatório sobre “inclusão” digital, a parte relativa a “integração” é pertinentemente esquecida por eles mesmos, não?)

Da mesma forma que capitalizamos nossa imagem, nos transformamos em valor simbólico e vivemos neste sistema de “escambo de influências”, transformamos nosso nome, nickname, avatar e etc. em marca e a manutenção da mesma exige relacionamento, para a imagem de um político, o processo não podia ser diferente…

Esta negligência em relação ao fator humano que nos torna distintos de uma marca laboratorial, este alastramento da lacuna entre a população de usuários e nossos políticos, a ausência de diálogo, apenas acabam resultando em insatisfação, e bem, vocês conhecem o meme, não? Internet Hate Machine.

Vide o pobre Jose Serra, e seu recente “Serra Comedô”, o reboliço dos internautas para a ironia do Plínio Arruda, o embate entre membros do PSDB e PT. O ridículo, a zombaria, o escracho, todos saíram das rodas de conversas entre amigos, tornaram-se públicas, replicáveis.

Claro, aos poucos aparecem os “especialistas” argumentando: “Perca o controle!” “Deixe sua marca/personalidade fluir pela internet”, eu digo pra eles e para os presidenciáveis apenas uma coisa, o trecho de uma música do Smashing Pumpkins, banda que eu gosto muito:

“Stay cool

And be somebody’s fool this year

‘cause they know

Who is righteous, what is bold

So I’m told”

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