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Publicitário e Nerd: respirar e consumir

Eu comecei a ter noção da idéia de “sociedade de consumo” quando comecei a estudar Publicidade & Marketing na faculdade, das noções como o que importa para o público não é a usabilidade de um determinado produto, mas sim o valor inerente na marca, os ciclos de obsolescência planejados e até cheguei a me aprofundar nos estudos acadêmicos, com autores como Gilles Lipovetsky e seu “Império do Efêmero”. É curioso pensar sobre essa idéia de consumo a partir da minha ótica profissional e até mesmo cotidiana, como Publicitário, participo de forma estratégica, calculada, na elaboração de campanhas, promoções e novos produtos para fomentar o mercado de consumo, há quem diga que assim como os Advogados, minha classe profissional apresente certo “vácuo moral”.

Sim, existe frieza da minha parte ao ingressar em brainstorms, é uma frieza de caráter lógico, onde o apelo emotivo se traduz como um subterfúgio, nós, em suma, estamos preocupados em passar uma mensagem para o público do cliente, uma mensagem calculada, planejada, que remeta aos objetivos em pauta. Não é a toa que o apelo emocional em uma peça publicitária é dito como persuasivo, uma comparação pertinente: James Cameron, diretor de Titanic, foi estratégico ao pensar nos pontos chaves da trama, clímax, catarse, chavões utilizados, tudo se encaixou, tendo o gatilho perfeito para emocionar a platéia, você.

Claro, você pode falar: “Ah, mas a vida não é como uma propaganda de margarina”, tudo bem, você está certo, mas aquilo representa um ideal, um estilo de vida, é lúdico, nós somos seres lúdicos, antes ludens do que pretensiosamente sapiens, uma derivação genética em nosso córtex que permitiu toda nossa trajetória no planeta, nós, humanos – consumidores – gostamos de sonhar.

É a idéia de fetiche, que Freud adaptou – de forma pertinentente – de nossos antepassados, objetos – coisas – que nos façam depositar idéias e buscar confiança, que, dentro da esfera humana, possa comunicar algo.

Consumo, não apenas material, mas de idéias, e eu refuto sem pensar duas vezes, no tom pessimista – muitas vezes demagógico – que foi empregado nesta palavra, eu me alimento, eu respiro, bebo água, isso é consumismo em seu estado natural, mercado e seus agentes são apenas uma extensão artificial desta idéia, “Meios de comunicação como extensão do Homem”, coisa do McLuhan.

O Consumismo é dito como algo negativo pela inaptidão das pessoas em se atualizarem, qual é o caminho contrário do mesmo? A inércia? A morte pela falta de iniciativa? O desaceleramento ludista? Como já dito aqui neste blog, o futuro ainda é mal distribuído, é factual que o pensamento dromológico apresenta condições insalubres, mas qual é a alternativa? Negar algo que é inerente a constituição de nosso ser? E mesmo que o consumismo seja incompatível como a dromocracia, qual é a solução? Para muitos, humanizar é apenas ressentir…

Além de publicitário, eu sou o que hoje dizem ser “nerd”, em um sentido exclusivista, como perpetuador de uma cultura de nicho: games, literatura, pop art, glamourizada, talvez, por uma tendência de mercado, mas em essência, não é o que todos nós somos? Nerds. Nerds de futebol, Nerds de telenovela, Nerds de programas de fofoca, Nerds políticos, Nerds pelo caráter fascinante de nossa cultura pop.

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