Category Archives: Mundo Lixo

E fim de papo!

Certas coisas são marcantes em nossas vidas por lembramos de cada detalhe delas: aquele fora da menina por quem você era apaixonado na quinta série; o melhor cachorro-quente que você comeu na sua vida no Playcenter após ter passado fome por ter esquecido dinheiro em casa; três playboys te chutando no meio da rua após ter dado uma resposta inteligente a uma zoeira deles… Creio que já me fiz entender. Mas também existem eventos que são inesquecíveis justamente por não termos a mínima ideia de como eles aconteceram! E o NerDevils é um deles.

Quando perguntam para nós como surgiu o blog, a “versão oficial” é de que os nove membros iniciais do blog se conheceram em uma das campanhas “#PublicaINVISIBLES” no Twitter, viram que tinham gostos em comum e resolveram montar um blog coletivo. Isso é parte de verdade. A única coisa que sabíamos uns sobre os outros ao resolver abraçar a ideia era a de éramos nerds e estávamos a fim de escrever sem QUALQUER TIPO DE AMARRA. O resto foi pura sincronicidade. Não tenho a menor ideia de como os nove membros iniciais do blog vieram parar na minha timeline. E, caso pergunte a eles onde se conheceram a resposta não será muito diferente desta.

E assim, de impulso mesmo, foi decidido um nome, feito um logotipo, criadas contas para todos e saímos postando. Falamos de comportamento, música, HQ, política, mangá, anime. Postamos crônicas, tirinhas e diarréias mentais. E fomos percebendo que havia um fio condutor que nos ligava. Anarquia. Ocultismo. Caos. Detalhes destes três itens podem ser encontrados em praticamente todos os textos. E claro que isso nos impulsionou para escrever mais e mais. Todos os que estavam no blog tinham outros projetos mais “sérios” ou “comerciais”, mas o NerDevils era um espaço em que podíamos fazer o que bem entendíamos.

O blog nunca foi um campeão de visualizações, mas tinha um público fiel. Produziu ótimos textos, foi objeto de estudo, fez parcerias com editoras e até baladas. Mais do que isso, gerou profundas mudanças na vida de muitos envolvidos nele. Alguns que estavam aqui começaram a escrever em blogs maiores, outros arrumaram trabalho devido a contatos feitos por aqui (seja fixo ou free-lancer). Um pouco do NerDevils está em todos estes lugares.

Com tudo isso, percebemos que este espaço virtual cumpriu seu papel, que foi ser o “start” para um monte de outros projetos dos envolvidos aqui. E, tendo já feito o que tinha que fazer, nada mais justo do que dar um fim digno a ele. Não queríamos deixar o blog abandonado, achando que ele vai voltar à ativa um dia. Aqui, 1 ano e 8 meses depois, com 202 posts e 889 comentários, os colaboradores do NerDevils fecham as portas para alçar voos maiores que só a experiência obtida aqui pode proporcionar.

O blog permanecerá no ar para que os incautos ainda possam ler as garatujas redigidas aqui, mas textos novos do povo daqui podem ser lidos nos blogs Mobground, Contraversão e Sai Daqui!.

Fica aqui o muito obrigado à equipe formada por Roberto “Synthzoid” Maia, Filipe “Voz do Além” Siqueira, Agostinho “Agrt” Torres, Amanda Armelim, Rafael Dadalto, Aline Cavalcante, Danieli Dagnoni e também aos colaboradores Alan “Gafanhoto” Lima, Dan Erik, Eder Alex e Raphael Evangelista.

Nos encontramos por aí neste vasto mundo virtual. Mais do que um fim, este é um novo começo!

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Brainstorm – Cada Vez Pior

Estava eu fazendo uma resenha, mas após um papo no Gtalk com um amigo de longa data regado a muito conhaque, não estou em condições de fazer um texto respeitoso sobre um livro que possui mais falhas do que méritos. Porém, como diria Spider Jerusalém, meus testículos de escritor estão fervendo, então vamos dar vazão ao que está querendo sair da minha cabeça.

(sim, seus punheteiros de merdas, eu sei que o bom e velho Spider disse  “jornalista” e não “escritor”, mas vocês entenderam, porra)

Caralho, como eu errei no primeiro parágrafo do texto. Fiquei um bom tempo corrigindo os erros. Só os deuses sabem o tempo que vou passar corrigindo este parágrafo e os próximos para amanhã constatar que perdi tempo inutilmente tentando corrigir coisas que escapam à minha mente ébria. Foda-se. Vamos prosseguir.

(…)

Acabei de virar um bom gole de uma caneca que estava vazia. Caneca esta que tem com tema o acima citado Spider Jerusalem. Ciclos, ligações, insigths, coincidências, sincronicidades. Liguei meu Atrator de Sincronicidades há muito tempo e vira e mexe eu esqueço de desligar . Aí temos um monte de fatos aleatórios formando um padrão que pode ser real ou puro fruto de uma droga legal. Julguem por si mesmos.

(coçando a barba e tentando formular ideias que não conseguirão trilhar todo o caminho entre meu cérebro e as pontas dos meus dedos)

Aí você vai mijar e encontra uma barata. Rola aquele papo maneiro com um de seus Totens Animais e tudo faz sentido. Elas realmente estão em todos os lugares e todos os tributos feitos estão sendo devidamente retribuídos. A tatuagem não pode passar deste ano. Elas fizeram a parte delas. Tenho que fazer a minha.

(…)

Eu sou o Rei Calango e eu posso fazer o que eu quiser.

(…)

Aí uma stripper nerd te pergunta se está drogado. O quão bizarro é isso? Ouvir Doors sempre abre portas quando estou chapado, por mais clichê que isso possa parecer. Já acessei tantas coisas ouvindo esse álbum que não duvido que o simples ato de apertar “play” já foda com tudo.

(…)

Acabaram de me chamar divindade e de me cobrar uma dívida. Porra… Também chamaram de doente e me pediram dicas de auto-ajuda. Não sei se fico feliz ou ofendido.

(…)

Essa merda de mouse tá zoado e dá duplo-clique sem eu querer. Os mouses do trampo dão o mesmo problema. Malditos gremlins.

(…)

Mais uma vez eu comprovo que nada que preste sai quando estou muito louco. Critiquem o texto à vontade nos comentários. Foda-se.

 

 

BABACA DA SEMANA – Eduardo Alves

QUEM É

Político brasileiro, Henrique Eduardo Alves é deputado federal pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) pelo Rio Grande do Norte e atual líder do partido na Câmara dos Deputados.

Formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, disputou sua primeira eleição como deputado federal em 1970. Concorreu à prefeitura de Natal duas vezes, mas perdeu. Tem NOVE mandatos consecutivos como deputado. É líder do partido na câmara desde 2007.

Já não bastasse isso, é ainda um dos proprietários do Sistema Cabugi de Comunicação, conglomerado que possui, entre outros, a TV Cabugi (filiada á Rede Globo) e a Rádio Globo de Natal. Ainda é presidente do jornal diário Tribuna do Norte.

PORQUE É UM BABACA

Existe um órgão chamado Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contras às Secas), que em tese serve para combater a seca e é vinculado ao Ministério da Integração Nacional. Mas  desde de 1982 esse órgão não faz nada de útil (como a seca no sul do país prova este ano) e acaba sendo mais um espólio para partidos da base aliada do governo colocarem seus indicados em troca de verbas e ajuda em votações importantes.

Quem chefiava este órgão era Elias Fernandes, apadrinhando político de nosso querido Eduardo Alves. Acontece que a Controladoria-Geral da União apontou desvios de verbas de obras sob responsabilidade desde órgão no valor de R$ 192 mil e mais R$ 119,7 mil de prejuízo com pagamento de pessoal. Já não bastasse isso, perceberam que alguns convênios firmados com prefeituras beneficiaram (e muito) somente as regiões onde Eduardo Alves tinha base eleitoral.

Diante de tudo isso, a presidente Dilma se viu na obrigação moral e cívica de exonerar Elias. Eis então que nosso notório personagem da semana, indignado com uma possível demissão de seu afilhado político e perda de poder, solta a seguinte bravata:

“O governo vai querer brigar com metade da República? Com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores. Vai brigar por causa disso?”. Ele ainda deu a entender que, se a exoneração ocorresse, o PMDB poderia deixar a base aliada.

Como assim, senhor Eduardo Alves? Seu indicado no órgão é um corrupto incompetente e ao invés de você mesmo mandar o cara embora, ameaça quem faz o que é certo? Quem disse que o PMDB é “metade da República”? Quem você pensa que é para falar em nosso nome assim, com quem quer que seja? Todo o seu partido vai realmente jogar a aliança com o governo federal para o alto em nome de um corrupto? Menos, meu caro, menos. Acho que o poderzinho que seu partido te deu subiu a cabeça.

Tanto que no dia seguinte às ameças, Elias foi exonerado. Inclusive foi mandado embora mais rápido ainda em função das sandices expostas acima. E o excelentíssimo Eduardo Alves não brigou e nem cumpriu nenhuma das ameaças.

POR TUDO ISSO, EDUARDO ALVES, VOCÊ É UM BABACA.

E como parece que ele vai indicar o próximo nome a assumir o Dnocs, eis os contatos do deputado para que você também diga que ele não está autorizado a falar em nome de metade da República, ou pra chamar o cara de babaca também.

Site oficial

Twitter

Facebook

Página do deputado no site da Câmara dos Deputados



Conhece algum babaca que deveria estar aqui? Mande suas sugestões nos comentários ou pelo e-mail leosias@gmail.com e quem sabe o babaca indicado não seja nossa estrela na semana que vem!

O Fim da Zona de Conforto e a Orkutização do Nazismo

(Ou Porque eu Defendo as Vaias em Shows)

Mulheres denunciam maus tratos por homens de maneira organizada? Feminazis! Homossexuais se organizam para reivindicar igualdade de direitos? Gayzistas! Fica incomodado porque as o escrevem errado na Internet? É um Gramar Nazi! Não gosta de axé e vaiou a apresentação da Cláudia Leitte no Rock In Rio ou criticou o show no Twitter? Você pode estar sendo nazista!
É isso mesmo. Eis a exata frase de cantora Cláudia Leitte em seu blog: “Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Googlesobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…”. Tudo isso porque ela deve ser irritado muito com os comentários negativos de várias pessoas em relação à sua apresentação, por mais que ela não queira admitir.

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Revolution NOW

 

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Fotos do F/16 Studio’s

O período que estamos presenciando está tão louco, que se se Terrence McKenna estivesse vivo, ele iniciaria uma pesquisa de uma década pra descobrir que tipo de droga psicoativa despertou o Espírito de Revolta nas massas novamente, após anos soterrado por consumismo e conformismo. Já intelectuais da comunicação iam se debruçar sobre as ferramentas que tornaram essa rebeldia generalizada mais facilmente transmitida que impulsos nervosos no corpo humano.

Para exprimir esse momento tão importante – e que futuramente será tão mal interpretado – da nossa história atual, é preciso um misto de verve suicida e distanciamento crítico, não necessariamente de forma equilibrada.

Bom, não vou discorrer aqui sobre as revoltas generalizadas entre os cannabistas de São Paulo, bombeiros do Rio, estudantes do Espírito Santo, monges budistas, populações do Egito, Líbia, Síria e Iêmen, e várias outras camadas da população, porque creio que em três textos é possível ter uma idéia básica do que tá rolando, e cabe a cada um decidir uma espécie de posicionamento prévio sobre a questão.

Então, LEIA os textos abaixo.

1) Convulsões sociais contemporâneas: a revolta no século XXI, texto do também NerDevil Agostinho Torres, no Nerds Somos Nozes.

2) Protestos estudantis em Vitória, texto meu pra cobrir pra revista Vice as revoltas de universitários e outras classes de estudantes aqui na capital do Espírito Santo.

3) Tiros e Gás na Marcha da Maconha de São Paulo, outro texto meu, com o nome bem explicativo.

Lei Seca na Virada Cultural: Hipocrisia Pública

Não contente em tirar todos os artistas de rua da Av. Paulista usando a polícia de forma violenta, não contente em fundar um partido oportunista e fisiologista e não contente em não cumprir sequer a metade das metas de seu mandato, o ilustríssimo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab nos dá mais uma prova de que é um grande filho da puta instituindo a “Lei Seca” durante a edição deste ano da Virada Cultural.

Explico: neste ano as barracas oficiais do evento não venderão bebidas alcoólicas, a vigilância em cima do ambulantes será redobrada e será cumprida a risca (e a força, tenham certeza) a lei que manda os bares fecharem a 1 hora da manhã. Os motivos alegados são:

Diminuição da sujeira gerada durante o evento;

Evitar confusões geradas pelo consumo excessivo de álcool;

Prevenir os cidadãos de prejudicarem sua saúde ao comprar bebida de origem duvidosa.

Tudo muito lindo e maravilhoso. Traz-me lágrimas aos olhos a preocupação da nossa Prefeitura com o bem estar daqueles que querem aproveitar o evento, não? O pior é que muito gente engoliu esse papinho e está comemorando esta decisão. Como alguém que se sentiu prejudicado com essa decisão, gostaria de analisar cada item acima um pouco mais a fundo.

“Diminuição da sujeira gerada durante o evento.” Quer dizer então que os consumidores de água, refrigerante, suco e guloseimas em geral jogam TODOS O LIXO DELES no lixo? “Ah, mas o pessoal passa mal, vomita.” Em qualquer lugar que eu vou no fim de semana tem disso e esse mesmo pessoal que agora reclama já fez passou mal em mais de uma ocasião.

Galera, o problema da sujeira é um só: muvuca. Você não tem tempo hábil de ir até um local propício gorfar e nem saco de ficar segurando sua latinha de qualquer líquido vazia até achar uma maldita lixeira, então você taca no chão mesmo. A real é que não tem jeito e nesse caso cabe sim ao poder público se organizar para minimizar os efeitos desse monte de gente sujando tudo. Triste, mas inevitável.

“Evitar confusões geradas pelo consumo excessivo de álcool”. Essa afirmação até procederia, mas quem quiser encher a cara vai fazê-lo, com ou sem Lei Seca. Seja levando seu próprio isopor cheio de cerveja ou seja levando sei lá quantas garrafas de destilados em uma mochila, quem quiser encher a cara vai encher. Sem contar a compra desenfreada de bebidas perto da 1 da manhã para estocar pra mais tarde, o que vai gerar um surto de bêbados perto deste horário, anotem.

E as confusões são geradas pela bebida ou pela falta de segurança e organização? Aquela batalha campal que houve no show dos Racionais anos atrás foi realmente causada pelo álcool? Nesse caso vamos esperar os dados após o evento e então aprofundar o assunto.

“Prevenir os cidadãos de prejudicarem sua saúde ao comprar bebida de origem duvidosa”.  Essa é piada, né? Porque vai acontecer justamente o contrário! Será que ninguém na prefeitura sabe o fracasso que foi a Lei Seca nos EUA? O que mais vai ter serão sujeitos no meio do povão com cerveja quente e os chamados “vinhos duvidosos” dentro de uma mochila. Claro que eles vão vender ao preço que quiser e vão vender muito, acreditem.

Os ambulantes nunca seguiram a lei e vão continuar não seguindo. Essa proibição só vai aumentar o Nível de Desafio do trabalho deles, mas no final das contas quem vai se prejudicar vai ser aquele que fazia tudo mais as claras e quem vai lucrar mesmo são os mais obscuros.

Isso tudo foi só citando a proibição da venda. Mas ainda temos a cereja do bolo: o fechamento dos bares à 1 da manhã. Só eu acho incoerência em um evento que dura 24 horas você proibir os donos destes estabelecimentos de trabalhar?

A vida noturna (com seus bares inclusos) não faz parte de cultura desta cidade? Uma das coisas mais legais da Virada pra mim é sentar em um boteco de vez em quando entre os eventos pra tomar alguma coisa e comer algo. Bem, esse ano não vou mais poder fazer isso.

E vocês meninas que pagavam R$1,00 para entrar em algum boteco minimamente limpo para usar o banheiro, vão ter agira que fazer naqueles adoráveis banheiros químicos.

E você que bebe água e refrigerante acredita mesmo que as barraquinhas da Prefeitura vão dar conta de atender a demanda de consumidores da Virada Cultural? Eles vão ter estrutura pra manter as bebidas geladas a noite inteira? Eu duvido.

E você já viram a alimentação destas barraquinhas? Não? Pois vão ver essa ano e serão OBRIGADOS a comer nelas, umas vez que a opção de comer um misto-quente confortavelmente sentado em um local coberto me foi podada.

Por essas e outras que eu acho essa “Lei Seca” uma baita palhaçada. Eu não preciso da Prefeitura me dizendo como me divertir atendendo a interesses obscuros, visando trabalhar menos e lucrar com multas ao invés de fazer o que realmente precisa ser feito.



O Fator SNAFU

 

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"Qualquer pessoa em Washington que não seja paranóica, está simplesmente louca"

Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano

 

Um preceito básico que deveria fundamentar todas as teorias da comunicação, diz: Informação e Hierarquia não combinam. Uma transmissão de informações só flui corretamente se não houver nenhuma preocupação hierárquica no sentido de se passar uma mensagem deturpada para agradar alguém. A submissão de uma hierarquia tende a destruir completamente a possibilidade da informação – Informação aqui deve ser entendida aqui como o Fator Surpresa, a carga de novidade, o elemento desconhecido de uma mensagem – não ser editada, alterada ou até mesmo omitida. Se o conceito não está suficientemente claro, imagine a seguinte situação: um soldado raso que está de guarda no quartel de um batalhão e tirou um cochilo acorda de sobressalto avista um grupamento inimigo invadindo a unidade dele, e precisa urgentemente avisar aos seus superiores. Com toda a certeza esse soldado experimentará um momento de indecisão particularmente pavoroso e intenso. Ele não só precisa deixar todos a par da situação, como precisa livrar o próprio cu de ser rifado por seus superiores, tornando a mensagem receptiva para os que têm o poder de dar-lhe um tiro de punição pelo que fez. Em outras palavras: ele provavelmente criará artisticamente uma versão completamente nova dos fatos que ocorreram, deliberadamente desinformando seus superiores para evitar ser punido. E a punição parece tão assombrosa para um soldado que ele põe em risco toda a unidade militar em nome de um propósito taxado de egoísta.

A situação pode ser extrema, distante, devido a rigidez da vida militar, mas não é muito diferente do que acontece diariamente em uma cacetada de empresas. É o tradicional "Deu merda", que qualquer estagiário ou funcionário subalterno certamente já experimentou. Aí entra a hierarquia. Uma hierarquia – incluindo a empresarial, aparentemente inocente – não funciona se o cara que está acima, não tiver algum tipo de poder fatal, comparável ao revólver. Uma frase clássica cunhada por alguém que no momento não recordo o nome, afirma: "O poder político nasce do tambor de um revólver". Não sejam tão apressados em levar o revólver ao pé da letra de forma integral. O poder do revólver está contido na possibilidade estatística do seu portador atirar na pessoa ameaçada (também deve ser levado em conta a possibilidade do disparo não acertar a vítima), o que exclui a necessidade de uma demonstração. O medo de tomar um tiro é o poder por trás do revólver, ele é basicamente um instrumento de ameaça. E alguém superior em uma hierarquia possui algo similar a um revólver. Pode ser um rito carregado de tradições – "Não responda ao seu pai, moleque!" – ou o poder de colocar em xeque a capacidade de sobrevivência de alguém – "Cometa mais uma besteira dessa, seu verme, que te demito sem pensar duas vezes!". Se acha que esses não são revólveres suficientemente persuasivos, ponha-se a pensar em como seu comportamento com quase certeza é radicalmente diferente na frente dos seus pais, especialmente se você tem mais de 25 anos, em que a fase rebelde de um homem adulto geralmente começa a terminar. Pense também em quantas pessoas você mantém laços suficientemente fortes para pedir ajuda caso TODAS as suas fontes de renda sequem de um dia pro outro. Refletiu? Agora imagine os dois revólveres combinados na sua cabeça e entenda como uma arma social e aparentemente inofensiva pode ser bem poderosa. Se esse peso hierárquico é capaz de ameaçar o curso da vida de qualquer um, imagine o quanto não influencia na integridade de uma Onda de Informação.

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Pequenos “CAOSos”

- No elevador, entra o faxineiro do prédio. Os cílios do olho direito dele são totalmente brancos;

– Você está sentado no ônibus lendo “Mago: a ascensão” e senta um mendigo ao seu lado. Ele então comenta que os ilustrações do livro o fazem lembrar de “Fantomas” e vocês começam um animado bate-papo sobre animes antigos, que dura até o ponto final;

– Um evangélico o aborda no meio da rua e diz que Deus acabou de dizer a ele seu nome está escrito no Livro da Vida, portanto você está salvo;

– Um amigo te oferece bebida no meio de uma festa. Você acha que é conhaque e vira o copo. Logo em seguida descobre que aquilo era chá de cogumelo e passa a festa inteira sentado no sofá vendo luzes dançantes e ouvindo vozes abafadas sussurrando garatujas;

– No ponto de ônibus de madrugada uma mendiga comenta com você que foi faxineira do Oswald de Andrade e começa e recitar trechos de obras dele de maneira extremamente fiel;

– O termômetro nas primeiras horas da manhã marca 12°, o dia está nublado. Então passa por você um cara sem camisa em um carro conversível, de óculos escuros e tomando cerveja;

– Você descobre que seu professor de Economia que é a cara do Michael Madsen é um mago hermético. Ele te convida para ser membro da ordem dele;

– Você briga com seu chefe e ele te demite. Um mês depois descobre que ele está falando para todo mundo que te demitiu porque você traficava maconha dentro do serviço.

É nóis na Universidade!

Pierre Levy, Maria Angélica e um sujeito que não sei quem é (maus aí)...

Provando que tudo que é ruim faz sucesso, nosso “blog de merda” foi alvo de análise em uma mesa durante o “3° Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação – Redes Sociais e Aprendizagem”!

Em sua exposição “Convergência midiática e a exposição nos blogs: a sedução na e pela linguagem”, a Profa. Dr. Angélica Freire de Carvalho, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), analisa como a linguagem nos blogs é usada de forma a tanto afastar quanto atrair leitores e o blog escolhido para exemplificar tudo isso foi o nosso!

Um texto que mistura, Pierre Lévy, Roland Barthes e Mikhail Bakhtin com Grant Morrison e Alan Moore e leva a Pop Magick para a academia!

Clique aqui para baixar o artigo.

Clique aqui para baixar os slides usados na apresentação.

Com uma menção tão honrosa feita por uma professora doutora linda dessas o nosso não-tão-humilde blog conquistam o Selo “Sou Foda” de Qualidade!!

Pirataria aprende-se na escola

(texto originalmente publicado na Folha de São Paulo – Cotidiano em 14/03/2001 e reproduzido aqui sem a autorização de ninguém. Foda-se)

O Thoreau era um cara zen. Dizia que lei injusta se combatia com desobediência civil. Foi assim com o Lula em 1978, que fazia greves ilegais e corria o risco de ser preso a cada pouco. Ou com Rosa Parks, senhora negra que sentou num banco reservado a brancos, há apenas algumas décadas. É assim com os jovens que hoje derrubam os ditadores árabes – todos, pela lei, são criminosos.

Os 70,2 ilhões de brasileiros que compram ou baixam Cds e DVDs pirata não estarão praticando desobediência civil? Deveriam ser, todos, recolhidos à penitenciária?

Estudantes devem ser rotulados de cúmplices do crime organizado porque se recusam a pagar R$45,00 por um DVD de filme antigo que custa R$2,00 para produzir e distribuir?

O Conar, que autorregula a propaganda, omite-se ao não proibir a campanha que acompanha os DVDs. Não existe prova alguma de que parte relevante das vendas da pirataria tenha a ver com traficantes ou armas. Dediquei dias á centenas de sites, incluindo o da Interpol, conselhos contra a pirataria e CPIs de quatro governos para constatar isso. Claro que a pirataria envolve rime organizado – só faltava serem criminosos desorganizados -, mas é uma turma focada apenas em produtos.

E vejam, que curioso: das 80 fábricas piratas na Ásia, 8 na Malásia são licenciadas pelo governo! Ao todo produzem 9 milhões de Cds por dia.

A verdade é que a era de ouro dos estúdios e artistas chega ao fim. Não cabe mais que o mundo financie US$ 12 milhões por filme ao Tom Cruise ou fique babando com os Rolss-Royce dos rappers. Muito menos que financie cartéis de estúdios que conseguem, pelas leis vigentes, transformar policiais em capangas do lucro.

Ninguém vai defender as fábricas ilegais ou a pirataria intelectual, mas urge perceber que o mundo mudou.

As soluções são óbvias e lucrativas também: vender no dia da estréia o download por alguns reais. O faturamento final será o mesmo. Sim, terminará a mamata do filme que passa meses no cinema ou o livro que fica em capa dura – porque o lucro é estratosférico nesses fases – para, então, manipular o consumidor pelas fases imaginadas pelos espertos das finanças.

É aceitar que o mundo não é composto de acorbetadores de traficantes, e sim de adolesentes e adultos que não querem mais ser manipulados pelos Gaddafis da indústria do entretenimento. Acordem: 1 bilhão de downloads em 2010, antes mesmo que a banda larga de 10 mega seja corriqueira, é aula para qualquer empresário antiquado. Que criem vergonha e se atualizem – 70,2 milhões de criminosos brasileiros, todos mal-educados, agradecem.

Ricardo Semler, 51, é empresário. Foi scholar da Harvard Law Scholl e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachuesetts), em Boston. Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã, e escreveu dois livros (“Virando a Própria Mesa” e “Você Está Louco”) que venderam 2 milhões de cópias em 34 línguas.

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