Scott Snyder e o Batman do Novo 52

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Escolhido a dedo pelo conceituado romancista Stephen King, Scott Snyder, que até então nunca tinha trabalhado no meio das revistas em quadrinhos, debutou nas páginas de American Vampire, sucesso de vendas da Vertigo, o selo “adulto” da DC Comics, voltado para contos de terror e mistério policial.

 Com as histórias de terror protagonizadas pelo vampiro estadunidense Skinner Sweet, Snyder e King, em parceria com o desenhista brasileiro Rafael Albuquerque, conquistaram público e crítica e em 2011 levaram para casa prêmios importantes do mercado de entretenimento, como o Eisner e o Harvey de melhor nova série.

Com uma inclinação para o sombrio e para o mistério, Snyder começou sua contribuição para um dos títulos mais antigos da DC Comics: a Detective Comics, protagonizada pelo Batman, um dos personagens mais queridos do portfólio da editora.

Em Detective Comics #871, Snyder surpreendeu a todos ao apresentar ao longo de 10 edições, uma Gotham City ainda mais assustadora e claustrofóbica, introduzindo novos elementos no canônico do homem-morcego e revivendo antigos traumas do elenco.

É nesta fase que podemos presenciar uma das melhores – e mais trágicas – histórias envolvendo o Comissário Gordon e sua família, rivalizando em repercussão com The Killing Joke escrita pelo gênio Alan Moore.  

Nesta encarnação de Gotham City, tivemos psicopatas e dramas familiares, sociedade secretas de ricos, um vilão perturbado e carente de atenção, além de cenas de violência explicita que não observamos na editora desde os tempos áureos da Vertigo na década de noventa.

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Snyder, em Batman, parece ter uma fixação pela aristocracia decadente da cidade, que rendeu antagonistas clássicos como Pinguim e Silêncio, como também o próprio passado da cidade é visitado com frequência em suas histórias.

Isto fica claro na minissérie “Batman – Gates of Gotham” lançada em meio do ano passado, onde o roteiro mostra a relação entre um terrorista em série e um segredo antigo das principais famílias de Gotham City.

“Batman – Gates of Gotham” também é uma das poucas histórias do homem-morcego que busca explorar a arquitetura sobre a qual a cidade foi concebida.

Image Este clima denso, quase um thriller de suspense, tornou Snyder a escolha óbvia para alguns dos títulos do “Novo 52” de sua editora, gerando expectativa e comoção quando o mesmo foi escalado para assinar o roteiro da nova revista do Swamp Thing, um dos personagens mais cults e quistos pelo público.

Mesmo sendo um reboot, Snyder na nova revista do Batman resgata elementos de seus trabalhos anteriores em Gates of Gotham e Detective Comics.

Nesta nova história, Batman investiga a relação entre o passado de Gotham City e uma conspiração de assassinos conhecidos como “Court of Owls”.

Existem dois aspectos peculiares na passagem de Snyder pelo Batman, sua fixação pela arquitetura em Gotham City e o simbolismo da Coruja, uma ave conhecida por ser predadora natural dos morcegos e famosa por roubar ninhos de outras aves.

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Recomendo ao leitor interessado que ele preste atenção nas incríveis e sombrias ilustrações de Jock e Francaviella para entender as entrelinhas daquilo que ainda está por vir para o homem-morcego e seus aliados.

O sucesso da publicação é tamanho que em nota emitida pela imprensa a DC Comics divulgou que o número de vendas da revista ultrapassa as 100.000 cópias.

Esta repercussão positiva fez com que a editora aumentasse o número de páginas da revista de 32 para 40, com o acréscimo de um dólar no preço final, outra novidade é que em Batman, Scott Snyder se reunirá com seu antigo parceiro de ilustração, Rafael Albuquerque.

Snyder é uma ótima alternativa para quem está enfastiado das histórias lisérgicas e nostálgicas da era de prata que Grant Morrison escreveu, ou que busca um pouco mais de refino e sofisticação nos roteiros grim n’ gritty de Frank Miller.

Aqui no Brasil, a passagem de Scott Snyder pela Detective Comics pode ser conferida na revista “A Sombra do Batman” a partir da edição nº 18, lá fora, as histórias foram coletadas em uma edição capa dura chamada “The Black Mirror”, disponível na Amazon.com

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