O Homem Animal do Novo 52 da DC Comics

Buddy Baker não é um herói qualquer, ele é o Homem Animal, ex-dublê de cinemas, super-herói de carreira e ativista dos direitos dos animais, ele emprega sua capacidade de imitar – em larga escala – características de diversos animais de nosso planeta para combater o crime e a injustiça.

Homem-Animal (ou Animal Man para os gringos) ganhou status de cult no universo de sua editora, a DC Comics, após vivenciar um período mais experimental na década de noventa nas mãos do escritor Grant Morrison, que escreveu histórias que hoje são consideras verdadeiros clássicos dos quadrinhos, como “O Evangelho Segundo o Coiote”.

Grant Morrison, conhecido por ser vegetariano e defensor dos direitos dos animais, refletiu diversos de seus argumentos políticos no personagem ao longo de sua estadia na série, quando a série passou para o selo Vertigo, conhecido por suas histórias mais maduras e ousadas, o escritor Jamie Delano, que teve uma ótima fase em Hellblazer, tomou as rédeas do personagem, atribuindo novos elementos místicos e aproximando a narrativa da série para as histórias de terror e suspense.

Quando veio a notícia esse ano que o universo criativo da DC Comics sofreria um “reboot”, ou seja, um reinicio em sua continuidade, entre seus cinquenta e dois títulos anunciados, constavam diversos títulos estrelados por personagem que passaram pela Vertigo e a Wildstorm, entre eles, uma nova revista estrelada pelo Homem Animal.

A dupla criativa dessa vez é Jeff Lemire assinando o roteiro e Travel Foreman no desenho, Lemire é bastante conhecido no selo Vertigo, principalmente pela série Sweet Tooth, ainda sem previsão para ser publicada no Brasil.

Logo na primeira edição Buddy Baker é apresentado ao leitor na forma de uma entrevista da revista independente “The Believer” – o que serve apenas pra reforçar o apelo “indie” tanto do herói como do escritor – lá, Lemire amarra as influências de Grant Morrison, apresentando o herói como alguém prestes a estrelar um filme de produção independente, ativista dos direitos dos animais e “símbolo da juventude hipster esquerdista”.

Se levássemos em consideração tanto o passado do Homem-Animal, assim como nosso cenário sócio-político e a proposta do “reboot” da DC Comics, em modernizar e atualizar seu repertório de heróis, pode parecer uma escolha sensata alinhar o herói com o discurso de grupos como a rede Anonymous ou o Movimento Ocupa, porém para a surpresa de todos, Lemire passa longe disso e prefere deixar esse aspecto da mitologia do herói em segundo plano.

Logo Lemire nos transporta para a vida doméstica do herói, conhecido pelas pelos leitores por histórias onde sua família exerce participação ativa, aqui nos encontras Baker discutindo com sua esposa sobre a rentabilidade de seu papel em um filme independente, ao mesmo tempo em que sua filha mais nova pede por novo animal de estimação.

Após essa introdução a rotina do herói, Lemire mostra o que é capaz ao resgatar elementos trazidos por Delano nas séries passadas, em cenas repletas de morbidez, após frustrar uma invasão a um hospital, o herói sofre sangramentos inexplicáveis na derme e, ao voltar para casa, descobre que sua filha despertou poderes, revivendo diversos animais mortos pela vizinhança, não podemos esquecer de tudo isso acompanhado pelo clichê do “posso ficar com eles papai?”.

A nova revista do Homem-Animal tem sido bem recebida pela crítica, estando entre os cinco títulos mais vendidos do novo universo da DC Comics, a primeira edição ganhou uma terceira reimpressão em Outubro, a série tem mantido um bom nível artístico, sendo capaz de sustentar uma trama, que tudo indica – e levando em conta o sucesso da série – ainda vai se estender por meses.

Vale a pena mencionar que o material para esse resenha foi obtido no aplicativo da DC Comics para iPad, que até agora mantém a proposta de lançamento simultâneo entre o material impresso e digital, fora a questão do fuso-horário, eu consegui obter a edição mais recente na data de lançamento.

Se você busca mais referencias para o “Novo 52”, outros membros do Nerdevils escreveram ótimas resenhas, você pode conferir elas nos links abaixo!

Justice League #1 é um “foda-se” para os nerds reclamões, por Alessio Esteves

Action Comics #1: o novo Superman é o antigo Superman, por Agostinho Torres

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Comentários

  • Dani e Tiago  On 01/02/2013 at 22:43

    Muito legal. Estávamos procurando sobre esse personagem e a sua resenha está impecável. Obrigada.

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