Shadows of the Damned: boas idéias, potencial frustrado

Quando anunciaram Shadows of The Damned, eu pensei: “nossa, que legal!”, afinal, nada poderia gerar mais hype que um jogo escrito e dirigido por Suda 51, com a produção de Shinji Mikami e a trilha sonora composta por Akira Yamaoka, para quem acompanha a indústria de games, não é preciso dizer que estamos falando de um trio de peso, o que se espera é que cada um contribua com o seu melhor, porém a verdade amigos leitores, infelizmente é outra. Shadows of the Damned – para PS3 e XBOX 360 – foi desenvolvido pela Grasshopper Manufacture e publicado no ocidente pela gigante Eletronic Arts. A Grasshopper, de Suda 51, para quem não conhece o trabalho deles, é famosa por jogos que são considerados estranhos e até mesmo “artísticos”, ganhou maior visibilidade no ocidente após o lançamento de Killer 7, para o extinto Gamecube, muitos consideram Suda 51 como o “Quentin Tarantino” dos vídeo games, um verdadeiro deviante da cultura pop, e não é por menos, seus jogos são estilizados, cheios de referências, inusitados e até dotados de um certo erotismo, vide o já nascido clássico No More Heroes para Nintendo Wii.

Mas ai você pergunta: “dessa vez, ele acerta a dose de novo?” e eu respondo pra vocês: “não”, e por muitos motivos, porém ele não deve ser considerado o único culpado. Shadows of The Damned apresenta a história de Garcia Hotspur, um caçador de demônios latino-americano, que após ver sua namorada Paula ser seqüestrada por seus inimigos, vai ao seu resgate em uma viagem que desce o inferno. Para começar, muitos problemas, alguns óbvios, Garcia Hotspur não apenas falta de carisma como também não é original, se a gente lembrar de outros títulos c/ “caçadores de demônios”, vide Devil May Cry como o mais famoso. Se no passado, Suda 51 acertou com Travis Touchdown em No More Heroes, aqui ele até que se esforça, mas não obtém êxito, outro problema é na personalidade e no humor do protagonista, Garcia Hotspur é genérico, um brutamontes de paciência curta e palavrões na ponta da língua, quase toda descontração do jogo é calcado no humor machista – salvo alguns comentários inteligentes de seu parceiro Johnson – mas mesmo assim, pouco se obtém êxito, talvez pela falta de foco, talvez por ser outro arquétipo repetido, vide Kratos de God of War e o próprio Duke Nukem, até mesmo o negócio do “anti-herói mexicano” é um pouco passado, vide Machete ou a série Mariachi do Robert Rodriguez.

Outro problema se encontra no design das fases, o inferno, para todos os efeitos, não é assustador ou impressiona, sequer tem inspiração, é um jogo de ação de natureza linear, os inimigos que habitam as fases são simplórios “demônios” que mais parecem cadáveres com algum nível de variações (protegido por armaduras, teletransporte, longa distância), podemos até dizer que o jogo demonstra alguma empolgação no início, mas a fórmula vai enfraquecendo assim como a capacidade de Suda em apresentar algo novo.

Isso acaba impactando na direção criativa do jogo, a música tétrica e melancólica de Akira Yamaoka é vítima de um infeliz casamento, estamos falando de um jogo propositalmente rápido e de humor babaca, isso dá pouquíssimo espaço para Yamaoka brilhar, não esperem aquelas inquietantes – e bonitas – trilhas que nossos ouvidos apreciaram na série Silent Hill, é engraçado que o dedo de Yamaoka aparece em alguns momentos, principalmente nos cenários, repetindo aqueles detalhes intrigantes de Silent Hill, levando o jogador a fazer perguntas como: “o que é aquilo?” ou “o que aconteceu?” mas ainda assim, tais momentos infelizmente são raros.

A jogabilidade é a fórmula que consagrou Shinji Mikami, o menos conhecido do trio, porém ao mesmo tempo – por ironia – o mais popular, acontece que Shinji Mikami foi o responsável pela mudança de direção na série Resident Evil, inclusive na mecânica do jogo, foi graças a ele que Resident Evil 4 saiu do gênero adventure para se aproximar mais de um jogo de ação, quase um tiro em terceira pessoa, e isso não muda em Shadows of the Damned, aquela visão “sobre o ombro”, aperta um botão para sacar uma arma, acumula pontos, upgrades, o problema aqui é a pouca variedade, os inimigos – como já mencionados – são poucos, as armas são poucas, poucos upgrades, pouca customização. o jogo não demonstra preocupações em ser inovador.

No final das contas, Shadows of the Damned é um conjunto de boas idéias mal executadas, onde nenhum dos “cabeças” consegue brilhar direito, roteiro raso, um jogo curto, e o pior de tudo, sem fator replay ALGUM, para mim Suda 51 infelizmente provou um triste argumento, que em uma época onde se critica o crescimento de “fórmulas” no Game, até mesmo a mais nobre das pretensões “artísticas” ao meio também é passível de falha, e nesse caso, de forma bem miserável, sorte que para quem procura um jogo inspirado e artístico no final desse mês nós contamos com o lançamento de Catherine, até lá, você até pode dar uma chance para Shadows of the Damned, mas eu recomendo que você economize seu dinheiro para algo melhor…

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: