Superman: Entre a Foice e o Martelo

clip_image002

E se a nave do Super-homem tivesse caído na URSS? E se o socialismo soviético tivesse se tornado sistema político hegemônico graças a ele? Como seria o mundo e o que aconteceria com os outros heróis do universo da DC? Qual seria o lugar dos antigos vilões no mundo? É em cima dessas proposições que se baseia o fantástico roteiro de Mark Millar na HQ Super-Homem: Entre a foice e o Martelo (o título em inglês é bem mais pertinente e preciso Superman: Red Son), publicada nos EUA no ano de 2003.

Essa idéia de deslocar o Super-Homem de sua posição tradicional faz parte da iniciativa nomeada pela DC como Elseworld, em geral traduzido no Brasil como Realidade Alternativa. É um selo da editora no qual os heróis têm sua cronologia oficial alterada por fatos históricos ou mesmo invenções totalmente casuais para os roteiristas, ou seja, é uma possibilidade para se observar como seriam os personagens caso tivessem nascido em outra época, país e/ou dentro de outras perspectivas sociais.

No entanto a proposta de Mark Millar é mais do que uma brincadeira… ela parece satisfazer um antigo desejo seu de brincar com os símbolos da supremacia norte-americana no mundo, pois ele nos apresenta uma verdadeira sacudida dos valores norte-americanos e um chute no saco dos fãs tradicionais do homem de aço. Super-man, que foi uma criação de Jerry Siegel e Joe Shuster e representava principalmente uma expectativa de superação e da inabalável força da América do Norte recém saída de uma crise econômica nos anos 30, passa agora pro outro lado da política internacional. De herói quase invencível, protetor do planeta que espalha a justiça norte-americana para todas as regiões, defensor do american way of life que representa o espírito americano de superação e de força, ele se torna um disseminador do comunismo e única pessoa no planeta capaz de tirar essa idéia do plano utópico!

clip_image004

Misturando Orwell, o panóptico de Foucault, retomando o confronto já secular entre anarquismo libertário e comunismo pleno (Marx x Phroudon, na HQ será Batman x Super-man) e fragmentos de teoria do caos-temporal, Mark Millar constrói um roteiro formidável, no qual em três números aparecem Batman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde, que pouco se assemelham nesse universo paralelo com os personagens tradicionais. Os principais inimigos do homem de aço na trama vão ser Braniac e Lex Luthor, que num brainstorm delirante irão surpreender o leitor a cada página decorrida. Além de tudo isso, ele faz uma critica a própria existência de certo arquétipo heróico, o do ser invencível. Este que percorre a história humana desde os tempos primitivos pela figura do demiurgo selvagem que depois será a mãe-natureza, passa séculos depois nos gregos pela imagem do herói Hercules e na era moderna é representado na cultura pop pelo Super-Homem.

A grande pergunta que percorre subterraneamente a HQ acaba sendo: como a humanidade seria se alguém que pudesse ver/ouvir tudo, que fosse capaz de se locomover quase instantaneamente para qualquer lugar do planeta, tivesse força incomensurável e fosse invencível, existisse? O mundo não seria como ele acreditasse que deveria ser? Por mais que ele fosse bom, não acabaria moldando o planeta a sua imagem?O mundo não se renderia aos seus pés sem reclamar? Isso é heroísmo? Bom, leiam essa HQ do caralho e tirem suas próprias conclusões.

clip_image006

Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Comentários

  • Jacques  On 30/06/2011 at 14:36

    Realmente, meu caro, esta hq é ótima.
    E olha que eu detesto o Superman, e concordo que ele tem histórias magistrais, como All Star Superman e esta mini-série.
    O selo Elseworlds é algo como o antigo “O que aconteceria se…” da Marvel e coloca os personagens em situações ode só a imaginação doentiamente divertida dos autores seria capaz de levá-los.
    Um Superman fascista é algo de meter medo.
    Pode ter sido daí que Mark Waid e Peter Krause tiveram a ideia de criar Irredeemable, o Superman Do Mal Mesmo, como diria o Mutano do desenho.
    Até mais.

  • matheus  On 24/11/2011 at 15:25

    Podiam criar um superman nazista.
    que representasse a raça ariana de outro mundo.
    e seus inimigos fossem os judeus e ciganos e comunistas.
    bem o super homen loiro de olhos azuis seria mais forte do que o hitler.
    provavelmente mataria ele mataria hitler e viraria fhurer.
    com certeza essa historia não daria certo.
    melhor um superman internacional comunista do que um superman nacional socialista.Não que a Russia fosse melhor ou pior do que a alemanha.
    os dois mataram humano pra caraio.
    Mas em fim os piores foram os estados unidos que matam neguinho até hoje.
    e o super man original defende eles.
    e se a nave do superman tivesse caido no Brasil o que sera que teria ocorido.
    defendido o trafico.

    • Adrian  On 13/07/2013 at 23:06

      ele seria o super traficante e defenderia os drogados

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: