Eve no Jikan: Anime, Asimov, Café e Relacionamentos!

Robótica e animes são coisas que há muito tempo andam de mãos dadas, o fruto do interesse dos autores neste ramo específico da ciência resultou em obras que mesmo após décadas ainda são discutidas e repercutidas em seus meios, podemos ir lá trás, nos primórdios da animação japonesa com Astroboy de Osamu Tezuka, passando pelo uso de robôs no serviço cívico em Patlabor ou a ficção cientifica beligerante de Mobile Suit Gundam, sem esquecer de mencionar – é claro – Ghost in the Shell, de Masamune Shirow, um dos mais preciosos e assertivos tratados sobre o gênero literário cyberpunk, existem outros – muito outros – tão importantes quanto estes citados, como a adaptação pra anime feita pelo estúdio Ghibli de Metropolis, filme expressionista alemão da década de 20, dirigido por Fritz Lang, seguindo essa linha, também tivemos animes sobre a influência das redes sociais e a vida na Web 2.0, desde a abordagem densa e cheia de metáforas em Serial Experiments Lain, passando pela integração das redes no novo clássico Summer Wars e até mesmo Durarara!! Tratando da vida urbana e seu reflexo em imageboards e smart-mobs (Que um dia será objeto de resenha neste blog…)

Animes e Mangás – assim como diversas outras manifestações culturais – têm essa característica em informar e abordar assuntos atuais, não é por menos, se considerarmos o cotidiano das cidades japonesas – e por extensão, do mundo – fábricas de automóveis completamente automatizadas, sistemas de informática para hospitais, transporte público, transmissão para os meios de comunicação em massa, sistemas de vigilância e até mesmo coisas menos tangíveis, como softwares inteligentes agindo em buscadores e sites de compra, querendo ou não, a presença de robôs e informática nos atinge de um modo ou outro.

Seguindo essa linha, o anime Eve no Jikan aborda de um jeito tenro as relações interpessoais entre humanos e máquinas, claramente inspirado no universo de ficção criado por Isaac Asimov, onde robôs verossímeis a forma humana são empregados na realização dos mais diversos labores, a história começa – pra variar – sob a perspectiva do estudante colegial Rikuo Sakisaka, que após analisar os logs de sua robô doméstica (houseroid) Sammy, descobre a mensagem: “Are you enjoying the Time of Eve?”

Originalmente lançado em seis capítulos em formato ONA (Original Network Animation) e exibido via streaming pelo Yahoo!Japan e pelo o Crunchyroll,posteriormente sendo relançado em uma compilação de 1h5min de duração.

O anime é rápido em inteirar o espectador no universo da estória, logo observamos questões comuns no gênero, como o lobby de grupos anti-robôs, a situação industrial e comercial do Japão e até mesmo um estranho caso de depedência/carência afetiva entre humanos e robôs, chamado “Deki-kei”, pessoas – graças a aparência familiar dos robôs – têm dificuldade para estabelecer uma política de relacionamento com seus servos robóticos, comprimentos e intimidade são vistas como tabu nessa sociedade.

Sakisaka, junto com seu amigo Masakazu Masaki, descobrem em uma ruela um pequeno – e escondido – café chamado “Time of Eve”, onde a única norma de conduta é que indiferente de humanos e robôs, todos devem ser tratados como iguais. É neste café, junto com a proprietária e barista Nagi que Sakisaka descobre o quão cinzento e complexo são as relações entre homens e máquinas. Muitas das discussões entre Sakisaka e os freqüentadores do Time of Eve são fundamentadas nas Leis da Robótica escritas por Asimov no romance “Eu, Robô”, esmiuçando a fundo o emprego delas.

Recentemente, o site japonês Biglobe lançou um ranking Top 10 das animações mais bonitas – em um sentido estético e técnico – já feitas, tendo em seu primeiro lugar, Eve no Jikan, entre os concorrentes, podíamos encontrar nomes de peso, como Ghost in the Shell: Stand Alone Complex, Evangelion 2.0: You Can (Not) Advance e até mesmo Puella Magi Madoka Mágica, que já foi resenhado aqui

Admito que foi este fator “beleza” que me motivou a procurar por esta animação, e os valores de produção são excelentes, personagens com uma gama variada de expressões, uma atenção dedicada a questões como luz, sombras, reflexos e transparência, claro que tudo isso é graças ao uso de diversas técnicas de computação gráfica, embora realmente seja bonito, não podemos observar nenhuma técnica inovadora – como, por exemplo, em Madoka, que alcançou a décima posição no ranking da Biglobe –

“Bonito” é uma boa definição para esta animação, além do apreço na arte, temos um roteiro bastante humano, que busca desconstruir aos olhos do protagonista, as barreiras deste relacionamentos, diversos tópicos são retratados: amor, preconceitos, sentimentos paternais, identidade, propósito e etc. Este não é um anime para os afobados ou sedentos por ação, o clima é letárgico e com muitos diálogos, a trilha sonora é serena, e sim, irá despertar bocejos entre os espectadores mais casuais.

Talvez uma única falha seja o fim abrupto do longa, onde embora o roteiro explore bastante as relações e vicissitudes do universo robótico, diversas tensões construídas são ignorados ou terminam sem grandes explicações, de acordo com o site oficial, uma segunda temporada – e por conseqüência, longa metragem – está planejada para este ano, porem, ao momento da conclusão deste post, nenhuma outra notícia foi emitida pelo estúdio de animação.

É um bom anime, recomendo para muitos públicos, entusiastas do filão clássico da Ficção-Científica ficarão aliviados em saber que o debate de Asimov é retomado de forma sensacional, já aqueles apaixonados por dramas, encontrarão ai uma boa e interessante história sobre relacionamentos, enquanto os fissionados por animações vão poder se deleitar com os aspectos técnicos e gráficos.

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