Resenha: DC Universe Online

Eu me lembro que há uns cinco anos atrás eu jogava no PC um negócio chamado City of Heroes, um daqueles MMO que são tão costumeiros no dia de hoje, o legal de CoH era sua abordagem, enquanto vários títulos (World of Warcraft, Lineage…) focavam em fantasia medieval, este trouxe uma inovação pro mercado, era o primeiro jogo do gênero a abordar a temática de super-heróis.

O jogo chegou a ser disponibilizado no Brasil pela Level Up Games, em parceria com a produtora do jogo, a NC Soft. Com um universo próprio e lore extensa, CoH oferecia para os jogadores lá em 2006 uma experiência vasta e contínua, opções de customização do uniforme, estilo de jogo, poderes e etc. foi lá, inclusive, uma das primeiras vezes que a alcunha “Synthzoid” foi empregada.

“Synthzoid” era um mutante que podia canalizar em golpes uma espécie de energia negativa lovecraftiana, na época, no auge do meu interesse pelo gótico e cyberpunk, o personagem foi concebido com uma roupa de circuitos a lá Tron, cabelo rosa shock e capa preta, como uma ménage a trois bizarra envolvendo Jack Kirby, William Gibson e a Emileigh Rohn.

Mesmo com uma comunidade mais restrita, adulta e amigável, coisa que eu suspirei de alívio e agradeci por ter me distanciado das crianças raivosas do World of Warcraft, acontece que eu não gosto muito dos MMO, pra mim, um game é uma experiência sensorial, e não uma rotina, logo, eu fico enjoado destes jogos online e parto pra outra.

Quando ouvi falar pela primeira vez de DC Universe Online, da Sony Online Entertainment, eu fiquei meio cético, a formula super-heróica já tinha sido empregada, e CoH e tantos outros MMO de super-heróis que vieram depois persistiam até os dias de hoje, então qual seria o diferencial? O hype cresceu na medida em que as imagens eram lançadas, o envolvimento de artistas e dubladores captou minha atenção, fiquei inclinado a experimentar esse MMO (e como vocês sabem, junkie é foda e sempre volta pro vicio).

E mês passado, eu finalmente consegui as minhas férias, e com isso, um bocado de tempo vago, então resolvi comprar o jogo e aproveitar o primeiro mês grátis de assinatura!

O conceito é o mesmo de tantos MMOs, você cria um personagem, e o ponto forte é a customização, primeiro escolhe sua “moralidade”, se você será herói ou vilão, e depois a origem de seus super-poderes, e assim começa a interação dos usuários c/ o universo da DC, suas origens podem ser mágica, tecnológica ou meta-humana, e c/ isso, o você descobre o seu “mentor”, o herói NPC que vai delegar ao usuário as missões e tramas, para os mágicos, Wonder Woman, para os tecnológicos, The Goddamn Batman e enfim, Superman para os heróis meta-humamos.

Como fã irremediável do Batman, defini que meu personagem, o Nightwalker, seria um herói tecnológico, e na hora de concebê-lo, a extensão da já dita customização me fascinou, alem da origem dos poderes, você escolhe qual o tipo de poder (Gadgets, Fire, Ice, Mental, Arcane…), o tipo de arma que você pode usar (Arco, Espada, Artes Marciais, Rifles e etc.) e também o “estilo” do herói, se ele será despojado, arrogante, estóico ou bruto. Alem, claro, das peças de roupa.

Feito isso, dei início ao meu jogo, a história, roteirizada pelo Geoff Johns, é confusa e fragmentária, precisando recorrer a várias missões para poder “ligar os pontos” e entender o que acontece, aparentemente envolve um Brainac de uma dimensão alternativa que invade a Terra e a chegada de um Lex Luthor do futuro, que libera na atmosfera exobytes que fazem c/ que pessoas normais subitamente ganhem super-poderes.

É notável, principalmente dentro do gênero MMO, a preocupação dos produtores em enriquecer a narrativa, todos os diálogos são dublados, inclusive com algumas vozes famosas, o retorno de Mark Hamill e Kevin Conroy é digno de nota, todas as cut-scenes foram feitas em forma de Motion Comics, desenhadas pelo Jim Lee, sim amigos leitores, DC Universe Online, é um verdadeiro dream team.

E o jogo faz questão de trazer o usuário pro centro das coisas, a primeira missão é dentro de uma nave do Brainac, onde você conta c/ o auxílio da Oráculo e no final ajuda o Superman contra hordas de lacaios do vilão. Porem, a coisa fica nisso, as missões costumam seguir uma lógica do tipo “Vença 25 inimigos, destrua 10 coisas e salve personagem XYZ”, claro, a riqueza do universo da DC Comics ajuda você a fazer vista grossa para esse fato, mudando de Gotham City até Metropolis (ambas fielmente retratadas), eu ao lado de outros usuários batalhamos contra o Coringa, OMAC, Lex Luthor, Sinestro, Circe, Solomon Grudy e vários outros cujo a memória me falha.

Os eventos internos, principalmente aqueles de natureza PvP, são mais interessantes que as missões em si, Guerras entre Tropas de Lanternas, Assaltos protagonizados pelos vilões de Batman, defender/atacar o Star Labs, explorar as ruínas de Bludhaven, isso sim deu cor ao jogo e mitigou um pouco a nhaca de rotina que MMOs costumeiramente trazem contigo.

Um dos principais atrativos para os fan boys se encontra no modo “Legends”, um PvP onde você usa diversos personagens clássicos da DC Comics, dando um gostinho de como seria utilizar eles.

Embora seja um feito para a indústria de games e HQs, uma demonstração exemplar de experiência trans-mídia, DC Universe Online padece do mesmo mal de seus colegas MMOs, por ser um jogo com menos de um semestre de existência, bugs e erros de script são comuns, a interface social também é deficiente e pouco intuitiva, e para os padrões do universo DC, muito pouco foi exibido, apenas duas cidades (cadê Coast City e Star City?), o leque de poderes, embora funcional, ainda é bem limitado, então produtores e programadores, ainda há muito o que explorar.

DC Universe Online tem todo potencial, não para superar World of Warcraft, mas trazer a tona um diferencial para o mercado, uma nova expansão c/ conteúdo já foi adicionada semana passada, trazendo novos personagens e eventos, alguns bugs já foram corrigidos, se você tiver condições financeiras para pagar, eu recomendo que até os mais avessos ao gênero MMO – como eu – dêem uma chance ao título, é da DC Comics que nós estamos falando.

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Comentários

  • Oleno  On 04/03/2011 at 18:46

    O grande problema destas franquias IMO é o fato das empresa se valerem muito mais das forças da franquia do que pensar o jogo enquanto mecânica, estrutura e etc…

    DC tem uma puta lore e coisas a serem exploradas, então a sony acha que só fazer um arroz com feijão já é o suficiente pra coisa vingar, assim como parece estar indo um pouco nesse caminho o star wars.

    As empresas precisam começar a tentar se distanciar do WOW não apenas no quesito LORE, mas também na mecânica da coisa, aí sim sairemos deste mais do mesmo.

    Att
    Ndox

    • synthzoid  On 04/03/2011 at 20:08

      Caramba Oleno, Quanto tempo!

      Muito pertinente o seu comentário, não precisa apenas da Lore pronta, o aspecto técnico precisa ser pensado.

      DC Universe tenta flexionar dentro das regras do jogo, trazendo um sistema de combos (o jogo não é só “clica e ataca”) e também no design das instances (a céu aberto, meio sand box)…

      Mas até sairmos da mesmice, ainda vai levar tempo e MUITO brainstorm por parte dos desenvolvedores!

  • Alessio Esteves  On 11/03/2011 at 15:23

    Achei massa o trailer e as imagens, mas ainda não me pilhei pra jogar não…

    Deu vontade de escrever sobre Tibia, poi esse eu jogo!!

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