Escrevendo certo por linhas tortas

Muita gente me acusou de preconceituoso ao ler meu texto “Orgulho Evangélico” postado neste humilde blog.  E afirmo de boca cheia que vocês estão muito enganados, meus amados detratores. Meu caso de amor e ódio com evangélicos é baseado no mais puro e simples pós-conceito em cima do estereótipo que mais aparece de vocês socialmente: o pregador chato alienado.

Caso vocês realmente acompanhem esse blog como o dizem que fazer ao afirmar categoricamente que sou o pior autor entre os que escrevem aqui, poderão notar que alguns falam mais de certos assuntos do que outros. E aqui achei um espaço legal para falar de um dos meus assuntos prediletos: religiosidade.

Tenho formação católica e fui um fiel seguidor da Santa Fé por um bom tempo, tendo coordenado um grupo de jovens por bons três anos e participado das pastorais de comunicação, perseverança, crisma, vocacional, dízimo e primeira Eucaristia, além de ter sido missionário e coordenador de missa.

Mas o catolicismo não me deu todas as repostas que eu buscava e então iniciei minha peregrinação rumo a Grande Obra: passei pela magia hermética, por duas ordens rosacruzes, pela sociedade teosófica, dois templos budistas, dois templos de umbanda, alguns rituais wiccans e um grupo discordiano. Atualmente sigo a Magia do Caos com uma prática que mistura tarô, Pop Magik, Theomagik, Xamanismo Nagual e Xamanismo Urbano com uma pitada de Zen-Budismo.

( E diga-se de passagem, no final das contas achei a Grande Obra uma Grande Merda.  Meu maior objetivo agora com a Magia é criar minha própria Poltrona Mobius.)

Mas certa parte da minha vida merece uma explicação mais detalhada, a parte que me liga aos evangélicos. Vamos à ela:

–  Meu tio mudou-se para o Rio de Janeiro há mais ou menos uns 22 anos e se casou com uma membro da Assembléia de Deus de Niterói. E toda vez que viajo para lá e eles me convidam para participar dos cultos com eles, aceito prontamente. Logo são pelo menos 20 anos convivendo com membros fervorosos dessa igreja (já perdi as contas de quantas discussões tive com eles);

– Quando fazia faculdade em Bauru namorei por cinco anos uma guria que era membro da Assembléia de Deus Missionária. Como o pai dela era pastor, capitão do exército, advogado e vereador, quando ele insinuou de maneira bem sutil que só aprovaria o namoro caso o casal tivesse “a mesma linha de pensamento” aceitei prontamente. E já que eu amava aquela guria mais que tudo e queria ficar com ela, prontamente passei a frequentar os cultos, a escola dominical e o coral, tendo inclusive me batizado. Assim foi por 2 anos. Depois (infelizmente) a relação acabou e obviamente parei de freqüentar a igreja;

– Meu atual trabalho fixo é em uma associação mantida por uma Igreja Batista. Então desde Abril deste ano passo pelo menos 44 horas semanais entre evangélicos.

Se tudo isso não me credencia para omitir opiniões com base em fatos que eu conheço em diversas ramificações desta religião, então foda-se.

E sobre o post em si, reposto aqui o comentário do meu amigo Guilherme: “A agressividade do post é proporcional a bestialidade dos versos q o menino cantou (poderia até ser mais)”. Eu tenho motivo para falar mal de todas as linhas religiosas (até as que eu sigo). Se de repente eu critico mais alguns aspectos dos evangélicos, é porque vocês dão mais a cara a tapa com opiniões fortes e apontando o dedo. O que no final das contas é a mesma coisa que faço com meus textos aqui no blog e gera o mesmo tipo de reação das partes atingidas. Irônico, não?

É como diz uma frase de um autor cujo nome me escapa agora: “Nunca odeie nada nem ninguém, pois sempre nos tornamos aquilo que mais odiamos”.

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Comentários

  • Bruno/DG  On 02/02/2011 at 1:44

    “Dentro da Magia do Caos, não há problema algum em contradizer-se, desde que com estilo.”

    Você já se contradiz bem.

    Agora só falta o estilo.

    • Alessio Esteves  On 02/02/2011 at 2:01

      AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!

      Desse jeito vou demitir o Mário da função de ombudsman e te colocar no lugar dele!!

  • VanRichten  On 02/02/2011 at 23:41

    Eu fui evangélico de criação, pois meus pais eram da Congregação Cristã no Brasil desde que nasci. Fui criado dentro desta igreja e segui seus preceitos (acreditando neles) até os dezesseis anos, quando acabei passando por momentos vexatórios dentro dela e perdi a crença que tinha. Continuei insistindo naquela ideologia até o fim dos dezenove anos, quando passei num vestibular que me fez mudar de cidade e assim de vida. Nunca mais fui à igreja, com excessão de curto regresso de poucos meses, e o que vi no regresso fez confirmar as coisas que me decepcionaram anos atrás e me fizeram jurar nunca mais pisar lá. Muita coisa ruim aconteceu, mas não é necessário citar.

    Entretanto, isso pertence ao meu passado, e eu não participo de discussões religiosas quando aqueles que estão discutindo são defensores das fé X ou Y. Converso sobre religião quando encontro algum antropólogo ou psicólogo que se interessa pelo assunto, mas não com religiosos.

    Faço isso por uma única razão: religiosos vão iniciar uma conversa com você com o único intuito de te converter para a religião deles. Os mais jovens, inclusive os leitores daqui, argumentarão que nem todo evangélico é assim. Bom, como o autor deste post disse lá no outro, evangélico é “aquele que traz a boa nova”, ou seja, se você não está tentando converter os ‘descrentes’ para o que você acredita, talvez seja melhor repensar se você é realmente ‘evangélico’. Digo isso por todos os religiosos que conheci quando também era um e quando deixei de ser.

    Por isso, não discuto mais com eles. Hoje eu sou da opinião que uma pessoa é livre para acreditar em qualquer coisa que lhe garanta paz de espírito. Eu, humano, demasiado humano, prefiro a inquietação constante do pensamento, mas eu sei que a maioria das pessoas preferem ter paz do que idéias, e eu não acho que sou capaz de julgar essa atitude.

    Só gostaria que os evangélicos, católicos etc, tão ágeis e enérgicos quando precisam defender a sua fé e convencer os outros que ELES são os corretos, poderiam ser desse jeito quando um necessitado lhe pede a mão.

  • Pensador  On 04/02/2011 at 21:10

    eu acho estranho os evangélicos se irritarem com um texto seu… Afinal de contas, precisaria Deus de defesa?

  • Paipai  On 30/03/2011 at 14:33

    Muito boa sua colocação.

    Mostra esse texto para sua mãe.

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