Solidariedade ao Wikileaks

Falar sobre o Wikileaks não é como ponderar sobre acontecimentos do passado, o clima de inquietude revolucionária na era digital nos obriga a escrever enquanto o corpo ainda não esfria, você sabe, acompanhe o hype. Que, na língua dos enrangés, não é um termo novo, apenas adaptado, vale lembrar que frission já saia das bocas dos moderninhos e afeminados décadas atrás. A discussão a cerca do Wikileaks torna-se hype ou frission graças a nossa má educação democrática, Julian Assange, para alguns, virou uma espécie persona non grata momentânea, o bêbado na festa da democracia, para outros, o tópico da semana, há quem acuse Julian Assange e trupe de estarem em busca dos holofotes da fama na sociedade da informação. Faz parte também de nossa culpa, encabeçar os holofotes da era do efêmero, em achar que as mudanças são tão céleres para serem percebidas e/ou em nosso pessimismo coletivo, a situação está tão enraizada que a mudança não é possível, aquela velha retórica do ponto ômega, o “Fim da História”.

É uma alegoria interessante, pegue os últimos momentos do patético Matrix Revolutions, onde um gato preto caminha sobre os escombros chuvosos da Matrix, logo depois a mesma é reiniciada, voltando a normal, e o gato continua a caminhar, alheio as transformações a sua volta. É mais ou menos assim que nós temos nos comportando, estamos adaptados a ruptura, a incisão na paisagem, inoculados, é preciso resgatar sensibilidade.

Por exemplo, a escalada de eventos cujos estados do mundo e o Wikileaks protagonizaram, demonstraram, aos poucos, a erosão da ingenuidade da internet como um vetor de informação livre, um gambito à inocência de seus navegantes, o evento é como a volta de seus antigos deuses, das fragatas espanholas assombrando os indígenas, das tropas mexicanas em volta do Álamo, os grandes conglomerados de comunicação retornaram, furiosos, pra ver o estrago que nós causamos durante sua ausência…

É um ponto de partida, podemos dizer, que dessa vez, peões de ambos os lados cruzaram o rabecão.

Para entender melhor isso, seria interessante analisar melhor a situação: o Wikileaks é de fato inimigo dos Estados Unidos? Ou ele tem atacado os interesses daqueles que parasitam a máquina do estado democrático, não só americano, mas mundial? Documentos vazados indicam abusos e irregularidades envolvendo Petroleiras, Indústrias Bélicas, Tecnologia da Informação, Contratos Militares Privados, Bancos, Dinastias Políticas e etc. aparatos terceirizados e/ou corruptos

O papel do Wikileaks é em denunciar os abusos de tais grupos em frente ao estado, em retratar os verdadeiros culpados, o grande tentáculo da política americana nada mais é do que um aparato de assessores de imprensa, empresários, tecnocratas, advogados e lobistas querendo fechar o cerco ao site, ratos de contrato, assim nós podemos dizer, afinal, foi essa a desculpa para grupos como Amazon, MasterCard, Visa, PayPal se acovardarem perante a “crise”.

Precisamos entender que o grande oprimido não somos nós, mas a instituição que zela por nós, a democracia ocidental foi rendida por esta corja plutocrata, esta é a hora derradeira, onde devemos nos sensibilizar, movimentar, demonstrar solidariedade.

Combater os panfletários partidários travestidos de imprensa, que são encontrados em qualquer lugar do mundo, a transparência jornalística, assim como nossa sensibilidade a mudanças, é um valor que precisa ser resgatado, é um direito nosso que está em jogo.

A coincidente acusação de abuso sexual a Julian Assange apenas demonstra a necessidade em desacreditar a obra de uma pessoa, afinal, para o populacho, o que é mais fácil de lembrar? Herói ou Maníaco? Um exército de juristas, advogados e engravatos genéricos foram mobilizados para encontrar um crime, uma emenda, um erro de digitação que justificasse tirar Assange de cena.

E isso, inclusive, reflete uma desmoralização do judiciário, pois, até onde eu sei, abuso sexual é uma acusação séria e não mero “chiste” acusatório.

Muita coisa está em jogo, nós estamos de olho.

Sites interessantes para conhecer as ações e importância do Wikileaks,

http://sowhyiswikileaksagoodthingagain.com/

http://wikileaks.foreignpolicy.com/

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