War never changes: uma homenagem ao universo da série Fallout

War, war never changes” diz a narração de Ron Perlman, mais conhecido pelo seu papel em Hellboy ou no seriado Sons of Anarchy, e assim, como este profético axioma, tem início o jogo Fallout, uma das mais queridas propriedades intelectuais da indústria de videogames, com mais de 13 anos no mercado.

O universo da série tem como base a cultura americana dos anos sessenta: o patriotismo, as políticas beligerantes e – principalmente – o medo nuclear, onde de forma irônica, a estética do American Way of Life contrasta com Sci-Fi retro-futurista e apocalíptico da série. No mundo de Fallout, a crescente beligerância entre as potencias deflagrou um bombardeio nuclear que dizimou praticamente toda vida no planeta, transformando o mesmo em um lugar venenoso e desértico, habitado por lunáticos e monstruosidades.

Antevendo a hecatombe atômica, parcelas da humanidade foram transferidas para abrigos auto-sustentáveis, onde passaram a viver por gerações, até que, por fatalidade do destino ou planejamento prévio, a vida em tais abrigos tivesse que ser abandona e seus habitantes obrigados a encarar o hostil mundo da Wasteland.

Propagandas inspiradas no American Way of Life são constantes na série...

Propagandas inspiradas no American Way of Life são constantes na série...

O primeiro jogo, desenvolvido pelo Black Isle Studios e lançados pela extinta Interplay, inovou ao apresentar um RPG voltado ao público adulto, diferenciado do tradicional gênero de fantasia, contanto a saga de um anônimo, conhecido apenas como “The Vault Dweller”, que se vê obrigado a abandonar seu abrigo (conhecidos na serie como “Vaults”) em busca de um chip capaz de restaurar o fornecimento de água potável para seu povo. O jogo se passa no ano de 2077, onde inúmeras tribos primitivas, mutantes e aberrações habitam a região que anteriormente foi conhecida como Califórnia.

 

Vault Dweller, em exílio...

A riqueza do universo é imensa: diversas facções interagem com o personagem, como a Brotherhood of Steel, um grupo tecno-militar religioso, que busca reivindicar tecnologias do mundo pré-guerra, os Followers of the Apocalypse, um grupo altruísta de jovens que desejam compartilhar tecnologia e bens c/ as comunidades menos favorecidas e até mesmo os “Great Khans”, uma gangue/tribo a lá Mad Max (uma das inspirações do jogo) cheia de homicidas junkies. As posteriores continuações tratariam de trazer novas questões para a série, como casamento, sexualidade, drogas, religião, tudo sobre a ótica perturbada e distorcida do universo de Fallout.

Membro da Brotherhood of Steel

Muito da série é inspirado no Sci-Fi pulp da década de 60, armas de raio a lá Flash Gordon, robôs como aqueles vistos na série dos Jetsons, na ciência de Fallout, a radiação causava transformações grosseiras, deformando animais: como insetos gigantes e vacas de duas cabeças (cinicamente chamadas de “Brahmin”), mutantes gigantescos e abominações, como o terrível Deathclaw.

 

Arte conceitual de Fallout 3: Deathclaw atacando um Brahmin

Embora a série tenha uma premissa inicialmente sombria, o humor está lá, é impecável, crítico e muito negro, referências ao cenário político e a cultura pop são freqüentes, incluindo paródias sobre outras séries, como Star Wars, Dune, Star Trek e Monty Python, sem contar celebridades, como Tom Cruise e Mike Tyson, que aparecem em Fallout 2.

easter egg envolvendo a série Sci-fi Star Trek

easter egg envolvendo a série Sci-fi Star Trek

O sucesso de crítica não foi apenas em detrimento do primor narrativo da série, mas também por causa da jogabilidade, oferecendo várias opções de customização do personagem e alternativas dentro do jogo, adaptando o game ao estilo do jogador, você podia resolver problemas através de uma aproximação diplomática, furtiva ou se tudo mais falhasse – ou não… – partir pro tiroteio.

Falando em tiroteio, a violência no universo de Fallout é notável, pessoas explodem, são desmembradas, pulverizadas, imoladas, as lutas, mesmo no início da série, tinha um apelo realista, erros de estratégia podiam gerar balas perdidas, matando inocentes e/ou amigos, uma mecânica – até então inédita – chamada VATS permitia dano localizado, um mutante furioso vem correndo na sua direção? Acerte-o na perna! Quer acertar um guarda despercebido? Mire na cabeça e torça!

Fallout 3, HEADSHOT!

Fallout 3, HEADSHOT!

Embora seja uma série aclamada pela crítica, que tenha produzido inúmeras seqüências (seis, se eu não me engano), todo o sucesso é atordoado por problemas de gerência e mercado, quando sua empresa, a Interplay, faliu e se viu obrigada a vender a propriedade intelectual de sua franquia por U$5.75 milhões, o que criou um hiato de 10 anos que foi encerrado só agora.

A série Fallout é para pessoas que buscam um entretenimento interativo novo, alem do maniqueísmo moralista tacanho e/ou vícios do gênero, os títulos mais antigos, em gráficos isométricos a lá Diablo, podem ser encontrados para baixar em qualquer site de torrent ou até mesmo via Steam, por U$5,00, o mais recente título da série, Fallout: New Vegas, foi lançado para PC, PS3 e XBOX-360.

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Comentários

  • agrt  On 31/12/2010 at 6:57

    Quando li esse post fiquei extremamente sedento para jogar algo da série, mas tive que esperar até começo de dezembro, arrumei Fallout 3 e hoje finalmente terminei a trama central do jogo.
    Realmente o jogo é fascinante pelos detalhes e atrativo pelas possibilidades de resolução das situações. Comecei o jogo perdido, fiquei mais de 3 horas andando pelo mundo matando os RAIDERS e foi extremamente instrutivo para o resto das 20 horas jogadas! A história é fantastica, os enredos secundários muitas vezes interessantes, embora outras seja aquela coisa repetitiva de ir pegar algo e depois entregar pra alguém.
    Trata de escravidão (pós-apocalipse), uso de robôs com AI como seres sub-humanos, temáticas religiosas em diversos eixos (Igreja do Átomo, e a quest do cara que era tipo uma arvore e veneravam ele como DEUS) e etc, o jogo simplesmente me fascinou, mas também me cansou muito!
    Enfim, o universo do jogo é fantástico, embora em geral não traga nada “de novo”, mas a exigência de “novidade” é diferente de originalidade, a mistura de tantas referências acaba tornando um plot básico em uma narrativa original, intrigante e as vezes até genial. Gosto daquela frase do Poe, no qual ele diz que quando alguem exige originalidade no sentido de “NOVO NOVO NOVO” é pq não sabe do que reclamar de algo, então diz que falta originalidade. Claro que as vezes é latente a falta de originalidade em certas obras dos diversos tipos, mas não é o caso de FALLOUT 3, tem uma espécie de originalidade pq não é só uma cópia ou compilação de referências, é o uso consciente delas em um mundo vasto e esperando a ser explorado!

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