José Serra e a escalada de sua demagógica autopiedade

Não costumo conversar sobre política e evito o tópico durante os tempos de eleições, porem, não é como se eu tornasse essa vista grossa um hábito, mas sim o enfado que eu sinto ao me deparar com as torrentes de factóides, dissimulações e retóricas, meu crivo entende que isto não é benéfico ou enriquecedor para minha pessoa. Um dos grandes fatos se deve ao anacronismo de nossa democracia – que por sinal, é jovem – o Brasileiro, por extensão, seus políticos, não aprenderam com os erros passados, pelo contrário, eles ressentem os mesmos, as discussões partidárias, ideológicas, os mesmos preconceitos de base se transparecem entre as diversas camadas de nossa sociedade.

O que me levou a escrever esse breve texto talvez tenha sido a intensidade do debate, ele se pulverizou nos meios, no diálogo da agenda social, se embora, eu posso dizer que a política ficou na boca do povo no mesmo nível que, por exemplo, o entretenimento futebolístico, a mesma sofre, neste derradeiro momento, dos comentários chauvinistas e tendenciosos que marcam o futebol, o que nós observamos estes meses é que política se polarizou, não discutimos mais idéias, discutimos cores, discutimos siglas, e como futebol, uma briga entre torcidas é um triste inevitável.

Tucanos rasgaram pôsteres da campanha PTista, o que provocou um alvoroço no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, no tumulto, um objeto – que por sinal, está sendo hiláriamente discutido pela mídia nacional, praticamente um OVNI – acertou a cabeça do candidato a presidência pelo PSDB, José Serra, e este, em meio a confusão, se dirigiu para um hospital, provavelmente atrapalhando a rotina do mesmo e seus pacientes. Chame isso de karma, talvez ele finalmente tenha descoberto o quanto um poder repreensivo impacta uma pessoa.

Era questão de tempo que a repercussão nos meios alcançasse o presidente Lula, e que este, tomando lados, menosprezasse o ato perante o presidenciável, deixando clara suas intenções partidárias e fazendo jus a sua carreira de declarações impetuosas e catárticas, o que Lula – talvez por ingenuidade ou falta de reflexão – vacilou em contemplar, é que ele tomou parte de um ato de violência.

Mais importante que a intensidade do episódio – que eu admito ser pífia – foi o ato em si, que traduz uma mensagem de violência, a partir do momento que a população abre mão do diálogo político e parte para a confrontação, é notável que mais um princípio democrático foi ferido, desta vez, infelizmente, não pelos aqueles que nós elegemos, mas por nós mesmos. O exemplo, infelizmente, veio de cima…

Não estou fazendo o José Serra de vítima, pelo contrário, todo o discurso de sua corrida presidencial tem sido baseado em uma postura de vítimização, de conspirações, perseguições, de resquícios do passado, ser acertado por seja lá caralhos tenha sido  e usar-se disto para arrebatar eleitores, desenvolver um discurso demagógico é tão errado quanto os golpes de publicidade do PT.

Pior que uma líder fabricada é uma pessoa que transparece autopiedade, uma retórica que, no fundo, é a mesma do Presidente Lula, em um futuro hipotético – e eu peço desculpas pela especulação – muito me entristeceria o presidente se direcionar ao povo através de um “draminha”, infantil em seu nível mais básico, imperdoável pela vivência e idade do candidato, se sua postura se basear nisto, estaremos de fato, vivenciando um retrocesso. Não é a atitude que eu espero de um líder.

A mensagem que eu digo para você, leitores e companheiros do blog é que não tome partido desta teia de picuinhas, brigas e retrocesso, anule o seu voto. Pratique um pouco de desapego em relação a esta política caduca e personalista. 😉

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Comentários

  • Pinguim  On 23/10/2010 at 1:17

    Achei simpático a carinha no final.

  • Alessio Esteves  On 23/10/2010 at 15:49

    Disse tudo cara. Nunca antes na história deste país vi um processo eleitoral tão medíocre.

  • PseudoAnônimo  On 24/10/2010 at 1:01

    Concordo plenamente.

  • Fabio Fernandes  On 24/10/2010 at 14:14

    Antigamente eu faria o mesmo, e não culpo nem julgo ninguém que anular seu voto. É democrático – e que bom e saudável que vivemos em uma democracia.

    Mas há um porém: existem dois candidatos, e um deles vai ganhar. Anular o voto, hoje em dia, não é a melhor solução. Gostei muito do seu post, lúcido e esclarecedor para as novas gerações. Mas, não sei: talvez para a minha geração (explico: tenho 44 anos, estive no comício das Diretas Já, e vi o que a Globo perpetrou na disputa Lula X Collor em 1989) simplesmente dizer que a política é escrota (de fato é) e dizer que os dois candidatos têm sérios problemas (de fato têm) não pode servir para anularmos o voto.

    Isto, neste momento, é nos eximirmos da responsabilidade de ajudar a nossa democracia, ainda tão jovem – como, novamente, você disse tão bem – a aprender. Porque, no fundo, TUDO é política. Política é Pólis, Cidade, e, por extensão, a comunidade – a grande comunidade humana na qual estamos inseridos, nerds (como eu e você) ou não-nerds (que não sabem o que estão perdendo. 😉 Se não aprendermos agora, mesmo errando, não vamos aprender nunca.

    Mas, claro, é a minha opinião. Este comment não tem a intenção de cagar regras, por favor. Eu acho que esta eleição está pra lá preocupante e a Dilma não é a candidata que eu teria escolhido para mim, mas votarei nela porque sempre votei no Lula e nunca tive motivos para me arrepender, apesar de achar que ele nem sempre foi bem no seu governo (o que é normal – ele é um homem, não um deus). Mas cada um vota como achar que deve votar.

    E vamos em frente! Boa sorte pra todos nós!! 🙂

    • Alessio Esteves  On 24/10/2010 at 14:40

      Muito legal seu comment, Fábio.

      Não vejo muito erro em votar nulo porque o voto é somente uma maneira de participar da democracia e não a única como muitos propagam por aí.

      Minha opção pelo voto nulo é consequência de acompanhar o processo político todo ano e de já ter participado de trabalhos com governos tanto do PT quanto do PSDB.

      Eu sei que alguém vai ganhar e esse alguém será meu presidente, eu tendo votado nele ou não. Mas não concordo com nenhum dos dois e prefiro deixar clara minha opção anulando o voto.

      Aí depois das eleições a briga é outra!

  • ZéDirceu  On 26/10/2010 at 12:04

    Eu voto em ninguém porque ele é o úncio que cumpre o que promete.
    Sim, esse momento de disputa é indigno. Não há a construção e combate de idéias, mas sim de bandeiras e cores. O símbolo deixa de ser um vetor de um universo de ações e posições para se tornar um fim em si mesmo. Meu voto é de ninguém.

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