Do hype ao nada: o pequeno problema de Scott Pilgrim no Brasil

Vamos admitir uma coisa: Scott Pilgrim é fogo de palha, não que isto seja um negócio ruim, pelo contrário, mas está, digamos, na “essência” da obra, ser inevitavelmente fadada ao esquecimento.

Em muito, se deve pela própria experiência que a história nos proporciona, ela começou anos antes da primeira edição ser publicada pela Oni Press, todos nós jogamos vídeo games, todos nós tivemos namoradas(os), ex-namorados(as) para lidar, amigos, rolês para curtir, a vinda de Scott Pilgrim VS The World veio dar liga a isto tudo, adicionar um elemento de plasticidade, um movimento “pride” que a cultura pop passou a reivindicar nesta década.

E bom, veio o hype, eu mesmo conheci o trabalho de Bryan Lee O’Malley quando o pôster do filme foi anunciado no Omelete, a quase um semestre atrás e só resolvi comprar a primeira edição nacional, pela Companhia das Letras, após ceder ao incessante falatório da mídia especializada.

Esta plasticidade dita anteriormente se encontra na proposta do autor, em fornecer uma experiência transmídia, oferecer elementos em comum com a realidade de seu leitor, cifras de música, receitas de culinária, referências de bandas, vestuário, apresentar jeitos de imergir – quase de forma narcótica – o leitor no universo de Scott Pilgrim.

E claro, o hype que impulsionou a obra era apenas mero subproduto de todo marketing, produtos licenciados, a possibilidade de expandir a criatividade de O’Malley para outras mídias, outros eventos, como o desenvolvimento de um game, ao coquetel de lançamento do último volume – com direito a centenas de cosplayers de Ramona – e até mesmo uma apoteótica longa metragem.

Ah, o filme, e ai que nós temos que abrir mão de todo lúdico-plástico e encarar algumas estatísticas e fatos externos: o filme, comercialmente, foi um fracasso, rendendo em sua semana de lançamento apenas U$10 milhões, o que, junto com a má recepção dos críticos americanos, desestimulou as distribuidoras aqui no país a lançar o filme no circuito de cinemas.

Pra quem acompanha a mídia lá fora, cada vez menos se conversa sobre Scott Pilgrim, está claro que a obra já nos ofereceu tudo que tinha, a novidade passou, e naturalmente, críticos, jornalistas e fãs partiram pra outra.

E nós, aqui no Brasil? Onde observamos a estréia do filme ser adiada para 29/10, praticamente em novembro O fogo passou, em bom português, o tesão morreu, e ai eu te falo, quem ainda tem o feeling da obra? Eu me reservo a dizer que não. E você?

Claro que vou ver o filme – e provavelmente você também! – mas não será a mesma experiência: a ansiosidade, a experiência cujo compartilhar com toda a malha global não será concretizada da nossa parte, e mesmo que, seguindo o fôlego, a Companhia das Letras lance o segundo volume, quantos já não baixaram ou até mesmo viram o filme, em formato CAM?

É impossível, na cultura pop, desvincular o sentimento de seus consumidores com o interesse comercial, e – querendo ou não – tudo foi uma questão de logística retrograda e mal calculada por parte dos envolvidos aqui no país, o lançamento do filme, como já dito, está planejado para o dia 29/10, o que pode ser eclipsado pelo lançamento de Harry Potter e as Relíquias da morte, para o dia 19/11, trazendo um fenômeno bastante similar ao que Eclipse fez com Kick-Ass.

Uma palavra para definir este artigo: “atraso”, e do hype? Nada nos restou

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Comentários

  • Scottever  On 04/10/2010 at 22:24

    VOCES ESTÃO MALUCOS ? O FILME TEVE MÁ RECEPÇÃO PELA CRITICA? VA TOMAR NO cú O FILME FOI CONSIDERADO O FILME DO ANO POR VARIAS REVISTAS E SITES , QUE O FILME NÃO FOI BEM NA BILHETERIA ISSO FOI FATO; É MELHOR PESQUISAR MAIS PARA TER MORAL PRA FALAR ALGUMA COISA DE SCOTT PILGRIM !!!!!!!!!!!

    • Alessio Esteves  On 04/10/2010 at 23:35

      Fanboy detected.

      Vamos ver quantos Oscars esse filme vai ganhar e aí você me diz se a crítica gostou ou não.

    • Synthzoid  On 04/10/2010 at 23:54

      Ah, é mesmo fanboy? “O FILME FOI CONSIDERADO O FILME DO ANO POR VARIAS REVISTAS E SITES”?

      O que? Sites de fanboys? de viciados em HQs? Entusiastas de San Diego Comics Con? Ou seja, apenas quem já entendia a obra de antemão, alegar que isso é boa recepção foi falar o óbvio.

      Variety, Hollywood Reporter e NY Mag foram todos negativos, a própria IGN qualifica o filme como bom, mas atesta que todo o no-sense no filme não faz sentido para um leigo.

      E antes que você se sinta ofendido, eu não ataquei sua obra, apenas conjecturei os fatos, eu gosto de Scott Pilgrim tanto quanto você, sua ufania e deficit cognitivo são coisas patéticas.

  • Alessio Esteves  On 04/10/2010 at 23:45

    Na verdade o próprio “sucesso e fracasso” de Scott Pilgrim é fruto justamente dele retratar tão bem esses tempos de agora, onde se atinge sucesso mundial e depois a nulidade total em tempo recorde.

    Eu também li a obra e curti pra caralho, mas quiseram dar a ela um papel muito maior que o de diversão descompromissada. Vejo aí alguma similaridade com Matrix, que nada mais era do quem um baita filme de artes marciais com efeitos especiais cabulosos e uma história legal e após o primeiro filme o eleavaram às alturas. Deu no que deu.

    Scott Pilgrim é um bom passatempo com situações que todos nós vivemos e nos identicifamos, ma o próprio “nonsense” da história toda acaba nos afastando de um envolvimento maior ou mais profundo. E acho que era essa a intenção do autor.

  • Pinguim  On 05/10/2010 at 0:01

    Escote Pilgrim é uma merda, Synthzinho

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