Marketing: Engenharia Reversa I

Aos poucos abrimos mão do silêncio, não de uma forma espetacular ou performática, mas sim de um jeito sutil, gradativo, que transforma o nível de diálogo entre pessoas e instituições.

Ontem assisti o debate dos presidenciáveis na TV, na companhia da minha namorada e ao invés de restringirmos o diálogo ao cômodo da sala, munidos de netbooks e smartphones buscamos compartilhar – de forma bem humorada, IMHO – nossas opiniões com outras pessoas conectadas.

Na antiga conjectura do marketing, podia ser considerado como um “erro” a falta de controle informacional em relação ao público-alvo. Alguém que sabe demais, alguém que viu falhas no plano, alguém que erroneamente não foi abrangido dentro do plano, para o marketing de uma geração atrás, o planejamento pré-emptivo era a fase mais crucial do plano.

Bom, isso fica visível nas ações, currais e estratégias verticalizadas, para o profissional de comunicação tradicional, o buzz derivado de uma ação é útil apenas quando o mesmo fica centrado no público, não alcançando seus criadores e emissores.

(Quando o contato existe, ele é minguado e burocrático, estamos falando de velhos mecanismos, SAC, Pós-Venda, Pontos de Atendimento, Assistência Técnica.)

Romper isto, no passado, podia ser considerado um remarco, a campanha de tênis personalizados da Nike acabou sendo frustrada por um artista que quis seu Nike Shoes c/ uma dedicatória destinada as crianças asiáticas, mão de obra escrava. Obviamente, ele não conseguiu.

(vocês já perceberam que os nomes das maiorias das marcas podem ser corrigidos no Microsoft Word?)

E quem dirá Kevin Mitnick? Que por processo judicial, grandes empresas como a AT&T impediram que sequer produtoras de cinema realizassem um longa cinematográfico sobre sua vida.

Claro, estamos falando de um nome famoso, estamos se referindo a alguém através do uso de um sobrenome, uma pedra no sapato, mas quando falamos de um coletivo de anônimos? Poderiam os diretores de markerting, designers e assessores de imprensa estar diante de uma avalanche inteira?

Bom, acredito que sim, existe mudança e intento ao migrar das pichações em Mcdonalds para, por exemplo, Tweets, o simbólico-depreciativo acaba, você pula o muro e alfineta diretamente a marca.

A metáfora da transição das marcas do modelo piramidal/vertical para o rizomático pode estar na relação entre a distância relativa do totem do Mcdonalds e a maneira que você encara o monitor de um desktop.

Lembrando os princípios de virtualidades, ou seja, possibilidades, o que é mais fácil alcançar? Pois é.

Muitos profissionais na área de comunicação empresarial confundem a noção de manutenção e relacionamento com a idéia de “presença”, é um tiro pela culatra muito freqüente, nós podemos ver diversas empresas se arriscarem em redes sociais apenas para meses depois encontrarmos perfis inativos, id. visual retardatária, comunidades abandonadas, fóruns desregrados, e o que, em minha opinião, é o pior: perfis alienados, que buscam persistir com seu velho modelo de comunicação verticalizada.

Onde é que isto tem se tornado recorrente?

Mais indigesto que Mcdonalds ou desconfortável que um tênis Nike com certeza é a política nacional.

E o que nós observamos no Twitter? Sim, nossos queridos candidatos a presidência, não apenas exercendo a velha egolatria partidarista, mas vivendo em estado solipsista, ignorando diálogo e movimentação por parte de internautas.

(Para tanto falatório sobre “inclusão” digital, a parte relativa a “integração” é pertinentemente esquecida por eles mesmos, não?)

Da mesma forma que capitalizamos nossa imagem, nos transformamos em valor simbólico e vivemos neste sistema de “escambo de influências”, transformamos nosso nome, nickname, avatar e etc. em marca e a manutenção da mesma exige relacionamento, para a imagem de um político, o processo não podia ser diferente…

Esta negligência em relação ao fator humano que nos torna distintos de uma marca laboratorial, este alastramento da lacuna entre a população de usuários e nossos políticos, a ausência de diálogo, apenas acabam resultando em insatisfação, e bem, vocês conhecem o meme, não? Internet Hate Machine.

Vide o pobre Jose Serra, e seu recente “Serra Comedô”, o reboliço dos internautas para a ironia do Plínio Arruda, o embate entre membros do PSDB e PT. O ridículo, a zombaria, o escracho, todos saíram das rodas de conversas entre amigos, tornaram-se públicas, replicáveis.

Claro, aos poucos aparecem os “especialistas” argumentando: “Perca o controle!” “Deixe sua marca/personalidade fluir pela internet”, eu digo pra eles e para os presidenciáveis apenas uma coisa, o trecho de uma música do Smashing Pumpkins, banda que eu gosto muito:

“Stay cool

And be somebody’s fool this year

‘cause they know

Who is righteous, what is bold

So I’m told”

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Comentários

  • Alessio Esteves  On 13/09/2010 at 22:36

    Nesse caso os nanicos tem dado um show de interividade. Já tirei um sarro enorme do Plinio Arruda e do Levy Fidelix e mesmo assim ambos vieram trocar idéia comigo, interragir, perguntar o porquê da zoeira e tal.

    No outro lado temos a Soninha Francine, que o PPS e PSDB acharam que ia ser a grande “arma” da campanha do Serra na Internet e só conseguiu acabar com a credibilidade dela mesma.

    É a velha máxima: “Não aguenta, não desce pro play”.

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