Peitos ou tripas?

 

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Faça a pergunta do título a uma pessoa, indagando qual das suas partes do corpo ela prefere ver, e creio que ela responderá “peitos” – de alguém do sexo oposto, só pra deixar claro. É uma parada óbvia, sexo é muito mais intrínseco do ser humano do que a violência, embora as duas coisas sejam importantes como ferramentas para prolongar a existência da espécie. A Violência serve para nossa sobrevivência em relação ao meio em que vivemos, como um gatilho pressionado nos momentos mais tensos. Deveria ter sido praticamente abandonada desde que tomamos consciência de nossa suposta racionalidade e resolvemos morar em grandes conglomerados urbanos, mas humanos não são seres que vivem tão bem entre si como se imagina, e por isso a Violência tende a se perpetuar continuamente. E o Sexo… bem, o sexo tem duplo propósito: prazer e reprodução, coisas bem básicas, do tipo que todos nascem praticamente sabendo. E isso me leva a uma questão bem trivial, porém intrigante: por que a sociedade aceita com MUITO mais facilidade a Violência (seja ela de cunho psíquico ou puramente visual) do que o Sexo? Nossa racionalidade e lógica – que frequentemente usamos para nos posicionar como o ser dominante do planeta – não deveria GRITAR que sexo é uma coisa infinitamente melhor que violência? Creio que a resposta a essas perguntas passam por uma série de questões e responde a várias outras.

O ser humano é completamente dependente do aprendizado paterno e não possui praticamente nenhum comportamento incorporado em sua própria pessoa, de modo instintivo, como vemos em outros animais. Se você deixar um bebê para ser criado por macacos, ele vai ser um macaco em pouco tempo. Se deixar no meio dos lobos – sabe Mogli? É inspirado numa história real – ele vai comer carne crua, ter hábitos noturnos, vai ser quadrúpede e vai soltar grunhidos ao invés de falar. Além de morrer bem rápido se você tentar impor seu modo de vida ocidental para ele. A nossa percepção, ao ver a cena, vai dizer que alguma coisa tá errada, mas a do menino-lobo não! Cultura, percepção e aprendizado são fatores que influenciam nosso comportamento muito mais do que qualquer traço genético ou resquício de superioridade evolutiva. Por mais que essa questão ainda seja passível de avanços em estudos, creio que essa constatação básica não mudará. Levando isso em conta, é de se imaginar que essa repulsa externa por sexo presente num sem-número de pessoas, seja um comportamento herdado, e não-natural. Um guri nasce punheteiro em potencial, e isso é mais que comprovado – fora que a punheta é importante, como bem mostrou o Synthzoid. As exceções se devem em casos de distúrbios hormonais ou de personalidade – que também são efeitos colaterais da nossa vida nas Cidades. A ação punitiva dos pais é que (talvez) o torne envergonhado de colar páginas de revistas (hoje devem ser as teclas de computador). Ao se tornar um adulto, por mais libertário que seja, é muito provável que carregue parte desse comportamento repressor do pai com ele, mesmo que de modo quase inconsciente e voluntário. Se esse é um comportamento incorporado, é de se imaginar que exista alguém, ou alguma organização por trás disso. Ou uma teia complexa de pessoas e organizações.

Uma delas é naturalmente a Igreja Católica. Mas antes dela, tivemos o maior Vilão da História do Pensamento despejando a idéia dele com relação a isso: Platão. Se observar todas as idéias e supostas contribuições de Platão para o modo de pensar ocidental, facilmente se chega a conclusão que ele serviu de base para muitos aspectos do Cristianismo (um dia falarei de Abraão, que, segundo nos conta a tradição, é pai das três maiores religiões monoteístas do mundo, e por isso merece meu desprezo). Ele era o cara do mundo Metafísico, que dizia que a vida na Terra era inútil – não pra ele, que cantarolava por aí que os políticos gregos eram mandados pelos deuses – e vivia filosofando. Se dizia amante da Liberdade, mas perseguiu os Sofistas sem dó, depois que eles botaram abaixo muito da retórica imponente dele (não é fazendo propaganda do Nerds Somos Nozes de novo, mas recomendo que leiam ESSE texto que fiz sobre o assunto) e ainda tiraram uma com a cara dele – e lucravam alto com isso. Platão foi um dos primeiros que pregou sobre o Amor da forma que o conhecemos hoje. Apesar dele não condenar diretamente o sexo, ele colocou o Amor como uma busca, uma manifestação da nossa vontade de se completar, e esse tipo de afirmação, naturalmente, se sobrepõe ao nosso desejo sexual – é preciso amar, completar a busca, que geralmente termina frustada. Antes de Platão, existiram os cultos a Dionísio e o modo de vida bizarro dos espartanos, que se achavam tão machos que pensavam que as mulheres não mereciam amor… e os homens se amavam entre si. Eram machões-homossexuais, algo bem paradoxal para os nossos padrões modernetes. E todos esses povos gregos eram naturalmente propensos a violência também. Viviam em guerra, e pensavam ser a morte em batalha, a mais honrada de todas.

Os gregos, como percebemos, eram seres bem liberais no tocante a sexualidade. Os romanos, que basicamente foram gregos com mais pedaços de terra sob seu poder, seguiram essa cartilha violenta-liberal em quase todos os seus aspectos. Conhecemos a história de Calígula, uma espécie de vórtice carregado de excessos de Sexo e Violência, uma representação da inconsequência carnal da forma mais absurda possível. Mas as coisas não iriam muito por esse lado, principalmente após a ascensão do poder Papal – foi após a nomeação do Bispo de Roma como supremo chefe da Igreja Católica, é que ela se tornou a estrutura unificada que conhecemos hoje. Bom, não vou analisar profundamente a forma como a Igreja Católica trata a questão sexual – até porque ela é bem conhecida – mas basta lembrar que os velhotes que sentam a bunda no trono da Basílica de São Pedro, insistem em dizer que sexo é só pra reprodução, que camisinha é coisa do demo, que devemos assinar um contrato para fazer sexo… essas coisas. Por outro lado, cultuam a violência! É só estudar as campanhas judaicas no deserto – dizimando inclusive crianças sob ordens de Deus -, as torturas que Deus impôs a um servo que ele supostamente amava – Jó. Fora que ele ainda fez uma aposta com Satã -, o modo como Deus mandou Coré, Datã e Abirã para baixo da terra depois deles se rebelarem, duas ursas sob ordens de Deus destroçando 42 guris que zuaram Eliseu… enfim, a Bíblia é um livro bem sangrento e repressivo, e o reinado Católico sobre o planeta em tempos passados, tratou de perpetuar a sanha assassina de Deus.

Podem parecer delírios malucos dos seguidores da Bíblia, mas eles influenciaram bastante todo o modo de pensar de uma sociedade, principalmente a americana. E chegamos até os dias de hoje, onde brucutus no cinema podem arrancar cabeças alheias, mas um casal apaixonado tirando a roupa tresloucadamente é proibitivo. Rambo arrancando braços com uma .50 pode passar nos cinemas, mas 9 Songs, com um casal transando em meio a uma Londres cheia de festivais musicais não! Sangue sim, fluídos sexuais não. Me parece até uma espécie de culto místico ao sangue. “É para proteger nossas crianças…”, eles dizem. Sempre elas, as crianças. Desenhos para crianças não podem ter sequer insinuações sexuais, mas podem ser recheados de violência, tipo os clássicos Pica-Pau e Tom & Jerry (não por muito tempo, em breve proíbem esses também, e colocam todo o mundo para assistir aquele enrustido do Barney ou o festival de retardamento dos Telletubies). Sou fã desses desenhos, mas eles demonstram uma certa demagogia imbecilizante por parte dos que controlam as coisas por aí. Mesmo em filmes para adolescentes e jovens, um mamilo exposto é muito mais passível de punição de subida de escala na faixa etária, do que um pouco de sangue emporcalhando tudo.

Certamente que, se fosse pra escolher, preferia uma sociedade de doentes sexuais se masturbando e transando inconsequentemente na rua, do que uma de reprimidos amargos e viciados em esmagar algumas cabeças e estripar pessoas. Pensemos na lógica extrema-inversa: preferia um mundo completamente sem violência do que um mundo sem sexo, e creio que a esmagadora maioria da população do mundo pensa da mesma forma. É por isso que me parece tão absurdo que o sexo – inclua aí pornografia ou qualquer comportamento sexual libertário – seja reprimido e a violência seja escancarada até virar espetáculo, inclusive no jornalismo e na literatura. Por que não substituir o jornal do meio dia – geralmente com tripas a mostra de modo inconsequente – por um pouco do velho Cine Privê? Ou mandar o Datena e o festival sanguinário deprê dele pastar, e trazer de volta a Paula Coelho e o saudoso Nutícias?

Tenho certeza que uma sociedade sexual será muito mais feliz e produtiva do que uma violenta!

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Comentários

  • Aline Cavalcante  On 19/08/2010 at 14:02

    Posso dizer PINTOS?

    :V

    Enfim, falando sério: galere tem mais vergonha das necessidades sexuais do que ver cérebros e tripas voando.

    Aqui na Barra a coisa é tão tensa que é mais fácil uma pessoa ligara a tv pra ver o sangue dos outros conhecidos dela do que dar uma olhada na plauboy da Cleo Pires, MIMIMIMI ELA BOTOU SILICONE MIMIMIMI foda-se que tem uma fratura exposta ali.

  • Alessio Esteves  On 19/08/2010 at 14:31

    Texto fodão!!

    Mas a coisa é bem por aí mesmo. Inventei uma vez uma performance para apresentar em saraus chamada “Entre Tapas e Beijos”.

    Começava comigo e um camarada nos estapeando pra valer e ao final nos dávamos um beijo na boca. Tipo, rolavam uns tapas de cortar a bochecha e deixar a cara vermelha. Doía mesmo. Mas o que realmente deixava o povo chocado era o beijo.

    Ou seja, é normal eu bater no meu amigo a ponto de machucá-lo, mas um gesto que demonstre carinho, não.

    COPULEM CRIANÇAS, COPULEM!!

    • Alexandre Guandalini  On 19/08/2010 at 19:28

      Interessante. Não tinha parado pra pensar nisso.

  • agrt  On 19/08/2010 at 15:19

    Primeitamente gostaria de dizer que o sexo não é necessariamente libertário e pode ser incorporado em estratégias de violência. Os nazistas, por exemplo, buscando uma grande faixa de natalidade de seres arianos, criaram estratégias de copulação da população, houve uma liberação da sexualidade como um todo naquela sociedade para que futuramente nascessem mais guerreiros superiores. Temos que ter cuidado com sexo como com qualquer outra coisa, o simples ato impulsido e não-consciente pode as vezes te jogar em uma teia de dominação/dependencia tanto quanto do trabalho, da ciência e/ou religião. Alienação.

    Como historiador, gostaria apenas de falar um pouco dos gregos/romanos. Os romanos são bem distintos dos gregos, não são apenas uma “grécia maior”, como dito no post. A sociedade Atheniense era baseada principalmente no comércio, era um povo que tinha seus portos abertos para a influência externa, não é atoa que filosofia e erotismo divinizado se expandiram lá. Em geral, o mais rico dos gregos não possuia o conforto de um pobre cidadão romano, a sociedade tinha seus valores mundanos diferentes. Saturnais, bacanais, mistério das luzes, todos esses eventos mundanos da sociedade grega e que em parte foram herdados pelos romanos não são apenas busca de contenção das necessidades sexuais.

    Sabem porque o sexo foi combatido pela igreja? Não foi por que ele dá prazer! Sua condenação foi por causa da ligação entre sexualidade e divinação nos povos politeístas! A prática sexual em grande parte das religiões antigas faz parte de um ritual de contato direto com os deuses. O momento do gozo é o momento em que sem nenhum esforço o homem atinge os deuses e se torna por instantes um deles. A prática que parece “mundana” vista no anacronismo da prática sexual moderna, parece bagaceira/pegação, mas não é. São rituais sexuais em festas públicas, ligados aos deuses da fertilidade e terra.

    Eu particularmente não concordo e nem discordo das visões sexuais impostas no blog, só tenho certas ressalvas e ainda sou herdeiro do romantismo anti-cientifico do século XIX que cria uma série de idealismos. Não tô nem aí o que vocês fazem quando tão com vontade de dar uma, mas eu particularmente considero a relação sexual nesse sentido antigo e faço distinção entre erotismo e pornografia. Para mim a falta de satisfação sexual na sociedade moderna é justamente pela expansão da pornografia e agora os caras ficam tão bitolados em ver gostosas de peitos de 2 metros e não conseguem lhe dar com uma menina comum usando a sexualidade de forma plena.Enfim, “só” isso mesmo.

  • Alessio Esteves  On 19/08/2010 at 18:20

    Eu ia fazer um mega comentário também, mas vou acabar fazendo um post. Foda-se.

    Mas resumindo, acho que o comentário do Agrt mais complementa do que discorda do post.

  • Voz do Além  On 19/08/2010 at 23:41

    @agrt…

    Não discordo que sexo pode ser usado como método de violência, como nos crimes sexuais, por exemplo, ou no ótimo exemplo que você citou. Minha intenção com o texto não foi discutir o papel do Sexo e os efeitos dele na sociedade, mas questionar o porquê da Violência ser melhor aceita do que ele. Também não quis dizer que bacanais ou outra prática sexual diferente da que conhecemos é melhor ou pior, mas sim perguntar do porquê delas se extinguirem, para dar lugar a uma sociedade apática e doentiamente recatada e vergonhosa. Quanto a abordagens sexuais, cada um tem a sua, e não penso ser uma melhor que a outra.

    Uma vez, uma mulher me falou que o natural do ser humano é ser poligâmico, praticar sexo livre e sem vínculos. Que o amor não necessita de exclusividade sexual. Ela é wicca e também crê no sexo como um ritual, dependendo da forma como praticado. Ela ria de mim quando falava em “monogamia” pra ela, dizia que era uma invenção e um grilhão cristão e tudo o mais. Dois meses depois (ou seja: semana passada) ela diz que está apaixonada, que não mais transará comigo, e será monogâmica na relação dela. Eu fico com um sorriso no rosto, pois ela acabara de confirmar tudo que Eu havia dito anteriormente – e olha que ela é 16 anos mais velha do que Eu, e sempre ressaltou essa diferença de idade como sinal de sabedoria.

    Com isso, quis dizer que nossas idéias sobre sexo podem ser mutáveis. No texto quis deixar claro que cada um escolhe sua abordagem, só sou contra essa repressão que é feita, de forma a tornar o sexo tão absurdo e recalcado como parece ser – e pior para a sociedade do que a violência. É como se ninguém fizesse. Na Europa a questão parece ser tratada de forma um pouco diferente, ao menos é minha conclusão pelo contato que tive com europeus – inclusive com umas francesas numas festas bem doidas – quando fiquei algumas semanas num albergue em São Paulo, durante a Erotika Fair.

    Quanto a pornografia ser causadora da falta de satisfação, acho meio precipitado, ao menos aponta-la como única causadora disso. O comportamento humano responde a uma série de estímulos, cada pessoa responde a eles de forma diferente. Muitos consomem muita pornografia e continuem sexualmente resolvidos. Outros não consomem nada e são insatisfeitos sexualmente. E esteriótipos de beleza são passados em muitos outros lugares, não só na pornografia. E padrões de beleza bem discutíveis e inalcançaveis, que levam muitas mulheres a depressão e vários caras a esforços idiotas em exercícios físicos.

    Enfim, o assunto é bem profundo e leva a diversas conclusões diferentes – e aparentemente conflitantes.

  • Velho da Montanha  On 07/09/2010 at 20:33

    Cara, achei extremamente equivocado suas observações.

    Em primeiro lugar, culturalmente, a sociedade brasileira é muiiiiito liberal com relaçao ao sexo, e a nossa formação cultural é católica! E os EUA são de formação protestante.

    Nossa tv mostra bunda e peito o dia todo, putinhas gostosas tipo sabrina sato e mulheres frutas, ficam nesse papo furado de associar mulher gostosa a todo tipo de droga, bebida, carro, roupa e todos os produtos de consumo, existe o carnaval, e muitas formas de putaria, nossas garotas são liberais e nao tem problema com o sexo, o homem brasileiro é um dos mais bem resolvidos do mundo com relação a essa questão.

    Não é a toa que iso atrai turismo sexual, e estrangeiros para virem morar aqui, principalmente dos EUA, a sociedade protestante onde os catolicos são minoria e tratados com escarnio.

    Inclusive não sei se vc sabe mas nos EUA os catolicos são tidos como pessoas mais soltas no sentido sexual, eles dizem que catolico tem muitos filhos e nao respeita casamento.

    Entao os protestantes dominam os EUA e se cria uma sociedade doentia que é a sociedade americada, que se expressa na cultura pop, nos produtos nerds.

    Vejam o arquetipo do nerd, um cara que nao sabe se relacionar com mulheres, so com pornografia, que acha que expressao de sexualidade é mostrar peito na tv e deixar cenas de putaria aparecer em tudo que é filme.

    Os americanos protestantes são os maiores consumidores de lixo pornografico, e vc acha que isso é expressão de sexualidade? TOCAR PUNHETA?

    (So se for pra esses empolgadinhos desse papo furado de magia do caos que acham que tocar punheta é magia, quando na verdade estão apenas sendo vitimas de seres astrais que lhes sugam as energias)

    Eu acho que expressão de sexualidade é a relação entre homem e mulher, pessoas de verdade, se ela existe e corre bem entao a sociedade é sadia, e isso pode acontecer muito bem em um casamento, na monogamia e em relações chamadas de platonicas que tem outros sentimentos alem da atração fisica. A maior parte das pessoas velhas que conheci se sentem felizes quando são bem casadas e as infelizes são aquelas que passarama vida em diversas relações e não conseguiram se firmar em uma.

    Nao tem pq ficar exigindo que a tv mostre putaria e encha a cabeça das crianças de merda antes mesmo que elas saibam definir o que é bom pra elas. Imagens de mulheres de peitao e bundao que fazem uma garota se sentir mal com o proprio corpo e um homem se sentir mal com o tamanho do seu pau, e leva a essas pessoas a se sentirem infelizes em suas relações e em seu desempenho sexual, isso é bom?

    Pelo que eu sei uma garota de peito e bunda pequenas podem proporcionar o mesmo prazer ao homem que uma gostosa da tv, buceta é tudo igual. Da mesma forma uma garota bem esclarecida sabe que um pau não precisa ser igual o dos caras do filme pornô, pelo contrario, a maioria reclama que isso é dolorido.

    Essa doença toda nao foi criada pela igreja catolica, mas principalmente no maior pais protestante de todos, os EUA, pais da cultura pop que destroi nossas mentes.

    Já o mundo protestante (me perdoe dizer, mas é de onde vc emerge) pode ser resumido pela comercialização de tudo, inclusive o sexo, a sua influencia do velho testamento judaico coisificou o sexo.

    Eu não acho legal levar o sexo so pelo lado material, isso nao existia mesmo na grecia, Zeus por exemplo, tinha inumeras mulheres ciumentas e apegadas, o amor era demonstrado com duas faces, uma fisica e outra espiritual. EROS e AGAPE.

    Se uma pessoa ve o sexo oposto como apenas um pedaço de carne, com o tempo essa relação vai se acabando, pois o corpo fisico naturalmente vai se degradando e perdendo sua beleza e atração, e ai o cara nao quer mais a mulher, pq ela ta frigida, velha, ou a mulher nao quer mais o homem pq ele ta barrigudo, ai o homen busca outras mulheres e a mulher vao dar pro negao que entrega o jornal, e a familia se acaba. Surgem tb os velhos tarados, ai vem mais pornografia e revistaslixo tipo playboy que destroem o corpo e a mente das mulheres, quem ganha com isso? A sociedade? Lógico que não, isso só tornou as pessoas mais infelizes e enriqueceu a industria da pornografia.

    E sabe pq iso acontece, pq as pessoas se esquecem da essencia, acham que o corpo é imortal quando na verdade nos morremos a cada dia, se vc so ama a buceta da sua mulher e acha isso ua grande verdade “pq platao estava errado”, vc nao esta enxergando o ponto principal do platonismo, O TEMPO.

    O amor platonico, como algo que supera o tempo e a matéria, nao pode se compreendido se vc nao levar em conta essa dimensao, é muito facil negar o mundo espiritual, o amor espiritual e tudo mais, se vc so ve o momento, que é a aparencia das coisas, é como ver apenas um frame de um filme, essa é a realidade que nos vemos, mas a verdade é que isso é apenas algo passageiro. Se vc começa e ver a essencia das coisas como algo que supera o tempo vc começa a compreender Platão, antes disso, esqueça.

    Platão nao deve ser compreendido apenas como alguem que separou dois mundos e isso gerou o cristianismo, mas sim como alguem que viu uma dimensao maior, o que foi feito depois dele, como barbarizaram suas ideias, não é culpa do cara, da mesmo forma como esses intelectualoides universotários barbarizam nietzsche e essas wicca e esses magros do craos barbarizam crowley.

    Com relação a violência, ela tem seu aspecto erotizante, para isso leia Crash, do Ballard

  • Voz do Além  On 10/09/2010 at 3:10

    @Velho da Montanha…

    bom, não acho a sociedade brasileira culturalmente liberal com relação a sexo. Pode ser perniciosa, mas não liberal. Em alguns grupos sociais sim, mas em outros ainda é tabu. É aquele lance de todo o mundo faz, mas não tem “liberdade” para falar, e nessa pressão social velada, a má prática que você citou acaba acontecendo. Ser um paraíso sexual, ter bundas todo o minuto na TV, entre outras coisas, não necessariamente é ser liberal, é ser permissivo, deixar a coisa rolar, e de forma extremamente perniciosa. Para mim, ser sexualmente liberal é não ter o assunto como tabu, como ocorre aqui diariamente. O ser liberal implica em ensinamento, e não deixar que as pessoas imitem comportamentos sexuais nocivos por falta de referências. Talvez isso não seja mais notável devido a uma forte estereotipação.

    Quanto a influências católicas, me referi exclusivamente a seu primórdio no sentido a alterar a percepção sexual da civilização ocidental, e coloca-la numa estirpe religiosa limitada. Explico: a religião cristã (usei o exemplo católico pela linha romana ser a predominante dentro do Cristianismo, além de única durante muitos séculos) coloca o sexo como algo a ser praticado entre casais, e para fins reprodutórios – alguns religiosas discordam, mas essa é a posição oficial do Vaticano, ao menos da última vez que li sobre o assunto (mas como eles são infalíveis e não mudam, creio que continua na mesma). Não vejo problemas nisso, um casal com um relacionamento afetivo crescente ou consolidado, provavelmente tem muito mais prazer no sexo, tanto por conhecer o que o parceiro gosta (e dar prazer é tão importante quanto receber, na minha opinião), quanto pelo fato do sexo ser muito mais do que simples movimentos corporais, tem muito mais coisa envolvida. Para mim, esse é o sexo ideal, e pelo visto você pensa da mesma forma. O problema que vejo é justamente na obrigação de se fazer sexo após o casamento – casamento como contrato social, reconhecido em cartório, e isso é um fator limitador. Essa imposição de valores com certeza ajudou a transformar o sexo num assunto tabu, e impediu que pessoas conversassem abertamente sobre isso, como aconteceu até poucas décadas atrás. Vejo o comportamento de hoje, permissivo e pernicioso (falo isso por observação pura, não posso dizer que estudei o assunto profundamente) como consequência direta desse tabu, tanto que existem setores fortemente conservadores na sociedade, como os que citei no texto, que receberam essa herança comportamental e a passam pra frente. Vejo parte da geração atual, sexualmente falando, como mendigos que se contentam com migalhas achadas do lado deles, quando podem se esforçar um pouco e conseguir um banquete… e parte desse comportamento se deve ao fato da repressão moral que rolava intensamente em décadas passadas. Então, não necessariamente liguei o comportamento sexual das sociedades como fruto das religiões delas hoje, mas sim como uma consequência de ações religiosas históricas, que ligaram o sexo a um contrato social, e sabemos que não é exatamente assim que seria uma situação ideal. A Igreja Católica não criou esse comportamento, mas o moldou de forma indireta, pois esse comportamento é consequência das ações históricas da Igreja, e é fruto da interpretação (equivocada, na minha opinião) do mandamento “Não adulterarás”.

    O teu adendo (vejo seu comentário como adendo ao post, assim como o do agrt) com relação a sociedade americana está correto na minha visão, e não entra em choque com o que escrevi no texto. O que ocorre por lá – e consequentemente em muitos outros lugares do Ocidente – é um Simulacro, uma extrema valorização de um signo deturpado (a pornografia), de algo representativo e irreal, desvirtuado e exagerado a ponto de corromper a prória realidade (assim como escreveu Jean Baudrillard). É basicamente o que está ocorrendo por essas bandas, onde um uso exacerbado da pornografia, aliado ao que disse com relação a pressão moral com relação ao assunto, gerando uma prática sexual predatória e irresponsável. E se você analisar como a pornografia mudou nessas décadas, principalmente após o sucesso do estilo Buttman, perceberá como ela é apenas o reflexo de uma sociedade. Da mesma forma que Anthony Comstock, um punheteiro extremamente viciado e doente (que se sentia extremamente culpado graças a religião, ao ponto de querer se matar), se tornou “caçador” oficial de obscenidades, ao integrar-se a Associação Cristã de Moços (ACM). Para mim parece claro que essa culpa acabou levando-o a ser um repressor. E não creio ser essa repressão somente culpa do protestantismo, mas existente no Cristianismo em geral, embora você corretamente tenha colocado que ele é muito menor na Europa, por exemplo.

    Já existem pessoas com graves problemas psico-sexuais, graças a esse choque de valores – repressão sexual por parte das sociedade, que prega valores mecânicos, e uma farta oferta de pornografia, aliada a estímulos sexuais constantes por parte da publicidade. A punheta, como disse, é um comportamento sexual primário e natural, entre iniciantes na vida sexual – adolescentes e crianças (o mesmo digo do uso da
    punheta como método mágico na Magick, é um comportamento primário, de iniciantes, para alcançar mais facilmente o estado mental ideal para a sigilização). E desde essa idade, as crianças são reprimidas por pais que tendem a aceitar brincadeiras violentas. Psicologicamente, esse comportamento termina por incentivar crianças a aceitarem a violência com mais naturalidade, e pode gerar frustrados sexuais (e esse é meu questionamento no texto: maior aceitação da violência e não da sexualidade).

    Quanto a monogamia, relações duradouras e tudo o mais, já disse: sou plenamente a favor, e sempre procuro fazer sexo dentro desse contexto, pois o vejo como mais saudável, prazeroso (para o casal, não como algo unicamente pessoal), não só fisicamente, mas mentalmente. Mas penso que a forma como o comportamento sexual emerge hoje em diversas sociedade ocidentais – católicas e protestantes, a doutrina é quase a mesma – é fruto de repressão moral por parte de líderes católicos nos tempos em que eles comandavam tudo. É como o Ateísmo Materialista Moderno, que vejo como uma contraposição a repressão religiosa que rolou por séculos. E todos sabemos que a culpa era humana – e por isso que falo que é da sociedade, pois é da humanidade em seu coletivo – pois hoje vemos uma certa repressão por parte dos
    Racionalistas, que impõe o mesmo tipo de filtro no pensamento. E creio que você sabe que não sou um Racionalista, do tipo que quer provar tudo na base do empirismo, ou ter certezas absolutas, muito pelo contrário.

    Quanto a Platão, entendo seu ponto, e concordo em parte. Meu principal problema com ele foi o fato dele ter adulterado idéias e pensamentos do mestre dele, Sócrates, e ter imposto isso a todos, perseguindo seus opositores. Apenas isso, e o fato dele ter divinizado os políticos, o que pode ser entendido como herança de tempos anteriores a ele, mas influenciou negativamente toda uma série de teóricos políticos, por exemplo. E Magia do Caos é meta-sistema mágico, pois trabalha com resultados, e com influências de vários sistemas mágicos… mas essa discussão fica pra outra hora.

  • alersson  On 30/09/2010 at 10:27

    eu prefiro ver pronografia do que ver filmes violentos.

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