A farsa por trás da inclusão digital presente no planejamento político do PSDB

Alguém aqui lembra a última proposta em relação à regulamentação do aborto, das pesquisas envolvendo células-tronco, legalização das drogas ou até mesmo sob reestruturação da dinâmica do nosso sistema de educação? Qualquer coisa relacionada a nossa realidade tangível?

Bom, eu não.

São questões de ordem simples, coisas além do showbiz diplomático, dos joguetes políticos ou da rotatória de escândalos, o que eu quero? Saber se vou ter comida na mesa, ponto.

(não que eu dependa deles, mas você entendeu a figura de linguagem…)

Para quem acompanha meu perfil no Twitter, pode perceber meu desdém ao debate realizado pela UOL no dia 18/08, embora estejamos falando de um humor forçado, infantil e ofensivo, a questão é justamente essa: vamos quebrar a tensão.

Vai do princípio de Henry Thoreau: “Em uma sociedade de corruptos, o lugar dos justos é na cadeia”, toda a pretensão, seriedade, toda rixa ali presente só nos levava a dois pontos: retórica e dialética, rir disto, bom, foi o melhor remédio que eu encontrei para compartilhar.

Embora aqueles que acompanharam o debate da UOL representem uma pequena elite no panorama da acessibilidade tecnológica, uma coisa ficou clara, o showbiz político foi dissimulado, inúmeros tweets jocosos, montagens no youtube, blogging, a web 2.0 está refletindo uma coisa que não é inédita, apenas velada: a sensação de saco cheio.

Proposta foi um campo vago naquele debate, planejamento de governo, a única coisa capaz de transmitir segurança ao eleitorado, foi praticamente nulo, em certo momento, Dilma falar que começou sua “carreira” política como guerrilheira no Araguaia, bom, é demais pretensão.

(Até mesmo porque, lutar pela liberdade coagida, bem, é um dever como ser humano, não apenas “político”, muito menos plano de carreira….)

Lembrei-me, com certo desgosto, da política higienista do candidato que nutro mais antipatia, José Serra, lembro dos empecilhos direcionados a comunidade homossexual paulistana, do fechamento de clubes alternativos como o Atari, da polícia desalojando mendigos e comerciantes informais, do gambito no mercado publicitário, das greves da polícia civil – e um hilário confronto com a Polícia Militar… –

Para alguém que mora no município de São Paulo, me pergunto de tantas despesas e mobilização de funcionários públicos,  será que isso funcionou? Todos nós sabemos que não, a higienização se transformou em holocaústia e a cidade está em frangalhos.

No debate, em seus comentários finais, José Serra argumentou: “A banda larga no Brasil está muito atrasada. Eu vou acelerar isso”

Ai filhote, o buraco é mais embaixo…

Os dois grandes motes da vez: desenvolvimento sustentável e inclusão digital, foram ditos de perspectivas quase idílicas, atento a minha área de estudo, e para quem acompanha acadêmicos como Edilson Cazeloto, sabe que a “inclusão digital” é um investimento na manutenção/atualização de uma mão de obra básica, ao contrário do mito popular, que argumenta a ingresso do cidadão excluído a malha digital.

Mas é claro que esse argumento esquece a dromologia de bens efêmeros que o capitalismo propõe a todos nós, afinal, existem computadores e computadores, não? Usuários e usuários, o termo “maldita inclusão digital” traduz um pudor classista, o que não surpreende ninguém.

O então já excluso social, quando incluso digitalmente, não irá se atualizar…

Pense no Operador de Telemarketing, no funcionário do Mcdonald’s, a base da cadeia de trabalho informatizada, pense na disparidade entre eles e o programador, ingressar essa galera no mercado informatizado é realmente funcional? Isto não significa traduzi-los como escravos do código?

Quando falamos nisto, estamos desenvolvendo mais um nível de analfabetismo funcional.

(Vide as propagandas do estado, a empregada doméstica, orgulhosa porque vai utilizar IE6 para procurar receitas para sua patroa.)

Conhecer tecnologia jamais significará um aumento da qualidade de vida dessas pessoas, a base do trabalho, em todas as gerações, se atualiza, e agora não é diferente, argumentar o desenvolvimento de um programa de inclusão digital é apenas reconhecer essa necessidade de mercado.

Dizer que vai se ampliar a banda larga no país é o mesmo que construir o esqueleto de um prédio sem saber sua futura utilidade, quando tratamos de internet, é preciso estar mais um passo a frente.

Como sequer entender uma necessidade de expansão de infra-estrutura informática/social, quando pessoas do mesmo partido de José Serra apresentaram propostas contrárias? Ninguém se lembra do Eduardo Azeredo? Puta que o pariu hein…

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Comentários

  • Alessio Esteves  On 19/08/2010 at 18:07

    É o velho pão e circo, meu velho. Todo mundo já tem TV, frango, iogurte e geladeira. Agora alimentam a esperança de todos estarem plugados, como se isso resolvesse muita coisa…

    • synthzoid  On 19/08/2010 at 21:12

      A questão nem é o velho pão e circo cara, mas sim a maneira como a idéia de “inclusão digital” é travestida e bem diferente do que é comunicada.

      Violência e problemas urbanos VÃO nos desconectar, lembro de um artigo no Gizmondo onde um guri comenta algo assim, o que eles estão fazendo não é reduzir a distância entre as populações carentes, apenas atualizar a problemática.

      Desenvolver infra-estrutura informática? sim, mas com qual intento? Formar mão de obra para demanda do terceiro setor ou desenvolver bens de acessibilidade pública em polos de cultura no estado? como bibliotecas e etc.

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