Homo Ludens, Noms de guerre, Reality Hacking e Super Heróis.

Quatro dias de viagem, quatro ótimos dias na minha vida, chego em casa, meu computador se acende feito uma explosão atômica, ligo meu torrent, estou baixando Anamanaguchi e Tokyo Ska Paradise, enquanto ambos downloads não concluem, Crystal Castles e seu Synth Pop onírico acompanham a construção deste parágrafo.

Meus dedos bombardeiam caracteres, nomes se formam, aqui eu sou Synthzoid, no DevianArt, Robsberto, no Orkut, o velado Р0бърт .STARGRAVE, cada nome, um lugar, cada nome, uma projeção da minha pessoa.

Saca do que eu estou falando?

Identidades flutuantes cara…

(Uma pausa para Anamanaguchi dissolver meu cérebro em bits.)

Bits, é essa a questão, em um mundo que se traduz pura e simplesmente em informação arbitrária (desde a gnose ancestral passando por Sanders Peirce.), em um mundo onde realidade é passível de ser hackeada pela política, pela proteger-se de tais forças é o único caminho.

Charles Sanders Peirce

Charles Sanders Peirce

Invente uma alcunha, é simples, você, quando criança, fazia isso! Invente algo que dissimule qualquer intento sob seu nome de batismo – o maldito copyright de deus… – esteja criptografado em forma de arte, seja um personagem, brinque com ele.

Você já escutou falar do termo grego “Agon”? é a raiz do conceito de “brincadeira”, do conceito de “jogo”, da “personificação” Agon  é isso, imagine duas crianças brincando por um momento, se alienam da realidade objetiva, encarnam o papeis, debatem, transfiguravam seu ser a bel prazer. Huizinga, em meados da década de 30m já dedicava estudos para tal costume, vide seu livro Homo Ludens.

Johan Huizinga

(Engraçado e pertinente pensar como a lógica industrial e a cultura corporativa se dedicam a mitigar o aspecto agonístico de forma calculada, não é a toa que os nazistas pegaram Huizinga…)

Isto não é esquizofrenia ou DMP, é teatralidade, estamos falando de emancipação, quebrar a velha pintura plana que é você e transformá-lo em um mosaico e caleidoscópio, dissimular intentos, olhares, desviar a atenção, chamar a atenção.

Acultura pop está cheia de exemplos:

Peter Parker é Spider-Man, Dane McGowan é Jack Frost, Bruce Wayne é Batman, Karin Andersson é Fever Ray, Superman se dissolve em múltiplas identidades dentro de identidades: Kal-El é Clark Kent, Clark Kent é Superman, nomes artísticos, Noms de guerre.

nem o maldito Papa católico usa o próprio nome…


E você? O que é? Quem é? Qual é o seu papel?

Isto você responde pra si mesmo. . .

Anúncios
Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Comentários

  • coringa138  On 17/08/2010 at 2:18

    Eu curto muito Crystal Castles (se não me engano eu que te passei) e curti muito também esse Anamanaguchi, aliás, não sei se foi eu, o Rafael, ou se foi o Coringa, ou ainda se foi o Skeletones, não, esse está morto e enterrado.

    Para escrever eu uso um nome, para criar música outro e assim vai, pra cada um eu tenho um foco diferente e na realidade nunca tinha parado pra pensar de quantos Eus eu sou constituído.

  • Alessio Esteves  On 17/08/2010 at 2:48

    Ale$$io, Leosias, El Ditador, Buda Desertor, Jesus, Raul… Tantos nomes, tantas escolhas…

    • synthzoid  On 17/08/2010 at 2:49

      Eu conheço outro El Ditador…rs

      o Coringa também…

  • Aline Cavalcante  On 17/08/2010 at 19:14

    Eu sou Aline, @Myialine e miharu. COMO TODO SANTO TRIPÉ DA HUMANIDADE

Trackbacks

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: