O Papa do Underground é Pop – Parte II

“Você acabou de transformar os dez últimos minutos de nossas vidas em uma cena do Tarantino.”
– King Mob, “Os Invisíveis – Infernos Unidos da América”

(AVISO: seria interessante você ler a Parte I deste texto antes e prosseguir com a leitura)

Após andar alguns quarteirões desistimos de procurar um lugar barato e passamos a procurar um lugar aparentemente sujo, assim pelo menos nos sentiríamos mais a vontade. Por fim, achamos uma lanchonete com cara de boteco e resolvemos repor nossas energias na base de pizza e cerveja.

Uma questão de ética mesquinha me impede de citar nominalmente todos os presentes, mas basta saber que além dos seres bizarros que compõe meu círculo de amizade, estavam na mesa o editor e um colaborador de uma famosa revista nacional de humor e um resenhista de um dos maiores sites nacionais de HQ. Digo que omito nomes por ética mesquinha porque em certo momento foram ditas coisas “não-muito-legais” sobre chefes, linhas editoriais, políticas salariais e afins e não quero ser responsável pela demissão de ninguém. Como dizem por aí: “O que acontece na estrada morre na estrada”. Mas também houve muito bate-papo sobre nerdices em geral: RPG, card-games, videogames e por aí vai…

Scott Pilgrim sore viajar para SP.Não me lembro o porquê, mas perto da hora de ir embora o assunto “Scott Pilgrim” tomou conta da mesa. Uns elogiavam o aspecto divertido da obra, outros a achavam desnecessariamente arrastada em alguns momentos e rápida demais em outros. Foi quando o Shinkoheo soltou a frase que acabou com a discussão: “Scott Pilgrim é tudo o que a Turma da Mônica Jovem deveria ter sido”.

A esta altura o relógio já marcava 23 horas e o receio de ficar sem condução para ir para casa nos obrigou a pedir as contas e irmos embora. Para quem não sabe 23 é um número sagrado para os Discordianos. Isso porque 2+3=5 e uma vez que todo os números são multiplicáveis e divisíveis por 5, este número é sagrado e foda-se.

(OBS: O QUE? Você acredita em um homem andava sobre as águas, curava as pessoas com cuspe, multiplicava pães e peixes e vem questionar o porquê do 23 ser sagrado? Vai levar um mindfuck ainda hoje e tenha certeza de que a culpa vai ser minha. FNORD)

O que importa foi a partir dessa hora as coisas começaram a ficar estranhas. Em certo momento rola esse diálogo entre eu e um dos caras presentes.

Ele – Tá foda, cara. Tô sendo atacado por succubus, inccubus e coisas do tipo.

Eu – Hã? Como assim?

Ele – Tipo assim, eu aprendo rápido e tal, aí fui convidado pra participar da maçonaria, rosa-cruz, essas coisas…

Eu – Sei bem como é. Mas o que isso isso tem a ver?

Ele – Bom, eu recusei. E também comecei a andar com um pessoal da IOT, saca? E eu falo pra caralho, sou todo simpaticão e tal e acho que rolou meio que inveja e estão me atacando. Sabe como eu me defendo?

Eu – Cara, até sei, mas não ensino. Digo isso porque quando você começa com essa de “aprender pra se defender” acaba caindo nessa nóia de ataque e defesa e qualquer coisa passa a ser ataque você tá a toda hora tendo que se defender e logo tá atacando também e então tá tretando mais que a galera das casas comunais do Harry Potter.

Ele – Mas cara, tô a quase duas semanas sem dormir direito e tal, eu preciso de alguma coisa.

Eu – Hum… Olha, faz um ritual de banimento pra limpar as energias ao seu redor. A maioria dos “ataques” que essa galera faz não não ultrapassam um banimento bem feito. Usa o Ritual Menor do Pentagrama, é baba.

Ele – Mas eu não curto esse lance de usar nome de anjos e tal.

Eu – Então usa o Ritual Gnóstico do Pentagrama. É praticamente igual, só usa chakras, visualizações de cores e entoação de mantras. Mas neutro que isso não dá, hehehehe…

Ele – Acho que já vi isso no Morte Súbita. Vou caçar.

Eu – E quando for sair de casa faça o Ritual do Círculo Branco. Simplesmente medite sobre coisas boas, proteção, essas tipo de pensamentos positivos… Então trace um circulo de luz branca ao seu redor e saia tranquilo de casa. Aprendi isso quando ia na Rosa-cruz. É simples, mas funciona legal.

Mais tarde  estava voltando com o Mário para casa e comentávamos sobre como era engraçado o fato do Crumb ter vindo pra São Paulo para essa galera massa poder se reunir. Essas manipulações que só o acaso torna viáveis. Ao mesmo tempo é uma merda ter que esperar algum evento escalafobético desses ao invés de simplesmente sair e dane-se. Foram feitas promessas vãs de tentar fazer isso com mais frequência e todos se recolheram aos seus Bolsões um pouco mais felizes.

PS: Horas depois conversei com o rapaz que estava com aqueles problemas todos via MSN ele disse que fez os ritos sugeridos e que haviam dado certo. Ele finalmente ia ter uma noite de sono decente. 

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Comentários

  • agrt  On 16/08/2010 at 20:58

    WOW, canaliza um objeto, bota um selo e usa, te deixa dependente, mas funciona

    • synthzoid  On 16/08/2010 at 21:02

      Fato, algo que eu tenho questionado, conjuração de selos nos torna “dependentes” um foco da cultura Pop é o Junkie, o mesmo é relativo ao Pop Magick? hahahaha.

      Essa cultura compulsória de “selos” acaba negligenciando outro aspecto da mágica, que é o esquecimento, banimento, o selo perde força quando impresso na memória consciente.

      Bom, é isso. pouco haver com o artigo, mas algo para se compartilhar…

    • Alessio Esteves  On 16/08/2010 at 21:03

      Ah, sim. Já usei desde canivetes suíços até carta de Magic. Funciona mesmo. Mas neste caso específico eu citei as técnicas acima justamente para prender o cara o mínimo possível a qualquer coisa ligada às idéias de defesa e ataque.

  • Caroline J.  On 16/08/2010 at 21:14

    Hahaha, essa parte dos ataques/defesas me fez ficar pensando em algo q eu sempre penso. Eu sou tão desligada disso que até me sinto n00b. Eu nunca acho que nada que me aconteça pode ser algum ataque rolando nem busco me defender de nada. Só fico aqui no meu mundinho e tudo que acontece é de dentro dele, a não ser que eu perceba diretamente algo externo rolando.
    Aí fico pensando se eu DEVERIA aprender mais e ficar mais atenta ou se esse é um modo válido de ser.

    E, lógico, prefiro acreditar na segunda opção e pretendo meditar um pouco mais sobre isso.

  • Mário Henrique  On 17/08/2010 at 4:15

    Gostei do texto, retratou bem o que aconteceu lá no dia. Só um mega fail por querer forçar a parte do 23 e achar que vai rolar mindfuck. Até porque, isso seria um ataque e eu acho que você não cabe mais no uniforme de Hogwarts.

    • Alessio Esteves  On 17/08/2010 at 11:02

      Prepare sua varinha, seu pulha!!

      E pra quem não sabe, o Mário é meu Ombudsman.

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