Eu, Nerds, Batman, Dredd e tal

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Como minha primeira resenha vou falar sobre a HQ “O julgamento em Gotham”, uma mini-série na qual o universo de Gotham City e Mega City One se encontram, se não leram saibam que vai ter spoiler pra tudo quanto é lado, mas antes de tudo quero falar sobre minha relação com o termo nerd.

Usando aquele sentido clássico e usual de nerd que se confunde com C.D.F., realmente sempre tive uma compulsão por leitura, embora nunca tenha usado óculos ou agido como “geniozinho” da turma, já que minhas notas eram relativamente ruins, entre outros estereótipos, então sou apenas parcialmente. Agora no sentido mais atual, mesmo recebendo influências geeks que se confudem com a nerdística, sempre olhei muito estranhamente para tudo isso, ouras, sou um carinha do Piauí de formação clássica, sempre vou ter algo de cosmopolita. Não comecei a ler livros mais profundos porque lia gibi da Turma da Mônica ou de super-heróis, sou um “nerd genérico”, meu caminho foi inverso. Traí o movimento da erudição ao ver que havia arte tão interessante e muitas vezes até mais que na literatura tradicional nos quadrinhos pops. Mas comecei minhas leituras na escola com Machado de Assis (Quincas Borba e sua filosofia “Humanitas” é um exemplo brasileiro de caoismo), Álvares de Azevedo, Byron e outros luso-brasileiros que passaram a navalha no meu cérebro introduzindo os memes da maravilha literária. Então não sou desses retardados filhos da puta que chingam muito no twitter a literatura brasileira, achando que literatura se resume a falar APENAS de mundos totalmente exóticos, como Tolkien. Não , não, não, literatura às vezes precisa falar do ordinário/comum/diário mesmo, pra nos dar um choque ao percebermos o quanto é fantástico ou podre tudo isso, para que a partir daí nossa mente que vive funcionando no automático ignorando o que acontece no dia-a-dia perceba de uma vez por todas onde estamos. Jogado a Napalm em vocês, vamos a resenha.

Porque escolhi essa HQ? Um amigo meu que é cartunista, disse certa vez que “O julgamento em Gohtam” foi a melhor HQ que ele já leu na vida. Perguntei: Por quê? Ele respondeu: No preto e branco, não dá pra esconder os erros. E a conversa ficou por isso mesmo. Achei filosófico, deve ser algo que desenhista entenda ou ele simplesmente disse qualquer coisa que veio na cabeça, sei lá. Então resolvi ler a HQ, não foi a coisa mais fantástica que li na vida, mas foi bem divertido e em alguns momentos me fizeram refletir algo. Ao terminar de ler a resenha, responda se entenderam o por que da resposta do cara.

Batman é conhecido por ser um justiceiro que conhece a distância abismal que separa lei e justiça, por isso ignora as regras e vai até onde sua sede de justiça o levar, já o Juiz Dredd vem de uma dimensão na qual ele próprio é a lei e a execução da justiça, por este motivo considera a ordem o principal veículo para a felicidade, se não ele quebra seus dentes e lhe algema. Claramente o encontro dos dois iria ser conflitante, o justiceiro contra o juiz.

Os desenhos dessa mini-série feitos por Simon Bisley são fantásticos, dá pra botar cada quadro em forma de pintura pendurado no seu quarto. Então, o que une dois personagens de universos tão diferentes numa mesma mini-série? Esse é o ponto fraco da história, é onde não faz sentido. Após derrotar no começo da narrativa o Juiz Morte, Batman encontra com ele um transportador que acidentalmente aciona e vai parar em Mega City, onde é preso por Dredd. Simples e ridiculamente assim começa a história. Mas logo que se comenta sobre o Morte, dá pra entender alguma profundidade do enredo e o papo do preto e branco do Dereck.

“Com sua filosofia distorcida, TODO crime é cometido pelos vivos. Logo a própria VIDA deve ser um crime.”

O cara é um lunático cósmico que já destruiu com outros juízes seu planeta e agora anda atrás de mais vida para destruir. Considerar a própria vida como um crime não é muito diferente de considerar a humanidade como um vírus no planeta, não? A diferença é que o cara pode realmente matar em massa, ainda bem que nós reles mortais não temos essa capacidade, se não…

Especialmente três sequências tornam essa HQ divertida de se ler. Na primeira revista, é épica a sequência na qual cansado de ouvir Dredd falar cegamente sobre sua lealdade a lei, Batman consegue se libertar e o derruba com um soco, até chegar a cavalaria e conter o morcego.

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A segunda sequência é quando o Morte após transferir seu espírito para um novo corpo com ajuda do Espantalho, resolve julgá-lo, ou seja, matá-lo. Porém ela não esperava que o Espantalho tivesse a ousadia de usar seu gás do medo, o que faz a morte encontrar seus pesadelos até se render ao outro vilão. Vão por mim, a imagem que aparece no pesadelo do Morte é muito bizarra.

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A última sequência é a mais fantástica. O Morte vai invade um show de rock chamado “Living Death”, atrás do palco mata um guitarrista e pega seu instrumento, o resto dá pra vocês imaginarem né? É fodástico demais. Death Metal cantado pela própria morte! O que acontece depois, leiam vocês mesmos.

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Apesar de ter spoilado tudo aqui, dêem uma lida em alguma scan da mini-série na internet. Perder um show dá própria Morte não dá.

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Comentários

  • Alessio Esteves  On 16/08/2010 at 16:23

    As histórias desses autores sempre acabam descambando para o non-sense escatológico com piadas grosseiras e por isso mesmo são ótimas!

    Disparado o melhor encontro entre Batman e Juiz Dreed.

    Sobre a questão nerd…

    Inteligência e ou nerdicce não se manifestam só com notas altas. Ponto.

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