Cinzas

Esse texto, como quase tudo que eu postar, não é nada que vá fazer você ganhar dinheiro, rir a lot, nem vai pedir pra você doar paz e amor pro seu próximo. É só um monte de bosta jogada no ventilador, mas que achei que deveria postar aqui e agora.

A realidade é multifacetada, dizem, mas eu sou uma unidade, tenho um corpo e uma mente, que conflita com tudo ao meu redor a cada instante, até comigo mesmo, mas que nem por isso deixa de ser uma unidade. As coisas são complexas porque assim queremos que elas sejam, então eu quero que elas sejam simples! Mas não basta que eu queira, preciso acreditar, para acreditar preciso esquecer que finjo que acredito.

Pobres de nós humanos que viemos ao mundo para lhe dar um significado, para lhe entender quando não há nada a se entender. Uma pedra, uma chama, um deus, um átomo, tudo isso é delírio nosso, às vezes delírios gostosos, outros dolorosos, quem sabe até indiferente. Humanidade, uma palavra, que não quer dizer nada como todas as outras palavras.

Engraçado como tudo fica preto e branco quando penso assim. Serão os raios de um sol que não emite luz ao meu redor? Muitas perguntas eu desfiro e não recebo nenhuma resposta, nem dos cientistas, nem dos deuses e muito menos de mim mesmo. Por um simples motivo: não existe resposta, não existe nem mesmo a pergunta. Que dilema complicado é a existência, tudo parece ser, quando dificilmente alguma coisa é.

A iluminação Zen é verdadeira? Talvez seja a consciência de que é falsa e que na verdade tudo é falsamente verdadeiro. O zen-budista sabe que tudo ao seu redor é uma mentira, inclusive ele, então qualquer coisa na qual ele acredita é verdade. Paradoxos, esqueça a dualidade medíocre ocidental, pense no conflito não como oposição, mas como complementação. Mas… como se acredita em algo que se sabe que é falso? Não sei, não consigo responder. Caio no sono sempre que tento.

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Comentários

  • coringa138  On 13/08/2010 at 1:46

    Só de pensar na vida eu já tenho vontade de ir pro bar beber.

  • Alessio Esteves  On 13/08/2010 at 3:30

    O tenso do Zen é que ele não é nem deixa de ser. Mas considero a iluminaçao advind dele a maior queda do véi possível.

    Citando o grande mestre Zen Alfred E. Neuman: “O que, eu me preocupar?”

  • Pablo Balieiro  On 13/08/2010 at 3:42

    Bem vindo ao clube do “penso, logo não entendo PORRA nenhuma”. Só de pensar que essa quantidade de signos que cobrem nosso dia a dia só existem DENTRO da nossa mente, e que essa questão sobre o ser/existir provavelmente não tem resposta tangível ao nosso senso comum(ao menos não por agora), já dá vontade de me unir ao “coringa138” na nobre arte de preencher a face de alcoól.

  • Pablo Balieiro  On 13/08/2010 at 3:43

    Seria esse blog uma T.A.Z ???

  • ginos  On 13/08/2010 at 13:31

    O nó que dá em nossas cabeças quando pensamos nessa libertação da existência acontece tendo com um dos fatores a nossa incapacidade dizermos com firmeza o que é real e o que não é, o que é verdadeiro e o que é falso. Não temos critérios muito bem definidos para essas questões, e mesmo aqueles que tentamos levantar não são fortes o suficiente para uma divisão clara.

    Ficamos tão presos a juizos de valores incutidos em nossa mente que coisas que deveriam ser simples de serem compreendidas fogem do nosso entendimeno. Como diz Robert Anton Wilson, o primeiro passo a nos libertarmos desse dogma que amarra nossa mente é acharmos que no final das contas podemos ser idiotas cósmicos e tudo o que a gente pensou e disse durante a vida toda na verdade foi uma grande merda.

  • synthzoid  On 13/08/2010 at 13:56

    realidade é um signo, e como todo signo, arbitrário.

  • Angélica Freire  On 27/10/2010 at 15:19

    “Não cortemos os pulsos. Cortemos com linha dupla todas as feridas abertas”…não, não quero entender, para que buscar esse entendimento que me trará mais dúvidas? Essa frase em aspas que me alarga um otimismo que não carrego, por ora, em mim. Então, para que e por que citá-la? Isso já é refletir. Por que refletir, então? Suportar em si essa movimentação de questionamentos é um mal que fere ou um bem que engenhosamente me alimenta? Quem me responderá? Agora sou pergunta sem respostas? Para isso e por isso vivo (vivemos) para buscar? Sentidos, desencantos, olhares turvos, cenas desconexas, luzes e, ao mesmo tempo, escuridões que se alternam e me (nos) constitui(em) em ser e não ser, que me(nos) alude ao poeta: Ser ou não ser: eis a questão. (? )É verdade [se é que posso (podemos) julgar que exista] essa angústia das respostas não dadas, das abafadas pelas discordâncias, pelo desassossego que impele e impede concomitantemente. Vomitar é saber que não se poderá engolir, é dar o grito que não se poderá voltar, é fazer ecoar e assumir o dizer sem vergonha de saber o fazer que se pronunciou. Assim, divido o saber que não sei o que fiz existir em palavras, mas expressei angústias lidas vivendo algumas, aqui, escritas. Mas… não buscando transcendências ou travessias em respostas, mas apenas uma pausa para suspirar e fazer-me acreditar que ser ignorante e ver o singelo da passagem dos minutos e apreciar o pontual das coisas, das pessoas e dos gestos é a melhor maneira de perceber a vida e ausentar-se das inquietações. A ignorância do complexo por construir um simples possível é a escolha acertada que desejo para esse minuto, porque pensar em ser é uma escolha, e quando penso em uma escolha sinto-me capaz e, por isso, não sou manipulável sei fazer o que quero e vou por caminhos construídos por mim. Saber ser e fazer-se no ser é o que mais importa. As respostas? Deixarei, agora, virem nos minutos virgem do meu tempo.

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