Geração Y e o fantasma do controle informacional

Bom, todo mundo que lê este blog sabe, ou a essa altura do campeonato, já deveria estar sabendo que eu sou um usuário compulsivo do Twitter, aquilo que no jargão fica “Twittero”, tenho o costume quase religioso de mandar uma acalorada mensagem de bom dia e terminar a noite c/ alguma coisa, geralmente um link do Youtube, uma música. O legal do Twitter, é que pra evitar jargões técnicos, é que o negócio é grande pra cacete, você encontra tudo e todos, escritores, atores, desenhistas, perfis corporativos, e é claro, gente comum.

Esses dias eu estava na aula de marketing da minha Pós Graduação, quando o professor comentava enfaticamente o quanto o discurso perante a Geração Y era hiper-estimado, de fato, ele tinha razão, rebeldia e contestação sempre existiram, o que muda são as mecânicas e tecnologias pela as quais elas se manifestam.

É claro que isto é uma faca de dois gumes, da mesma forma que uma geração de muçulmanos se articulou ao ponto de derrubar governos, outra grande parcela se apropria para enunciar coisas, digamos, menos prioritárias, mas e daí? É tudo uma questão de opção, certo?

Viemos de uma época de conhecimento “elitizado”, basta perceber como nosso sistema educacional persiste em seus aparelhos de suporte a vida, se por um lado a tecnocrática classe média insiste em rotular acadêmicos como “pseudo-intelectuais”, o outro lado ainda persiste em batizar aquilo que causa desagrado como “cultura inútil”.

Em um mundo pulverizado por informação, incompreensão e vista grossas acabam sendo verdadeiros colírios cerebrais, é fácil – e até necessário – virar o rosto e assumir que alguma informação é irrelevante para o seu cotidiano, isto difere da ignorância, é uma solução apenas temporária, quantas vezes você não optou e deixar a leitura de algum link para depois?  Pois é.

Existe uma crítica muito forte alegando que a Geração Y é uma geração supérflua, débil, “que sabe de tudo mas não conhece nada”…mas em contra partida, é a primeira geração a lidar de forma ativa e aberta c/ informação, sem censura ou erudição, nossos (sim, “nossos” porque eu me encaixo na faixa etária) antecessores foram marcados por censuras, polaridades políticas e obscurantismos.

Parafraseando a Lucia Hipólito (pra quem estava falando mal da classe média…), “na ditadura todos nós éramos iguais porque não avisa diferença de opiniões.”  E isto é válido não apenas para a ditadura brasileira, mas a todos os regimes políticos do planeta.

Esta “supervalorização” da informação é oriunda da necessidade de controle que a geração anterior estimava, hoje em dia existe a mão pesada da responsabilidade, “O que fazer com tanta informação?” eles assombram, bom, eu tenho a resposta: “porra nenhuma! informação não deve ser controlada ou ministrada, isto é uma retórica antiquada, pertencente a quem cresceu naqueles tempos, o que nós devemos e conviver com informação, só isso, deixe estar.

 

About these ads
Comente ou deixe um trackback: URL do Trackback.

Comentários

  • Lana Rql  On 30/03/2011 at 17:11

    Ponto de vista muito pertinente. Penso que o que muitos consideram ‘descaso’ da Geraçao Y com o ‘conhecimento profundo’ eh apenas praticidade.
    O Google esta ai, e qualquer um repentinamente interessado em literatura barroca pode encontrar tudo o que precisa a hora que quiser, a alguns cliques de distancia.
    Enquanto antigamente o repositorio unico de informaçoes de um ser humano era seu proprio cerebro, temos incontaveis servidores abarrotados de conteudo a nosso dispor, 24 horas por dia.

  • Tavares  On 30/03/2011 at 19:37

    Tem uma vaga lá na revista Veja, vc se encaixa no perfil, deveria escrever pra eles, esse tipo de bobagem sai toda semana lá.

  • agrt  On 30/03/2011 at 22:06

    Até onde uma certa parcela de auto-alienação continua sendo alienação? Essa é uma questão que por muito tempo foi colocada pelos movimentos contraculturais, bla bla. Tipo, não há emancipação com a auto-alienação? Não é preciso se desligar mesmo que por um lapso curto de tempo da “realidade” do nosso tempo pra poder vislumbrar outras perspectivas? Tá, tudo bem, tudo isso é muito pertinente…
    Mas a tal geração “y” (odeio esse nome alfabetára, e quando acabar a porra do alfabeto? y01, zk21? acho muito putaria) ao contrário de alguns grupos emancipatórios, cairam num abismo de alienação, sei que isso é complicado… mas eu pelo menos gosto de um monte porcaria, mas sei que é porcaria e sei o que pode me oferecer e me bloquear. Então essa porcaria não é necessariamente alienatória, muita gente tem isso também. Mas falta em geral na nossa geração “conectada”, um pé no social prático, no real pragmatico que por tantos anos expurgamos como o que nos impossibilitava de mudarmos as coisas… tá, isso foi muito pertinente nos anos 70 e ainda é em certa medida hoje, mas os nosso movimentos de “vanguardas” (politicas, sociais, culturais) precisam reconectar essas novas formas de comunicação com uma praxis tradicional. Não só se desligar totalmente e permanecer com o pé nas mesmas questões de tantos tempos atrás (digo, não APENAS elas, mas enfrentarmos nosso próprio tempo e não os fantasmas do passado).
    O “poeta” Chacal em uma entrevista disse “no nosso tempo o inimigo era um espantalho, hoje em dia é tipo um agrotoxico, a gente não vê e não tem como bater”. É exatamente isso, claro que o agrotoxico existia no tempo do espantalho, (a ditadura, o alvo, algo visivel pra se combater), mas o espantalho evaporou no tempo em que o agrotoxico dominou… e como enfrentar ele? Sem duvidas não são com tecnicas que se enfrentava o espantalho…
    Blah, me embolei todo no que queria dizer. Mas é isso, essa questão da alienação é complicada… e a geração Y ao meu ver precisa em partes se voltar para praticas que se consideram ultrapassadas (tomadas de reitorias, por exemplo!) e etc. só que isso sendo catalizado pelas novas manifestações!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: